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Não me (ir) rita, Lee!

06 Julho 2018 13:25:00

Sabemos que a cultura é universal. Em outras palavras, ela é para todos. Assim, há que se respeitar todos os gostos. Para quem se amarra na música caipira, dá-lhes dose dupla da dupla Ico Aipim e Chico Cebola. Nunca fui roqueiro. Sou devoto do samba. Tentei (quase sempre em vão) fazer com que meus alunos deixassem de lado, um pouco, o barulho do róqui and rol e curtissem as melodias e letras maravilhosas do cancioneiro popular brasileiro.

Pensei muito no que escrevi acima ao ler, meio a contragosto, Rita Lee - uma autobiografia (Editora Globo S.A., São Paulo, 294 páginas, 2016). Normalmente, as pessoas contratam um jornalista tarimbado para escrever suas memórias. Rita insiste que foi ela a autora integral do livro narrando sua vida.
Concordo. A obra é a sua cara. Irreverente ao máximo, escrevendo ao correr da pena, pouco preocupada com o resultado. E daí o leitor ter que se munir de infinita paciência para digerir uma sucessão de desrespeitos à língua portuguesa, um amontoado de gírias e confissões inconfessáveis de seu estranho jeito de ser e de viver.

Sem o menor pudor, relaciona todas as drogas consumidas (álcool em excesso), suas constantes internações em clínicas de repouso ou em hospícios mesmo. Conta também que foi vítima preferida dos censores durante o reinado militar, com demoradas temporadas em prisões.

Não querendo justificar suas atitudes, mas talvez as suavize, ouvindo este depoimento: "Falando em desastres naturais, lembrei de alguns acidentes sofridos ao longo da vida. Aos seis anos operei as amígdalas e assim que voltei para casa fui brincar no muro e caí de mau jeito, quebrando o dois pés de uma só cajadada. Com ambos engessados, me locomovia de bunda no chão. Quebrei o polegar direito ao suspender uma janela esquecendo de colocar os calços e ela desceu, zapt, tipo guilhotina."

E segue o elenco de doenças: apendicite, deslocamento dos quadris, cirurgia nas cordas vocais, cirurgias nos olhos, três cesarianas, duas hérnias de disco, enxertos de osso na boca, retirada da vesícula, cirurgia de hemorroida, escoliose galopante, bipolaridade, mal de Parkinson...
Seu desabafo fatal: "O fim da vida de um roqueiro é um dos clichês mais previsíveis - overdose; Aids;  garoto-propaganda  de causas "nobres" de governos corruptos; revivals banguelas comemorando as glórias do passado; se converter a uma religião ou partido e aderir na catequese; ficar bilionário e fazer show para alimentar o ego e ficar bilionário e fazer show quando bate o tédio".
É dose? Nunquinha! É pura overdose!

 



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