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Encontro com um cronista (1)

Foi num mês de março, anos atrás, que ocorreu o lançamento do livro Estação Catarina - O trem passou por aqui. A organizadora, Fátima Venutti, levou um grupo de escritores blumenauense a Florianópolis.

O coquetel de lançamento teve por palco a Fundação Cultural Badesc, vizinha do Hotel Flop e do Teatro Álvaro de Carvalho. O livro reuniu cronistas que viajaram no Maria Fumaça da Estrada de Ferro Santa Catarina. Em 1954, o presidente Café Filho fez a viagem Blumenau - Itajaí. Ela assinalou a extinção do trem de ferro no Vale do Itajaí.

Antes dessa obra, Estação Catarina, Fátima Venutti tinha lançado o Terceiro apito. Ela foi procurada por várias pessoas comentando que tinham a "sua" história particular sobre o trem, seja em Blumenau ou em outra cidade por onde passou a Ferrovia em Santa Catarina. Daí a ideia de juntar tais depoimentos na obra que de novo abordava a história ferroviária em nosso estado.

Na página que antecede a minha crônica - O menino e o trem - escrevi": "Sempre tive paixão por trens. Mas um me marcou demais. Aquele que fazia o percurso dos Altos dos Trombudos ( o Central, o Braço e o Alto), passando pela minha terra, Rio do Sul. E, mais tarde, chegando ao mar (leia-se Itajaí) . Fez parte da minha infância, inesquecível como ela. Hoje, o trem de ferro é "apenas uma fotografia na parede", parafraseando o velho Drummond, num poema a sua terra natal, a mineira Itabira."

Pois foi na noite de autógrafos na Capital que conheci pessoalmente o Flávio José Cardozo. De caneta na mão para registrar meu nome no caderno de presenças, que li a identidade de quem me tinha antecedido no coloca assinatura. Já o conhecia de nome, lembrando de seu livro de estreia, Singradura, que a enchente levou.

Descobri (ou redescobri?) na minha biblioteca Água no pote, que reúne 42 crônicas de Flávio José Cardozo (Editora da UFSC com a Editora Lunardelli, 150 páginas, 1982).

Ele se utilizou de um recurso que eu imitaria caso o meu quinto livro - Máximas do Barão de Itapuí - já não estivesse impresso, vendido ou distribuído. Confessa Flávio: "A maior parte de matéria que forma este livro foi publicada no jornal O Estado e no Jornal da Semana, de Florianópolis. Alguns desses pequenos textos guardam uma relação que considero especial com certas pessoas amigas e gostaria que a menção do fato fosse entendida com uma dedicatória."

No texto Água do pote, o autor indaga: "Quem por aí é capaz de resistir à sabedoria e à beleza da fala popular? (...)"

E eu prometo: na próxima coluna desfilarei joias do pensamento popular, reunidas nessa crônica citada no parágrafo acima.

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