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Lava Jato

Políticos do Vale se defendem

14 Abril 2017 14:52:00

Citados na delação da Odebrecht, ele alegam inocência

Redação Jornal Metas
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Foto: Divulgação
Três deputados, um senador e um prefeito estão na lista do ministro Edson Fachin

O Vale do Itajaí recebeu com espanto a notícia do envolvimento de cinco políticos tradicionais nas investigações da Lava Jato. Segundo consta nos documentos enviados ao ministro do Supremo Tribunal Federal - STF, Edson Fachin, Jean Kuhlmann (PSD), Ana Paula Lima (PT), Décio Lima (PT), Dalírio Beber (PSDB) e o atual prefeito de Blumenau, Napoleão Bernardes (PSDB), participaram de negociações para repasses ilegais durante a campanha de 2012. O Grupo Odebrecht buscava apoio dos politicos após vencer a licitação para a implantação do sistema de esgoto do município vizinho.

Segundo o inquérito, a empresa queria garantir a ajuda dos políticos, e seus respectivos partidos, para a manutenção do contrato de saneamento. A ideia era possibilitar que o contrato fosse alterado, assegurando lucro à empresa.  De acordo com a delação do ex-diretor, Paulo Roberto Welzel, a Odebrecht comprou facilidades nas negociações de reequilíbrio financeiro do contrato firmado. O inquérito cita o envolvimento do senador Dalírio Beber na negociação do repasse ilegal para a campanha, do também tucano, Napoleão Bernardes, O mesmo aconteceu com o deputado federal Décio Lima, acusado de intermediar o repasse para a campanha de sua esposa, a então candidata a prefeitura de Blumenau Ana Paula Lima. já os deputados estaduais Jean Kuhlmann e Ana Paula Lima, além do prefeito Napoleão Bernardes são acusados de receberem, juntos, R$ 1,5 milhão para suas respectivas campanhas. 

Ainda de acordo com o delator Paulo Roberto, após a vitória de Napoleão as negociações recomeçaram tendo um desfecho favorável para a empresa. Em seu depoimento, o ex-executivo da empreiteira detalha a conversa com o então prefeito eleito. Nela, Napoleão garantiu o apoio aos ajustes que a empresa pleiteava. Em 2013, pouco tempo após assumir a Prefeitura, Napoleão sacramentou o reajuste do esgoto em 17% e autorizou a prorrogação em 10 anos da concessão do esgoto em favor do Grupo Odebrecht. 

Políticos se defendem
Poucas horas após terem seus nomes ligados ao maior caso de corrupção do país, os políticos envolvidos usaram as redes sociais para divulgarem notas oficias dando suas versões para o caso. Todos alegaram inocência e afirmaram estarem surpresos com a citação. 
Os políticos do Vale também afirmaram confiar na justiça e esperam provar suas inocências. 

Jean Kuhlmann
“Jamais tratei de qualquer assunto relacionado a campanhas eleitorais, e sobretudo recursos para campanhas, com empregados e executivos e empresas citadas, tampouco conheço qualquer um deles. 
Minhas contas eleitorais sempre foram aprovadas e apresentadas dentro do rigor que exige a Justiça Eleitoral, e dentro da transparência pela qual sempre pautei minha trajetória”.

Ana Paula Lima 
“Afirmo que não sou ré e nem investigada em nenhum processo da Lava Jato. Afirmo que as doações à minha campanha eleitoral foram declaradas e aprovadas pelos órgãos competentes, e que minha conduta pública é regida pelos princípios da ética, moral e legalidade”.

Napoleão Bernardes 
“Estou tranquilo, com minha consciência limpa e em paz, porém indignado. A população de Blumenau sabe que tenho minha vida pública pautada pela ética, transparência e responsabilidade”

Temer grava vídeo para se defender das acusações

Da Agência Brasil

O presidente Michel Temer gravou um vídeo negando qualquer participação no acerto de pagamento de propina da Odebrecht ao PMDB. Temer disse que a mentira “causa repulsa” e que “jamais colocaria em risco” sua biografia. O vídeo foi divulgado pela assessoria do Palácio do Planalto na tarde de quinta-feira (13)e publicado na conta de Temer no Twitter.
A manifestação ocorre após a divulgação da delação premiada do ex-executivo da empreiteira Márcio Faria. Ele afirmou que em uma reunião com Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves e Michel Temer, no escritório particular do presidente, foi acertado o pagamento de R$ 40 milhões ao PMDB para garantir a vitória da Odebrecht em um processo licitatório da Petrobras.
“A mentira é que nessa reunião eu teria ouvido referência a valores financeiros ou a negócios escusos da empresa com políticos. Isso jamais aconteceu, nessa reunião, nem em qualquer outra que eu tenha feito ao longo de minha carreira pública, com qualquer pessoa física ou jurídica”, disse o presidente no vídeo.
Na noite de quarta-feira (12), o presidente já havia divulgado uma nota comentando as denúncias. “Jamais colocaria a minha biografia em risco. O verdadeiro homem público tem de estar à altura dos seus desafios que envolvem bons momentos e momentos de profundo desconforto. A minha maior aliada é a verdade, matéria prima do Judiciário, que revelará toda a verdade dos fatos”, defendeu-se.

Delação
A reunião citada por Faria na delação ocorreu em 2010. Na época, Temer era deputado federal e candidato a vice-presidente na chapa com Dilma Rousseff. Cunha e Alves tentavam a  reeleição para a Câmara dos Deputados. Márcio Faria disse que a Odebrecht negociou um valor de R$ 40 milhões para o “projeto voar”, ou seja, sacramentar a participação da empreiteira em empreendimentos da Petrobras.

Segundo Faria, a Odebrecht já oferecia o melhor preço no processo licitatório e os R$ 40 milhões eram para garantir a entrada da empresa no projeto da estatal. A participação do então executivo era para confirmar que a Odebrecht pagaria ao PMDB a quantia informada. “Eu fui lá para abençoar esse compromisso. Eu simplesmente confirmei que honraria os compromissos”.

Além de Temer, seis ministros, incluindo Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Moreira Franco, da Secretaria-Geral da Presidência da República, foram citados em delações da Odebrecht e serão investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Por ser presidente da República, Michel Temer não pode ser investigado por atos anteriores ao mandato em exercício.

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