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Coronário e colorário

Assim que surgiu a maldita doença gripal - a tal repetida trilhões de vezes nos noticiários televisivos - brincando, sem sentir o peso do drama que abateria todos os mortais - chamei-a de laurocorona vírus. Foi nome do ator e músico que foi pro beleléu vitimado pela Aids, entre otras cositas más. Se arrependimento doesse, estaria gritando a todos os pulmões até o momento em que dedilho estas mal traçadas linhas. É dito antigo, eternamente repetido: "Morro e não vejo tudo". Até então quarentena para mim era palavra de cinema: todo mundo isolado, lacrado, para não contaminar seus semelhantes. Até longe do quartel de Abrantes.

Corolário veio-me à mente dos tempos ginasianos no Colégio Santo Antônio. Pertence aos domínios da matemática, matéria que eu simplesmente odiava, por culpa do frei Waldemar do Amaral, que se achava o tal, mas era um zero à esquerda em termos de adição, subtração e outros quetais. Enfim, no dicionário fixa "proposição que imediatamente se deduz de outra demonstrada."

Dizem que negócio da China soa a ouro certo e líquido. Ledo engano. O tal do corona vírus veio de lá, espalhando-se, de modo impiedoso, por todos os continentes possíveis e imagináveis. Pela idade já não sou de muito sair da vivenda, Finquei pé firme na Colina do Lobo, como grafei a rua Itapuí, minha morada há dez anos, aqui no Garcia, que pretendem tornar-se cidade livre de Blumenau. Utopia pura.

Mas ficar cantarolando "Meu lugar é aqui. Faz de conta que eu não saí" cansa e entendia. Ser obrigado, pé fora dos domínios caseiros, fez-me sentir o Zorro, palhaço total. Só a usei, contrariado, para me vacinar contra a Influenza, que não cura, não mata e dá de ombros pra corona virulenta e violenta.

Da outra canção - Ninguém me ama, ninguém me quer - chego à conclusão: Quem me quer é ela, a coronário ceifadora de milhões de vidas. Nunca li e reli tantos livros em poucas semanas, nunca vi ou revi tantos filmes eternamente repetidos nos canais a cabo. "Patientia seculorem, sem amém".

Leio no jornal: Moro deixa o ministério da Justiça. Não deveria nunca ter aceito a missão. Inda mais em país de ladrão. O ignaro do Bolsonaro, que não dá uma dentro, brinca com seus botões; "Moro e não vejo tudo". Com este desabafo, ele vê a justiça afastar-se cada vez mais longe de seu (des) governo.

Frases que me ocorrem agora, bobamente, ao sabor do vento:

"Lavo as mãos, sem ser Pilatos".

"Reabram-se as academias, mesmo as que fazem jogar longe flatulências e outros odores insuportáveis".

Perguntinhas para enganar bobos:

A revistinha dos senhores doutores farmacêuticos Sanchez & Perissoto , entregue nos finais de semana, preenchem o vazio dos mortos matados Santa, A Notícia e Diário Catarinense? Respostas a serem enviadas ao Correio Sentimental deste jornal!


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