| ASSINE | ANUNCIE
| | | |

Encontro com um cronista (2)

No texto da coluna anterior, prometemos levar aos leitores os ditos populares contidos na crônica Água do pote, do livro com o mesmo nome, de autoria de Flávio José Cardozo. Ei-los:

"Ficar feito asno diante de palácio é ficar bestificado. 

O infeliz que trabalha e trabalha sem nenhum resultado vive carregando água em balaio.

Andar fresquinho como um pé de alface é ter bom aspecto.

Quem vive arreliado não está nos seus azeites.

Tomar na cuia é sofrer ingratidão.

Ficar em cólicas é afligir-se, preocupar-se, o mesmo que andar sobre brasas ou só pensar na morte da bezerra.

Um indivíduo cheio de experiência não cai de cavalo magro.

E existem as célebres calças pardas e a camisa de onze varas nas quais se vê quem passa por aperturas.

Meter-se em altas cavalarias é querer ir além das próprias forças.

Estar vendendo botões é ter a braguilha aberta.

Pedir bênção aos cachorros é não merecer consideração nenhuma de ninguém.

Quem anda com fome está com a barriga dando horas e quem não tem nada pra comer vive roendo beira de penico.

Só enxergar os dourados é ver apenas o lado bom e bonito, claro.

Fazer fosquinhas é fingir afeição.

E há quem se comporta como frei Tomás, recomenda, mas não faz.

Beber como um funil é o mesmo que beber até os portais da igreja.

Não poder com um gato morto pelo rabo é andar muito fraco.

Morrer de morte macaca é morrer ingloriamente.

Ganhar um ovo de porco é coisa muito triste: é levar desfeita.

Dar o pé e tomarem a mão significa abuso de confiança.

Quem traz sua modesta contribuição para alguma causa se diz que está trazendo também sua pedrinha.

Rogar ao santo até passar o barranco é só rezar na hora do perigo.

Quando um assunto vem bem a propósito está vindo a talho de foice, mas se o assunto foi omitido ele fincou no tinteiro.

Pôr-se nas suas tamanquinhas é embirrar, fincar o pé, não ceder.

Negar os estribos é desobedecer.

Uma senhora cheia de luxos e vontades é uma senhora cheia de titiquinhas de galinha

Bater a linda plumagem é cair no mato, fugir.

Adoçar a boca é enganar com promessas.

Ir à gaita é fracassar nos negócios". 

VEJA MAIS DA COLUNA