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62 anos sem Lalau (1)

No livrinho Pequeno dicionário crítico do cinema brasileiro (de Roberto Bandeira, 1983, 135 páginas, editora Shogun Arte, RJ), encontramos o verbete Sérgio Porto. E lê-se: O famoso Stanislaw Ponte Preta, Lalau para os íntimos, nascido em 1923 e falecido em 1968, escreveu os diálogos de É de chuá (58), o roteiro de E o bicho não deu (59) e três histórias para As cariocas (1966), sendo aproveitada apenas uma (a do melhor episódio, o dirigido por Roberto Santos). Foi escritor, crítico de teatro, homem de shows (gravou Se você jurar, de Sinhô) rádio e televisão. Uma perda lamentável. Vivo estivesse, estaria gozando esta politicalha que aqui impera a todo vapor.

A Editora Codecri, do jornal o Pasquim, lançou Máximas inéditas de Tia Zulmira (1976, 111 páginas), com desenhos de Jaguar e prefácio do musicólogo Sérgio Cabral. É de matar de rir, sem muito pensar dos ditos que seguem abaixo:

"Entre as três coisas melhores desta vida, comer está em segundo e dormir em terceiro.

Viver é fácil; saber viver é que é dureza.

- Seu nome é Jesus? - Sim, mas de Vasconcelos.

Em rio que tem piranha é melhor nadar de costas.

Há uma grande diferença entre o católico e o carola. Católico é o que ama a Deus, carola é o que teme.

Há judeus que emprestam e há judeus que não prestam: alguns estão nos dois casos.

O fato de um homem ser muito preparado não implica em que ele seja bom político; creolina também é preparado e também limpa latrina.

A coruja não pia de dia porque enxerga demais de noite.

Uma feijoada só é realmente completa quando tem até uma ambulância de plantão.

Os cronistas mundanos , em sua defesa, vivem evocando Proust, que antes de ser Proust foi cronista mundano; mas isso não quer dizer nada, porque Lincoln também foi lenhador e, depois dele, nenhum outro lenhador conseguiu ser presidente da república

Lavar a honra com sague suja a roupa toda.

Quando a farinha é pouca eu quero meu pirão primeiro.

Quando se chega a uma certa idade as dentaduras postiças começam a sorrir para a gente.

O pediatra sempre que anuncia a alguém a sua especialidade, capricha na pronúncia para evitar mal-entendidos.

Tinha um complexo de inferioridade tão grande, que quando olhava no espelho não via ninguém.

Cachorro que a cobra mordeu quando vê linguiça sai ganindo.

Rabo e conselho só se deve dar a quem pede.

A verdade é que ninguém chega impunemente a presidente da república.

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