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Memória

Há 50 anos ele era prefeito

02 Fevereiro 2016 19:28:10

Ao completar cinco décadas da posse, Evaristo Spengler abre o baú de histórias para relembrar o seu governo

Alexandre Melo - jornalismo3@jornalmetas.com.br
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Foto: Alexandre Melo/Jornal Metas
Evaristo, com o apoio de dona Dica, governou a cidade num período de muitas transformações em Gaspar

Se desse para defnir a passagem de Evaristo Francisco Spengler pela prefeitura de Gaspar numa frase, ela seria: “o prefeito que começou a colocar água nas torneiras dos gasparenses”. Pouca gente lembra, mas foi no governo de Evaristo que a prefeitura iniciou a implantação da rede de abastecimento de água tratada e que passaria a atender a comunidade na administração do seu sucessor, Paulo Wehmuth. Até então, a água consumida era retirada de poços artesianos. 
No dia 31 de janeiro, completaram-se 50 anos que Evaristo assumiu a prefeitura de Gaspar. Aos 86 anos e com a memória em dia, seu Evaristo, a esposa Dilsa Spengler, a dona Dica, e a filha Marialva receberam a reportagem do Jornal Metas na casa de veraneio da família há mais de 50 anos, em Balneário Camboriú. 

Por cerca de três horas, seu Evaristo viajou no tempo para o período de 1966 a 1970, quando governou Gaspar, revelando boas histórias e bons exemplos que poderiam servir de inspiração aos atuais administradores da cidade. “A gente ouvia o povo, hoje se governa por interesse próprio”, afirma.

Em 1966, Evaristo trocou um bom emprego de gerente no Banco Inco, para assumir a prefeitura. Quando deixou o cargo, o banco havia sido vendido e ele não aceitou a transferência para o interior de São Paulo, afinal, Gaspar sempre teve um lugar especial no coração deste cidadão nascido nas terras do Poço Grande. Aliás, muito próximo dali também nasceu a mulher com quem está casado há mais de 60 anos e que foi muito participativa na sua vida profissional e política. Esposa, mãe, amiga e companheira inseparável. Da união com Dica nasceram quatro filhas, que já lhes deram 12 netos e 10 bisnetos. E a política? A política, conta Evaristo, entrou na sua vida dois anos depois do casamento. “Meu tio, Vitório Muller, me incentivou a ser candidato a vereador. Na primeira eleição, fiquei como primeiro suplente da UDN, mas aí o Carlos Fontes faleceu e eu assumi a vaga”, relembra. Depois disso, foram mais duas reeleições até o partido decidir que Evaristo deveria ser o candidato à sucessão de Pedro Krauss. Ele venceu seu adversário, Walmor Beduschi, por 300 votos de diferença. 

Sentar na cadeira de prefeito, aos 36 anos, até que foi fácil, o difícil foi governar uma cidade com sérios problemas estruturais e uma prefeitura com poucas máquinas e funcionários. “Naquele tempo não havia assessor nem secretário, o prefeito resolvia quase tudo direto com a comunidade”, recorda Evaristo. As pessoas batiam na porta do seu gabinete ou as vezes nem batiam, já iam entrando para requisitar patrola nas estradas. “Era o que mais o povo pedia”, revela. O  ex-prefeito abriu várias estradas, principalmente por causa do transporte da safra do arroz. Evaristo ia quase todos os dias para o interior supervisionar as obras e até metia a mão na massa, se necessário. Em algumas ocasiões, armava um acampanhamento no local e preparava uma feijoada para os funcionários. 

Com seis meses de governo, inaugurou a nova iluminação pública da rua Coronel Aristiliano Ramos. Em sua administração também entregou seis novas escolas, entre elas a Luiz Franzói e Augusto Schramm, ajudou na construção do hospital, pavimentou as ruas centrais e, por iniciativa de Dica, criou o Natal Solidário. Em 1968, Evaristo iniciou aquela que seria a principal marca do seu governo. Pegou seu fusca - ele usava carro próprio- e viajou à Florianópolis atrás de um projeto para a instalação da rede de tratamento e distribuição de água no município. A primeira estação do Samae começou a ser construída no morro da igreja.

Depois que deixou a prefeitura, Evaristo trabalhou na administração do seu sucessor. Atuou ainda ao lado do prefeito de Ilhota, Ricardo Koehler. Em 1972, tentou voltar à prefeitura de Gaspar, mas perdeu para Osvaldo Schneider, o Paca, por 34 votos de diferença. Nunca mais tentou outra eleição a prefeito. Hoje, seu Evaristo diz que valeu a pena. “É o que tenho mais vivo na minha memória”. A aposentadoria veio em 1983, mas trabalhar para a comunidade ele nunca parou. Evaristo e Dica são membros do Lions Clube de Gaspar e de outras instituições assistenciais do município. No Grupo Musical São Pedro, onde é fundador, Evaristo toca clarinete, instrumento que aprendeu com Eurides Poli. Se fosse prefeito novamente, admite que nem saberia por onde começar. “É tanto coisa por fazer, mas com certeza eu iria primeiro ouvir o povo”, finaliza.

 


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