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Heróis de dois mundos

Como certas pessoas deixam marcas quando querem! Ao apanhar para leitura o livro Anita Garibaldi - Heroína por amor, de Valentim Valente (Editora Soma, 1949, 330 páginas), tive certeza imediata: Tinha pertencido ao saudoso tio Gusti.

Era costume de ele apor sua rubrica e um carimbo: Frederico Augusto Luiz Thieme Jr, em caixa alta e embaixo, entre parênteses, Augusto Thieme Jr., em letra normal. Na obra, ocorre o encontro de Giuseppe Garibaldi e Ana Maria de Jesus Ribeiro (Anita) na cidade de Laguna.

Ela nasceu em Morrinhos, lugarejo na margem esquerda do Rio Tubarão, distrito de Laguna, hoje Bairro Anita Garibadi. Em 30 de agosto de 1835, aos 14 anos de idade, contraiu matrimônio com Manuel Duarte de Aguiar, um sapateiro. Tendo enviuvado, ela casou-se em 26 de março de 1842, com o italiano Giuseppe Garibaldi, em Montevidéu, no Uruguai.

As batalhas que o casal enfrentou bravamente nos leva a cidades catarinenses, que conhecemos pessoalmente ou, ao menos, de nome: Lages , Araranguá e outras.

Em 1835 teve início a Guerra dos Farrapos, ano em que Giuseppe chega ao Brasil. No ano seguinte, foi proclamada a República Farroupilha e em 39, a República Catarinense.

O cruzeiro de Garibaldi contra os monarquistas (ele era republicano) incluiu batalhas navais e em terra. O combate naval de Imbituba entra na história. Um ano antes de casar-se com Anita partiu para o Uruguai. Foi lutar contra as tropas da Argentina que queria incorporá-lo.

A história dos dois decorreu nos dez anos que vão dos últimos dias de julho de 1839 a 4 de agosto de 49. Montada num cavalo, a mulher de Garibaldi, vestida como homem, participou como soldado fosse, na maioria das batalhas no Brasil e no Uruguai.

Seus filhos foram: Menotti, Rosita (falecida menina, vítima do crupe (difteria na garganta), Teresita e Ricciotti). Anita, com sua prole, em 1847, partiu do Uruguai para a Itália. No ano seguinte, ainda lutando em terras da América, o marido alcançou-os em sua terra natal.

O grande sonho desse bravo guerreiro era ver sua pátria unificada (o que só ocorreria em 1870). Até então, a Itália era ocupada por austríacos, tudescos (alemães) e outras nações.

No Brasil, quiseram torná-lo general. Não aceitou. Só ostentou o título na Europa. Mas tornou-se um verdadeiro ídolo do povo. Todos o amavam e respeitavam.

Existe um número significativo de livros, de autores nossos e italianos sobre a vida de um e outro dos personagens focados. Mas muitos deles contêm incorreções.

Garibaldi (1807-1882) e Anita (1821-1845) ficaram imortalizados em retratos, pinturas, desenhos, monumentos, placas comemorativas, óperas e peças (incluindo o libreto dos nossos José Ferreira da Silva e música do maestro Heinz Geyer). Vários filmes foram feitos, mas nenhum digno de Anita.

O que segue não consta do livro:

Um deslize na trajetória do inteligente decano dos advogados de Santa Catarina, Arão Rebello. Eleito deputado federal (provavelmente pelo PSD) quando a Câmara funcionava no Rio de Janeiro. Numa solenidade em que se homenageava Anita Garibaldi, soou sua voz discordante. Não via o porquê da veneração "por uma prostituta, que abandonara o marido para se juntar a um bandoleiro-aventureiro-estrangeiro".

Nunca mais se reelegeu. 


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