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Caieira da Barra

Resolvi pôr um ponto final nas recordações sobre as praias da minha infanto-juventude e mesmo na idade adulta. Mas não dá para resistir. Ficar sem o devido registro de Caieira da Barra.  

Trata-se da última praia na estrada que leva a Naufragados, extremo sul da Ilha de Santa Catarina. Passa-se antes de chegar a Caieira pelo Ribeirão da Ilha, o ponto inicial da civilização açoriana que se deslocaria depois para a atual cidade de Florianópolis.

Mauro Júlio Amorim, jornalista, escritor e amigo, quando me convidou para uma temporada em sua casa na Praia Grande, a principal de Caieira, sabendo de meus amores por Canto Grande, garantiu-me: - Agora teus encantos praianos ficam por aqui. E ficaram.

Lá se aprendem expressões esquisitas: Correr as sete senhoras, por exemplo. Mal raiava o dia, eu e o amigo Nelson caminhávamos o possível. Ao chegar, Mauro, já tomando café, exclamava: - Então! Foram fazer a visita das sete senhoras? E explicava: o dito refere-se a pessoas que passam cedinho pelas casas dos vizinhos e vão indagando sobre as novidades.

Outro exemplo de humor ilhéu: Uma servidão (um corredor entre um prédio e uma casa) acessava a praia ao asfalto. Pois colocaram em letras garrafais: - Atenção! Você está sendo filmado!

Para se chegar a Naufragados existem as opções: caminhada pelas veredas de um morro e mataria sem fim ou alugar um barco.

Nas últimas idas, havia campings, bares, residências e restaurantes.

Soube agora que tudo sumiu.

No lado direito, no morro, imponente, um velho e abandonado farol, com um restinho de cor branca.

Na sua frente, uma enorme pedreira inda deixa ver uma antiga fortaleza com canhões que relembram a luta para impedir a invasão de espanhóis.

Pertinho dela, a Ilha do Papagaio, agora não mais ilha, porque a areia fechou o canal (riozinho) que a separava da Praia dos Sonhos, vizinha da praia da Pinheira.

A medida de deixar desnuda Naufragados é fruto de decreto governamental. Tornou-se, assim, uma reserva ambiental.

Conheci Paranaguá, numa viagem indescritível de trem, recheada de túneis, porque os trilhos beiram precipícios.

Na minha temporada de residência no Rio de Janeiro, não arredei o pé de Copacabana, em termos de morada.

Claro que as praias vizinhas, incluindo Ipanema, sentiram os meus passos.

O que me marcou foram os finais de semana na Ilha de Paquetá e em Mangaratiba. Para Paquetá é inevitável o uso de barca e para Mangaratiba, utilizei-me dos serviços do trem da Central do Brasil.


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