| ASSINE | ANUNCIE
| | | |

Má-criação e rádio difusão

Nos tempos em que era permitido que os professores fumassem em sala de aula, vêm-me à memória da figura de Joaquim Floriani. Foi ditador por longos 15 anos na direção do Colégio Pedro II e excelente professor de matemática. Mantinha uma característica: acendia um cigarro no outro. Mas ai do aluno que fosse dar uma pitada no recreio.

Veio o bom-senso de proibir o tabagismo em classe. No Colégio Santo Antônio, havia, pela manhã, 4 aulas, com intervalos de 10 minutos entre uma e outra. Os fumantes aproveitavam o preciso tempo.

Eis que um dia, distraído, entrei numa classe do curso científico com cigarro na mão. Um aluno, de sobrenome Adam, famosa marca do chiclete, chamou-me a atenção. Claro que livrei-me logo da bagana, pedindo desculpas. Mas como a vingança vem a cavalo, logo disparei: - Adam, levanta e vai cuspir essa ´porcaria na lixeira.

O que tem a ver má-criação com rádio difusão? Ambos constituem exemplos de comunicação.

Se a memória não me falha, lembro-me de apenas duas colunas em A Nação que se ocupavam de noticiar o rádio. Carlos Xavier, e, por pouco tempo, Paulo Jacques transformava um incidente policial em deliciosa crônica.

Hoje, reina mais que absoluto, Airton Floriani. Ocupa praticamente uma página, a 5, do seu jornal A Voz da Razão, com cobertura total do que ocorre na radiofonia local e da região.

Atitude mais do que válida. Não esqueçamos que o rádio não foi ofuscado pela televisão. O mesmo ocorreu quando esta surgiu e previram o final dos cinemas.

No livro As escolas de samba- um episódio antropofágico, de Ari Araújo e O amigo da madrugada - O fenômeno Adelson Alves de, e de Erika Franziska Herd (Editora Vozes,1978, 160 páginas), encontramos registros como esse:

"Quando a televisão se firmou, deslocando o apoio publicitário que sustentava o broadcasting no rádio, começou para as estações uma vida nova.

O esquema barato da programação e o custo relativamente módico de equipamentos e manutenção levaram progressivamente a uma especialização de horários e de público.

Hoje há programações e emissoras para executivos, intelectuais, teen -agers, moços prósperos, gente de meia idade, religiões de diferentes confissões e trabalhadores em geral.

Estes, obviamente a maioria, formam um todo uniforme num mercado que pesa apenas pelo número r que não se deve fracionar, excluído pelo modelo econômico da participação social e tornado apenas imitador da modernidade que lhe chega submetida em segunda mão (..

Quando esse livro saiu (1978), "o Brasil contava, naquela época, com 1005 emissoras de rádio, com cerca de 34 milhões de aparelhos receptores e uma audiência estimada de88 milhões de ouvintes. Quanto à televisão existem cerca de 10 milhões de aparelhos para uma audiência potencial de 45 milhões de espectadores."

O rádio, que nos tempos saudosos, chamávamos de ondas hertzianas, portanto, não tem o que temer. Vamos futuramente atualizar esses dados.

Duas epigrafes dessa obra, nos fazem pensar: "A vida é devoção pura (Oswald de Andrade) e "Sou um tupi tangendo um alaúde" (Mário de Andrade).

VEJA MAIS DA COLUNA