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ALESC

Primeiros discursos revelam tendência a continuidade do impeachment

Deputados ainda não votaram os dois PDLs, mas dão sinais que os processos contra o governador e vice vai continuar

Alexandre Melo


Sessão ainda está na fase dos discursos das lidera/Bruno Colaço/Agência Alesc

As primeiras falas de parlamentares durante a sessão extraordinária da Assembleia Legislativa de SC (Alesc) que analisa o pedido de impeachment contra o governador Carlos Moisés da Silva e a vice Daniela Reinehr nesta quinta-feira (17) sinalizam para o seguimento da denúncia. Os três tempos iniciais, que seguem a ordem da maior para a menor bancada, são majoritariamente oposicionistas. A primeira votação será o Projeto de Decreto Legislativo nº 7/2020, que solicita a continuidade do processo de impeachmente contra vice-governadora, Daniela Reinehr. Na sequência será a vez da discussão e votação do PDL 08/2020, que trata do pedido de abertura do processo de impeachmente do governador Carlos Moisés

O primeiro deputado a falar foi Luiz Fernando Vampiro (MDB), que foi relator do processo na comissão especial que analisou o pedido. O líder emedebista afirmou que os membros do partido não são os denunciantes, e apenas vão julgar jurídica e politicamente o caso.

Vampiro citou uma passagem bíblica em que fala de um líder que teve sua derrocada após estar "cheio de orgulho". É uma alusão a Moisés e ilustra as reclamações constantes que acusam o governador de arrogante e de fechado ao diálogo. O MDB deve votar em bloco contra o Executivo.

Na sequência, foi a vez do PSL. Ana Caroline Campagnolo mostrou que a chamada "bancada bolsonarista" considera a vice Daniela pouco fiel à causa. "Nós fizemos alerta, mas ela sempre foi reticente, displicente, lenta e tímida demais no embate contra Moisés", disse.

O pronunciamento confirma a previsão de que o grupo de quatro pesselistas devem votar contra Moisés e Daniela. Ricardo Alba e Coronel Mocellin, os outros dois pesselistas, são mais próximos ao Executivo e são considerados como votos contrários ao processo.

Jessé Lopes também ocupou a fala. "Teve indício de crime de responsabilidade. Passou por cima da Assembleia Legislativa [...] Como eu vou dizer que ela [Daniela] não tem culpa? Ela assinou. Se ela não tem, ele também não ", disse.

Pelo PSD, Milton Hobus falou em "corrigir os rumos de Santa Catarina". Ismael dos Santos complementou falando que "só pode ser governo se estiver submisso à lei e à Constituição" e que "a vida não deve ser feita de aventuras, mas de responsabilidades". A bancada deve ir toda pelo impeachment.

O PL, por ordem do senador Jorginho Mello, fechou pelo impeachment. Os quatro deputados devem votar pela abertura do processo. O discurso mais contundente foi do líder do PL, deputado Ivan Naatz, que chamou o governador Moisés de traidor. Citou a falta de diálogo com a Assembleia Legislativo. "Quem não sabe o que é governabilidade, não pode governar", disparou Naatz, que ainda citou o caso da compra dos respiradores como uma das maiores vergonhas para o Estado de Santa Catarina. Bruno Souza (NOVO) deve ir na contramão, baseado na falta de gravidade nas denúncias "embora não compactue com o governo". O governo tem ainda outros quatro votos: Paulinha (PDT), Zé Milton (PP), Coronel Mocelin (PSL) e Altair Silva (PP).

Já a oposição, além dos votos do PL, tem confirmados os nove votos do MDB, seis do PSL e cinco do PSD indicando o seguimento da denúncia. Na sequência, será a vez de manifestação do PL (quatro), PT (quatro), PP (três), PSB (dois), PSDB (2), PSC (1), PDT (1), PCdoB (1)*, Republicanos (1), e Novo (1). Na manhã desta quinta-feira (17), oficializou-se o licenciamento de Rodrigo Minotto (PDT). Em seu lugar assumiu Cesar Valduga (PCdoB).


Presidente da Casa disse se tratar de um dia histórico para Santa Catarina / DANIEL CONZI/AGÊNCIA ALESC

Na abertura da sessão extraordinária que vota os pedidos de impeachment do governador Carlos Moisés (PSL) e da vice-governadora Daniela Reinehr (sem partido), na tarde desta quinta-feira (17), o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Julio Garcia (PSD), destacou a transparência, a seriedade e a competência de parlamentares e servidores da Casa ao longo do processo.

O presidente classificou este dia como "histórico", mas fez questão de afastar qualquer ar de celebração. "É bem verdade que hoje vivemos um dia histórico. Isto, porém, não significa dizer que temos o que comemorar, muito ao contrário", afirmou.


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