| ASSINE | ANUNCIE
| | | |
INTOLERÂNCIA

Primeira vereadora negra eleita em Joinville sofre ameaças pelas redes sociais

Um inquérito policial foi aberto para investigar os crimes de injúria racial e ameça de morte conta Ana Lúcia Martins, do PT

Alexandre Melo


Ana Lúcia foi vítima de ataques raciais e ameaça de morte / FOTO REPRODUÇÃO FACEBOOK


Assim como em Gaspar, que elegeu Mara da Saúde, Joinville, o maior colégio eleitoral de Santa Catarina, também elegeu, pela primeira vez, uma mulher negra para a Câmara dos Vereadores. Ana Lúcia Martins (PT), 54 anos, recebeu 3.126 votos. Porém, desde que a sua eleição foi confirmada, ela passou a receber ameaças e ataques em redes sociais. A Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (Dpcami) instaurou inquérito, na tarde de quarta-feira (18), para apurar o crime de injúria racial e ameaça, após denúncia lavrada em boletim de ocorrência.

A delegada Cláudia Cristiane Gonçalves de Lima disse que a investigação já está em andamento, mas que ainda não tem pistas do autor ou autores dos ataques e ameaças à vereadora eleita. Segundo Ana Lúcia, antes mesmo de sair os resultados das urnas, começaram os ataques, que, depois, foram agravados por duas ameaças.

"Por meio de um perfil fake, recebi, por duas vezes, ameaças de morte, evidenciando que o problema central era eu ser a primeira mulher negra eleita da cidade", escreveu Ana em uma rede social. Ana chegou a receber ameaça de morte.

OAB se manifesta

O Conselho Pleno da OAB/SC, se manifestou sobre os ataques e ameaças à vereadora eleita Ana Lúcia, repudiando tais investidas preconceituosas que afrontam as liberdades e a democracia. A OAB/SC informou que acompanhará as investigações acerca do crime com o auxílio da Subseção e das comissões estaduais de Igualdade Racial, de Direitos Humanos, da Mulher Advogada e de Direito Eleitoral, bem como cobrará agilidade e rigor na apuração. Nesta quinta-feira (19), a Seccional oficiou a Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina, requerendo prioridade na investigação dos fatos. As Comissões de Igualdade Racial e de Direitos Humanos de Joinville também acompanham o caso. A OAB/SC considera que ataques praticados contra uma representante eleita democraticamente em razão de sua raça ou de seu gênero devem ser repelidos e condenados, pois é um crime contra toda a sociedade e ofende diretamente os valores do Estado Democrático de Direito.

A professora de Educação Física e servidora pública aposentada Ana Lúcia Martins, 54 anos, dedicou boa parte da sua vida à educação. Antes de se tornar professora, ela trabalhou como empregada doméstica, diarista e balconista. Na década de 1980 iniciou a carreira na educação em centros de educação de adolescentes e pré adolescentes do Estado, ainda cursando o magistério, que concluiu em 1984. Na década de 1990, formou-se em Educação Física. Filiada ao Partido dos Trabalhadores desde 1994, ela participou, em 2013, da criação do Conselho de Promoção de Igualdade Racial de Joinville e do movimento feminista em Joinville, do qual faz parte até hoje. Em junho de 2014, atuei na criação do Coletivo Ashanti de Mulheres Negras de Joinville, inaugurando a primeira Organização de Mulheres Negras Feministas em Joinville.Em 2015 contribuí na organização da Primeira Marcha de Mulheres Negras em Joinville e na preparação para a Marcha Nacional das Mulheres Negras. Ela também participou do Comitê da Igualdade Racial, onde permaneceu até 2015, proporcionando a formação continuada de profissionais da educação para o ensino da história e cultura africana, agora obrigatório e regularizado pela Lei 10.639. Nesta época, teve seus primeiros contatos com os estudos sobre o feminismo negro e organizações de mulheres e feministas negras.

Nas redes sociais, Ana Lúcia agradeceu seus eleitores e eleitoras e destacou que sua eleição é a representação de um projeto coletivo, construído "pelo Movimento Negro de mulheres e homens, pela organização e coletivos de mulheres e feministas, por diferentes partidos de esquerda, de pessoas sem partido e de outros movimentos sociais". Também pelas redes sociais, a candidata eleita afirmou que seu mandato será pautado na "defesa das mulheres, por uma cidade antirracista, mais igualitária e plural, que inclua todas, todos e todes".

Curitiba

E não é apenas em Santa Catarina que as mulheres negras começaram a ganhar espaço na política. A nova bancada de Curtiba, capital do Paraná, terá como integrante Carol Dartora, professora de História da rede pública de ensino e a primeira vereadora negra da história da capital paranaense.


LEIA TAMBÉM



JORNAL METAS - Rua São José, 253, Sala 302, Centro Empresarial Atitude - (47) 3332 1620

| | | |

JORNAL METAS | GASPAR, BLUMENAU SC

(47) 3332 1620 |