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Bombinhas


E dá-lhe recordação. Num sábado, véspera de 15 de Novembro (ano de 2004). Oito da matina, na Panificadora da Vovó, em Bombas, esbarro com Schürmann, o navegador. Provoco-o:

- Sei que moras aqui. E o New York Times fez uma reportagem, elegendo Bombinhas como um verdadeiro paraíso no Brasil.

Ele me corrige:

- Saiu na Veja. E na realidade, ele tinha razão. A publicação americana realmente mandou uma repórter, que classificou Santa Catarina como o paraíso das praias do Brasil, em especial Florianópolis (convenhamos: Florianópolis não possui praias; a Ilha de Santa Catarina é que as têm em significativa quantidade).

Horácio Braun registrou que "a praia de Bombinhas tá com tudo e não tá prosa. Em matéria da revista Veja ficou entre as 10 melhores praias do país; foi eleita pelos leitores da revista Viagem e Turismo como a sexta melhor praia do país e a melhor de Santa Catarina..."

Lembrei-me, é claro, das minhas prediletas, todas vizinhas. Zimbros, praia do Cardoso, praia Vermelha, Canto Grande, praia da Tainha, da Conceição, Mariscal, Quatro Ilhas e outras. Há poucos anos, virou município com a prefeitura em Bombinhas. É um marzão para administrar.

Verdade que divido os meus amores. No extremo sul da Ilha de Santa Catarina, se localiza a Caieira da Barra. Foram temporadas em Canto Grande e Caieira, cada uma, por vezes, por mais de dois meses.

O meu hospedeiro na Capital era o Mauro Júlio Amorim, jornalista e escritor que tinha uma casa centenária, encravada numa pedreira. Costumava dizer: "Não tenho casa de praia. Tenho uma casa na praia." E era verdade. Desciam-se uns degraus na saída do terreno e já se estava com o pé na água,

Na praia central de Caieira era onde eu ficava e a rua terminava na subida para Naufragados.

Em algumas localidades existem costumes dignos de registro. Um deles: chamar o cidadão pelo prenome acoplado ao da esposa. Tinha o Zeca da Ourinha, o Edinaldo da Nazarete, o Liduíno da Mira e assim por diante.

O único armazém próximo era o do Pedrinho da Laudelina, com um varandão, com jogos de damas e sinuca. Era onde eu me abastecia.

O que Laudelina tinha de dinâmica, ágil no atender a freguesia, o marido tinha de lerdo. Rapidez só no falar de manezinho da ilha.

Distraído como ele só. Levava horas a contar histórias, principalmente as pescarias com o Deba, o ex-governador Aderbal Ramos da Silva.

Pedi a ele margarina com sal. Surpreso dou com o potinho da dita e, ao lado, um quilo de sal. Apontei para um produto na estante. Era Vim, um saponáceo.

E Pedrinho, sem hesitar:

- Quer tinto ou branco?


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