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Joel Silveira - Profissão: Repórter

Reli, com muito prazer, As grandes reportagens de Joel Silveira (Editora Codecri, do Pasquim, volume 67, 143 páginas, 1980). Ele era sergipano de Lagarto, "terra que nem Lampião ousou pisar, segundo lenda local".

O prefaciador, Ferdy Carneiro, assim o apresenta: "Contista, novelista, poeta, repórter, correspondente de guerra e tradutor". E acresce: "Por iniciativa de João Cabral de Melo Neto publicou, em edição fora de mercado, O marinheiro e a noiva, poemas dos quais Manuel Bandeira incluiu três na sua Antologia dos poetas bissextos brasileiros".

Sobre Joel Silveira, escreveu Manuel Bandeira: "Como repórter não tem quem lhe leve vantagem: possui uma maneira muito pessoal, pachorrenta, meio songa-monga voluntariamente sem brilho literário - é o anti-João do Rio - e apesar disso, ou antes por isso mesmo, maciamente perfurante como uma punhalada que só dói quando a ferida esfria."

Na época do lançamento desse livro, o autor tinha 61 anos e 46 de ofício. "Veio para o Rio de Janeiro com 18 anos, sem conhecer ninguém." Com a companhia de Álvaro Moreyra, Murilo Mendes Graciliano Ramos e outros realizou o que havia de melhor. A súbita glória literária não iria amenizar seus dias de privação. Brício de Abreu, um dos diretores do semanário Dom Casmurro, não efetuava os pagamentos em espécie, mas em livros, os quais Joel recebia aos quilos e vendia no sebo para defender algum."

"Foi o primeiro preso do AI 5, e, recolhido no Batalhão de Guardas, teve como companheiro de cela Carlos Heitor Cony que conta essa breve memória do cárcere: "Trouxeram um sujeito para ficar na nossa cela. Nós conhecíamos o cara: peixe graúdo em crimes contra o patrimônio. Joel berrou para o oficial-do-dia: " - Aqui não! Aqui é lugar de subversivo! Lugar de ladrão é na cadeia!"

Em As grandes reportagens, o escritor alfineta com mão cheia a grã-finagem paulistana. Os homens de casaca nunca o perdoaram pelos textos Grã-finos em São Paulo e a 1.002ª. Noite da Avenida Paulista.

Este trechinho já dá uma mostra de seu estilo mais do que ferino: "Durante uma tarde inteira, fiquei semideitado numa poltrona de um apartamento chique, no centro da cidade. O dono era um rapaz que eu não conhecia e que possivelmente talvez ainda não saiba quem sou e o que fui lá fazer. Fui de mistura com outros, como penetra.

- Os rapazes se vestem muito bem e telefonam. Telefonam de cinco em cinco minutos e conversam com Lili, com Fifi, com Lelé. Recebem também telefonemas de Fifi, de Lili e de Lelé."

- No capítulo Conversa com a Igreja, o autor joga luz em entrevistas com Dom Hélder, D. Evaristo Arns, D, Ivo e D. Aloísio Lorscheider, sobre a crucial questão da paz com justiça social.

- Correspondente de guerra junto à FEB traz reportagens com os títulos: Eu vi morrer o sargento Wolf, A guerra e o golpe da FEB e História da conquista de Monte Castelo.

- Em Praia do Flamengo, 132 revela a história da UNE e vale a pena saborear outras matérias: A renúncia (Jânio Quadros), A feijoada e O velho Graça, retrato amargo mas perfeito do autor de Vidas secas, Graciliano Ramos.

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