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ELEIÇÕES 2020

'Dá para fazer mais com menos'

Pré-candidato do PSL defende a redução dos cargos comissionados e até a redução do salário do prefeito

Alexandre Melo


Sérgio Almeida, pré-candidato do PSL

O psicólogo Sérgio Almeida, 59 anos, vai tentar mais uma vez a vida pública. Já foi suplente de vereador e candidato a vice-prefeito em 2008. Natural de Santa Maria-RS e casado há 40 anos com Karina Almeida, pai de três filhos e quatro netos, ele diz que o momento é oportuno para quem defende um novo jeito de administrar. Servidor público da prefeitura há mais de 20 anos, inclusive tendo presidido o sindicato da categoria, atualmente Almeida está cedido para a Federação dos Trabalhadores Municipais de SC (Fetramesc), entidade que presta serviço a municípios onde não existe sindicato local de funcionários públicos. Há dois anos, ele integrou o grupo que fundou o PSL em Gaspar, sendo o atual presidente, cargo que deverá deixar assim que a convenção do partido homologar a sua candidatura. De temperamento forte e combativo, Almeida quer "fazer mais com menos", que a rigor significa "cortar na carne", começando pelo salário do prefeito - hoje em cerca de R$ 27 mil - e de todos os cargos comissionados. "Me aponte uma empresa em Gaspar com apenas 160 funcionários e um folha de pagamento de quase R$ 1 milhão", dispara.

Jornal Metas: Por que o senhor decidiu ser novamente candidato?

Sérgio Almeida: Tenho que reconhecer que houve um incentivo por parte do presidente Jair Bolsonaro. Em 2018, fomos convidados por Marciano Silva (atual presidente do Patriota) para fundar o PSL em Gaspar. Eu, particularmente, não queria mais saber de política, estava fora dos meus projetos de vida. Porém, quando você vê a sociedade disposta a olhar para as mudanças, até porque os paradigmas fazem com que as coisas se repitam e sempre os mesmos ascendem ao poder, dá vontade de tentar. Gaspar é um exemplo disso, dos quatro pré-candidatos um quer o quarto e outro quer o segundo mandato. Há uma disputa interna entre dois partidos (PT e PMDB) na tentativa de bipolarizar a eleição em Gaspar. Há 25 anos, eles trocam figurinhas: uma hora vai um outra hora vai outro. E isso também me motivou. As minhas ideias e pensamentos são diferentes daqueles que hoje governam ou que já governaram. Um das minhas principais motivações é trabalhar para as pessoas, mostrar que dá para fazer mais com menos retirando do pessoal e distribuindo para a coletividade.

JM: Não ter mais o presidente Bolsonaro no PSL o preocupa?

Almeida: De maneira nenhuma, até porque ninguém liga mais para partido político. Hoje, não temos mais do que cinco mil pessoas filiadas a partidos políticos em Gaspar. Em um universo de 50 mil eleitores, isso não representa nada. As pessoas têm por hábito olhar para aqueles que vão representá-las. O PSL foi um partido que cresceu muito com a pessoa do presidente Bolsonaro, elegendo mais de 50 deputados federais e ainda hoje é a base do presidente no Congresso. Com raras exceções, o partido vem votando com o presidente. Portanto, o PSL ainda tem fidelidade a Jair Bolsonaro. Independente disso, não é pelo fato de eu ter votado em Jair Bolsonaro e ter pedido voto pra ele e para próprio governador (Carlos Moisés), que as pessoas têm de votar em mim. As pessoas precisam avaliar as propostas do candidatos e escolher a melhor. Por isso, eu não vejo problema em relação a isso, até porque o PSL é hoje um partido muito bem estruturado na esfera nacional.

JM: O PSL, num primeiro momento, teve uma espécie de corrida a novas filiações, mas depois o partido se ajustou e as lideranças conseguiram frear essa avalanche de filiações. O que mudou?

Almeida: De fato, o PSL é hoje um grupo com ideais e objetivos comuns. Num primeiro momento, era apenas um agrupamento, chegou gente de tudo quanto foi lugar, mas depois o partido foi se ajustando. Isso não aconteceu só em Gaspar, aconteceu nas esferas estadual e federal. Neste dois anos de trabalho no município, filiamos aproximadamente 200 pessoas. Estamos, portanto, numa situação privilegiada para fortalecer o partido. Ainda estamos buscando peças para a reta final do período das convenções, mas 90% da nominata tá fechada.

JM: O senhor teve uma experiência como vereador. Isso ajuda num possível mandato, já que governar significa estar alinhado ao Legislativo?

Almeida: São poderes independentes, mas acabam caminhando juntos. Se o prefeito quiser fazer uma boa gestão precisa do Legislativo ao lado, aprovando as mudanças e reformas necessárias para o bom andamento da administração.

JM: O PSL trabalha também para ter bons candidatos ao Legislativo?

Almeida: O PSL se organizou e se estruturou em Gaspar para praticamente fechar a nominata de candidatos a vereador. É um grupo modesto, sem medalhõesa, um time completamente renovado que nós vamos oferecer para Gaspar.

JM: O PSL pode ter um vice de outro partido?

Almeida: O PSL não abre mão da cabeça de chapa por entender que é o segundo maior partido do Brasil e quer fazer novamente a diferença nas eleições de 2020. A executiva estadual sabe das nossas pretensões e já ratificou. Se alguém quiser compor com o PSL vai ter que negociar a cadeira de vice. Não é arrogância ou prepotência, mas um ideal, pois entendemos que o partido tem estrutura e vem trabalhando há praticamente dois anos para as eleições municipais. Se tivermos que sair com chapa pura, sairemos com chapa pura porque temos pessoas dentro do partido para ocupar a vaga de vice.

JM: Como o senhor avalia a atual administração municipal e o que faria para melhorá-lar? Um reforma administrativa, por exemplo?

Almeida: Eu tenho aproximadamente 23 anos de serviço público. A cada gestão se fala em reforma administrativa, mas nunca conseguimos ver uma reforma verdadeiramente efetiva, que traga benefícios para a sociedade gasparense. Em geral, as reformas administrativas são feitas para acomodar interesses na máquina pública, como é o caso da atual administração com seis partido dependurados. Vai ter que abrir espaço para isso tudo, e aí está o grande problema porque é preciso criar cargos. A nossa reforma, com certeza, será diferenciada. Infelizmente, as administrações públicas se repetem muito em decorrência dos políticos profissionais. Então, nós vamos propor uma reforma que verdadeiramente corte na carne, que significa cortar salários, reduzir secretarias e número de cargos comissionados que hoje é um absurdo. A reforma administrativa tem que trazer benefícios para a população e não para os políticos.

JM: Na teoria funciona, e na prática? Como não contentar a base política eleitoral?

Almeida: Eu vejo isso com extrema facilidade. Votem nos nossos candidatos. Eu preciso ser prefeito com uma Câmara de Vereadores forte. Eu preciso que meus candidatos a vereador também se elejam. Hoje, são 13 vereadores e para que eu tenha governabilidade preciso de sete do PSL. Também não vejo nenhum absurdo compor com partidos menores se você precisa, por exemplo, de mais quatro vereadores ao seu lado. Agora, não precisa enfiar 300 pessoas dentro da prefeitura, que é o que ocorre hoje. É um absurdo. Isso acontece porque são partidos grandes, partidos históricos em nosso município e que tem uma massa de gente. Não é o caso do PSL, que vai fazer do limão uma limonada. O PSL é um partido novo, sem vícios e sem um bando de gente atrás que você precise empregar na prefeitura. Não tenha a menor dúvida que vamos administrar com menos pessoas. Uma máquina pública eficiente e que olhe para o todo, não apenas para o umbigo de poucos.

JM: Quando você foi presidente do Sintraspug uma das bandeiras era o Plano de Cargos e Salários. Com você prefeito, esse tão sonhado Plano sai do papel?

Almeida: O estatuto que rege a categoria ainda é de 1971. O último prefeito que fez alguma coisa decente pela categoria foi o Francisco Hostins. Eu sempre dizia que ele era o Getúlio Vargas dos servidores públicos. Ele fez um reforma no estatuto dos servidores que está aí até hoje. Trinta anos se passaram, entra gestão e sai gestão e nada é feito. Já está encerrando mais um mandato e mais uma vez não se tem o Plano de Cargos e Salários. Essa é também uma das nossas grandes vantagens, a experiência dentro do serviço público. Por mais que o Sintraspug não seja o maior sindicato dentro do município, mas é de longe o mais importante e agrega a maior empresa dentro do município, com aproximandamente 2,1 mil servidores. Tem possibilidade de se implantar o Plano de Cargos e Salários, agora eu acho que dificulta para a maioria das gestões a falta de conhecimento da categoria, e como a gente tem esse conhecimento acho que se torna bem mais viável.

JM: Tem se falado muito do endividamento da prefeitura e a herança que o próximo prefeito irá herdar. O senhor também concorda?

Almeida: Todas as lideranças da comunidade sabem desse endividamento. O economista do Sintraspug, João Batista de Medeiros, falou que esse endividamento poderá dobrar na próxima administração. O próprio Jornal Metas, em reportagem em 2018, já mostrava que o endividamento da prefeitura era de R$ 162 milhões na época, hoje já seriam R$ 300 milhões. Considerando que temos um orçamento aproximando de R$ 200 milhões, esse endividamento é um absurdo, uma verdadeira loucura. Foi esse modus operandi que o atual governo municipal achou para administrar Gaspar. Agora, alguém vai ter que pagar essa conta. O município? Não. Quem vai pagar são os cidadãos, com os impostos. Cinco mandatos, no mínimo, serão necessários para se pagar essa dívida. Como eu vou pegar esse município pós-pandemia, caso me elege prefeito? Com certeza dilacerado, embora a gente saiba que Gaspar é muito bem desenvolvida, mas teremos sérios problemas nos próximos quatro anos seja quem for o prefeito dessa cidade.

JM: A saúde é sempre uma questão delicada e a comunidade cobra. Qual a sua avaliação, principalmente com relação ao nosso hospital?

Almeida: Eu falo de saúde de cadeira, pois vivenciei muitos anos isso no município. Comecei trabalhando na Secretaria Municipal da Saúde quando ela era insignificante, hoje ela é monstruosa. Naquela época nós trabalhávamos no socorro e dávamos suporte ao hospital, num atendimento com deficiência. De lá pra cá, nada se resolveu. Hoje a saúde em Gaspar é maquiada. A pandemia do novo coronavírus está ajudando a esconder problemas. Eu recebo todos os dias mensagens de pessoas que, para uma simples consulta, estão aguardando seis meses. Um exame simples também tá demorado. Falta prioridade para a saúde. Essa intervenção no hospital é uma questão mal resolvida. Eu estava na Câmara de Vereadores quando ela foi feita e de lá para cá não se resolveu nada, só se empurrou o problema com a barriga. O hospital de Gaspar se tornou um buraco sem fundo. Toda a demanda clínica, não apenas emergencial, está indo para dentro do hospital quando deveria ser apenas pronto atendimento de urgência e emergência. Demanda clínica você precisa resolver de forma clínica. O município tem toda uma rede de postos de saúde e não consegue fazer algo diferente que cubra essa demanda. Nós vamos provar que isso é possível. Não se faz hoje porque repetem-se os mesmos erros e os problemas se avolumam. É preciso ter um olhar mais profundo para a saúde de Gaspar.

JM: A economia de Gaspar vem dando sinais de crescimento ano após ano, e agora quer ser a Capital Nacional da Moda Infantil. Por outro lado, existe uma necessidade crescente de mão de obra. O que fazer para tentar melhor essa oferta qualificada de profissionais no município?

Almeida: Precisa firmar parcerias com as entidades ligadas aos empresários para que se faça melhores estudos. De acordo com o IBGE, o desemprego em Gaspar é praticamente zero. Por outro lado, vem gente pra cá de tudo quanto é lugar e cria-se um excesso de mão de obra, porém, há carência de profissionais qualificados, mas repito: esse é um planejamento que precisa ser feito com as entidades ligadas aos empresários, porque ninguém conhece melhor o negtócio do que eles.

JM: De um lado temos um grupo jovem de pré-candidatos e que representa a renovação; do outro lado o ex-prefeito Pedro Celso Zuchi que vai tentar o quarto mandato. Qual lado você se encaixa?

Almeida: Eu me enquadro no lado da renovação até porque precisamos entender que a política não envelhece nem rejuvenesce. A ciência política é pura, o segredo dela está nas práticas. Nós podemos ter jovens praticando velhas políticas, assim como podermos ter políticos mais maduros, mas com ideias mais progressistas e desenvolmentistas. Um exemplo é esse novo modelo do presidente Jair Bolsonaro, menos estado mais cidadão. Por que o prefeito tem que ganhar quase R$ 30 mil se a média salarial de um trabalhador em nosso município, de acordo com o IBGE, é de R$ 2,4 mil? Eu tenho de dar o meu sacrifício também, ou seja, tirar de mim em prol da coletividade: menos eu, mais nós. Eu repito: é possível fazer mais com menos, e vou provar.

JM: Você defende a redução do salário do prefeito?

Almeida: Quem quiser trabalhar conosco vai precisar ter consciência que vai ganhar menos, essa é a realidade. E não é só de boca, nós vamos em cartório para registrar isso que eu tô falando. Por que eu tenho que achar que o salário do prefeito vai resolver a minha vida? Eu vivo muito bem, estou com 59 anos e se tivesse que resolver a minha vida já teria resolvido antes. E quando eu digo tirar de mim é porque eu preciso dar o exemplo, porque também vou tirar dos demais. Você não pode é mexer no quadro de carreira, isso é constitucional. Agora, cargos comissionados é prerrogativa do prefeito. Me aponte uma empresa em Gaspar com apenas 160 funcionários e que tem um folha de pagamento de quase R$ 1 milhão. Só tem na adminstração pública de Gaspar, com 160 funcionários comissionados. Assim fica difícil, vai faltar dinheiro. Estamos falando em 12 milhões por ano e 50 milhões durante todo o mandato. É muito dinheiro. Qual empresa arrecada R$ 1 milhão por mês em Gaspar? A maioria não arrecada. É muita grana por mês. Dá para fazer mais com menos.

JM Qual nota você daria para a atual administração?

Almeida: Não vou dar nota, quem dá nota é a sociedade gasparense. Se ela está satisfeita com a atual administração, vote nela e a reeleja.


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