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De cineastas e aviadores

Recordar é viver, velho clichê. Mas revendo os arquivos das minhas colunas, deparei com a crônica De cineastas e aviadores, editada em dezembro de 2006. Resolvi transcrevê-la:

No último mês do ano, a ida e vinda dos cartões de Boas-Festas sempre foram uma constante. Até que os correios viram seus serviços diminuírem com o surgimento da Internet. Eis que de repente, logo no comecinho do mês, surge uma cartinha que soou como um legítimo e inusitado presente natalino.

Com data do dia 5 recebo correspondência de Eddie Colbert Grossembacher. Advogado veterano , com nome consagrado nos fóruns da vida na cidade e no estado. Ei-la em seu inteiro teor:

"Prezado Tessaleno:

Lendo tuas crônicas semanalmente, minha paixão por Blumenau leva-me a recordações quase esquecidas dos tempos idos. Hoje fazes estampar no Jornal de Santa Catarina notícias sobre os percursores da fotografia e do cinema de Blumenau. Lembro-me de ambos, notadamente do Julianelli. O jornal Blumenauer Zeitung, defronte do Teatro Carlos Gomes, ficava em terreno elevado cujo acesso era realizado através de escada rudimentar, escavada no barranco.

Julianelli, eu o via muitas vezes, quando aparecia na casa comercial de meu pai, onde hoje se situa o Bradesco, próximo à catedral. Chegava de camionete, distribuía cachos de uvas, comprava o necessário e contava as últimas do cinema

Herbert Holetz veio depois.

Há alguns meses, abordaste parte de nossa história ligada ao aviador - autor de O pequeno príncipe. O Antoine de Saint-Éxupery que em Florianópolis, os manezinhos chamavam de Zé Perry, apelido que eu desconhecia, ainda que me tenha servido no Campo do Campeche para embarcar na Varig em 1946. Contam que nos seus voos de Paris-Buenos Aires, pousava seu avião lá.

E são histórias assim que afloram, como mosaicos, sempre que alguém, como tu, espicaças nossas massas cinzentas, fazendo lembrar os belos tempos de nossa Blumenau de antigamente.

Continua escrevendo!

Um abraço do Eddie."

Cismado com o primeiro sobrenome de quem me escreveu, cinéfilo que sou, associei-o ao de Claudette Colbert.

Atriz que foi o par de Clark Gable em Aconteceu naquela noite e na Europa participou do elenco de E se Versalhes falasse, ao lado do Orson Welles.

Não é por nada não. Mas ambos - Eddie e Claudette - sempre demonstraram sensibilidade à flor da pele.

Gente que existe, gente que sente.

Espero que no correr dos anos me reservem mais presentes como estes.



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