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Divagações coronárias

Pois bem, o mal está aí imperando que nem doido. E ainda há quem diga: "Há males que vêm para o bem".

Pensando melhor, este mai-l , não se o porquê, foi rotulado de corona-vírus, mais intimamente Covid 19.

Desde guri, gravei uns versos do Manuel Bandeira: "Ora, dizer asneiras, cantar boboseiras..." E nesse tom de pura asneira, num domingo, com céu enfarruscado, prometendo água do céu e neca de pingo d´água, daquele tom cinzento de céu que só nos leva a uma relativa tristeza, que não tem fim, resolvi divagar sobre esta quarentena sem sinal de terminar, e que leva à inevitável rima: o jeito é rezar novena.

Só me lembro dessa antipática palavra quarentena, também nos tempos de guri. Em filmes em que as pessoas infectadas de qualquer moléstia contagiosa, tinham que ficar num navio isolado té que se curassem.

"Não estamos à toa na vida, quando o meu amor me chamou pra ver a banda passar cantando coisas de amor", como insiste a canção". Estamos realmente isolados, fartos de ler na televisão o conselho: "fique em casa!".

E aqui permanecemos conformados, sem direito a aglomerações, quietinhos, distantes de uma passeadinha nem que for na esquina. Bailes, shows, teatro, sessões de cinema, passeatas à beira-mar nem pensar.

Festas tradicionais, como a de São Pedro em Gaspar (170 anos), Oktoberfets (um pouquinho menos) e outros eventos foram adiadas sine die (como diria aquele cronista social: adiadas pra o dia tal).

E as eleições tão esperadas e disputadas? Ocorrerão? Candidatos como sempre abundam (perdoem a expressão).

Manchetinha futura de jornal: "O (des)governo Bolsonaro está com dos dias contados ou ficará na corda-bamba?

Quem escrever sobre o assunto não fará ficção. É realidade mesmo. Sugestão de títulos: As artimanhas do vilão ou A selva vai contar a epopeia da mísera doença ou ainda Apocalipse mundial.

E o governo vai bem? (Eu duvido: só se Deus for realmente brasileiro).

No Brasil, sempre a moda pega. Depois de tantos impeachments presidenciais, será que Santa Catarina estará no rol?

Quando Jânio Quadros, após colher milhões de votos, e, inexplicavelmente, deu no pé, houve quem dissesse: "O "home" é como água de chuva: "Escorrega pelo primeiro ralo que aparece."

Perguntaram a Dyonélyo Machado, autor do famoso romance Os Ratos: "O senhor foi político, psiquiatra, escritor: em quais destes papeis mais se realizou?" Na bucha, respondeu: "Eu não me considero realizado em nada."

Se os leitores se aborrecerem com este texto, os editores devem ser apedrejados, ou talvez crucificados.

O autor se declara inocente. (É óbvio que a afirmação sobre os editores, soa à pura ironia).


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