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Amante de sua cidade

Confesso que li Farpas da Florianópolis, atraído pela primeira palavra do livro (A obra de Nereu do Vale Pereira é uma edição comemorativa dos 500 anos: 1515-2015, editada em 2016 pela Editora Papa -Livro, com apoio do Ecomuseu do Ribeirão da Ilha, 255 páginas). 

Farpa, segundo os dicionários, é "uma ponta de madeira ou metal que penetra em corpos macios". No sentido figurado, corresponde à "crítica, ironia, sarcasmo." Nos tempos de guri, só conseguia tirá-la do corpo, com a ajuda de uma agulha fina, em operação dolorosa. Mas foi o sentido jornalístico - quantas colunas li com o título de Farpas! - que me levou à leitura.

Nereu do Vale Pereira, nascido em Florianópolis, em 13 de setembro de 1928, bacharel em Ciências Econômicas, cursou doutorado, obtendo o título de Doutor em Sociologia. Por 42 anos lecionou, aposentando-se pela UFSC.

Publicou mais de 20 livros, registrando a Ilha de Santa Catarina, a cidade de Florianópolis, o folclore e a museologia. Não engole o nome de sua cidade. Tanto que troca duas letras: saem Fl (Florianópolis) e entram Aç (Açorianópolis). Prefere assim gravar o nome de sua cidade natal.

Chama de Ilha Paradisíaca a principal das 36 ilhas que organizam o Arquipélago Encantado.

Segue-se um comentário sore a Açorianópolis: "Porém a expressão Florianópolis não foi escolhida por acaso e solta num simples espaço criativo. Trata-se de uma proposta que venho colocando em debate já há cerca de trinta e tantos anos e na apropriação da opinião pública para mais uma adequada denominação de nosso Município e sua Cidade Capital de Santa Catarina., cuja homenagem ao Marechal Floriano Peixoto nunca foi aceita, e por isso contestada pelos legítimos desterrenses.

"Desde quando D. Pedro I por decreto de 1823, elevando a então Vila de Nossa Senhora do Desterro a Capital da Província de Santa Catarina, teria retirado a referência do topônimo de instituição religiosa para instituí-la como cidade do Desterro, nascia um clamor popular desterrense contra a nova denominação que escondia a religiosidade do seu povo (não seria mais a Nossa Senhora do Desterro) tornando-se ela pejorativa e classificante por considerá-la local de desterrados.'

"Líderes presos na Fortaleza de Santa Cruz foram fuzilados e inda assim o governador Hercílio Luz prestou homenagem ao perverso Floriano Peixoto dando seu nome à capital como Florianópolis, isto é, a cidade de Floriano."

O navegador veneziano Sebastião Caboto a serviço da Espanha era casado com Catarina Medrano. Teria sido em sua homenagem a bem distante da tão religiosa, pura e virgem Santa Catarina de Alexandria?

Esqueçam a indesejada grafia de Florianópolis! (propositadamente grafada com inicial minúscula).

No final da apresentação (na orelha do livro): Nereu confessa que "é um autêntico Manezinho da Ilha e Paradisíaca Ilha de Santa Catarina e seu arquipélago encantado."

(A obra me foi presenteada pela ex-aluna e escritora Stella Maris Kutne).



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