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UMA VIDA DE EDIFICAÇÕES


Augusto Victório Deschamps

Há um século, Gaspar foi berço daquele que viria a fazer história na comunidade: no dia 25 de setembro de 1920, nascia Augusto Victório Deschamps, na localidade de Pocinho, interior do município.

Era o sexto de sete irmãos, filhos do casal Anna Maria Schmitt e Christiano Deschamps. Proprietários de grande extensão de terra, viviam do cultivo de gêneros alimentícios e criação de alguns animais. Infelizmente, Augusto ficou órfão de pai aos 17 anos, passando a ser responsável pela administração da propriedade e cuidados com a mãe e um irmão de apenas 12 anos. Os demais irmãos já eram casados e cuidavam de suas famílias. Casou aos 19 anos, com Olga Nogueira e aos 20 já era pai.

Eram tempos difíceis, época da II Guerra Mundial, e foi preciso dar um novo rumo ao provimento e para cuidados com a família. Num ato de bravura, decidiu mudar para uma área mais central do município, local onde hoje é o bairro Santa Terezinha. Com ele vieram morar a mãe, conhecida como Mota, e o irmão Aloísio. Jovem, forte, saudável, muito trabalhador e esperto, não foi difícil encontrar trabalho e assim deu início à profissão de pedreiro, construtor, com a qual logo se identificou e fez então uma carreira de muito sucesso. Honesto, caprichoso, curioso, tornou-se autodidata, pois estudara apenas até o 5º ano escolar no Colégio Cristo Rei.

Trabalho árduo que exigia empenho e grande esforço físico e planejamento adequado. Construiu inúmeras residências e edificações na cidade de Gaspar e, também, em outros municípios, como um Posto de Gasolina para dois irmãos Deschamps, seus primos, em Itajaí. Uma igreja no Município de Serril.

Era perito em construir altas chaminés industriais, como em olarias, descascador de arroz, e até em Florianópolis construiu uma alta chaminé para a empresa IMAN - Indústria Madeireira Nacional. Em tempos de pouca tecnologia as tarefas se tornavam bem mais complicadas. Em Floripa, ele dizia que até o meio dia era fácil trabalhar, mas se houvesse vento sul, ficava perigoso e até impossível trabalhar à tarde.

Construiu uma chaminé para o sr. Solano Schmitt, no bairro Poço Grande, com 25 metros de altura. Conta o sr Eliziário Spengler, seu empregado à época, que este conseguiu erguer até 18 m e foi preciso trocar o pedreiro, pois passava mal devido à altitude.

Edificou a olaria e respectiva chaminé para o sr. Silvio João Zimmermann e outra para o sr. Vitório Santos. Orgulhava-se de haver construído a sede do Clube Alvorada, na década de 50. Foram tantas as edificações nos 40 anos de profissão que seria difícil enumerá-las aqui.

No dia de seus funerais em 1987, lá no cemitério, o Frei que celebrou as exéquias, convidou o povo para orar pelo descanso eterno da alma do sr. Augusto, pessoa que "Construiu metade dessa Cidade", palavras do padre. No início da carreira, devido à escassez de técnicos de grau superior, Augusto se beneficiou da Resolução n. 51, de 25 de julho de 1946, que permitia aos técnicos de grau médio projetar e dirigir construções residenciais de até 2 pavimentos, entre outros. Com isso, conseguiu o seu registro no CREA com o número LP n. 18 - (Licença Precária). Inicialmente, ele era vinculado ao CREA-RS, de Porto Alegre, e foi preciso viajar, para lá se inscrever. Mais tarde, foi o criado o CREA-SC, através da Resolução n. 108, de 14 de novembro de 1955, desmembrando-se então do Conselho da 8ª Região, passando a se situar em Florianópolis. Sr. Augusto foi designado Perito para vistoriar secadores de arroz e atuava também em algumas localidades no Rio Grande do Sul.

Na qualidade de cidadão brasileiro, alfabetizado, e possuir idoneidade moral, profissão definida, condições adequadas para a natureza da função, não possuir antecedentes político-sociais e não ser filiado e nem prestar serviços a organizações político sociais, foi nomeado "Inspetor de Quarteirão", uma espécie de auxiliar do delegado, para atuar no seu bairro, cuja função era acolher os novos moradores e dirimir pequenas contendas entre vizinhos e familiares, além de informar à autoridade policial sobre contravenções e delitos ou permanência de criminosos na sua área de atuação.


Augusto ladeado pelos irmãos Paulo (esquerda) e Aloísio Deschamps

Sr. Augusto era homem de pouca conversa, sempre focado nas suas obrigações e deveres. Entretanto era festeiro, amava música e dançar. Ele e dona Olga eram considerados verdadeiros pés-de-valsa. Tocava acordeão e gaitinha de boca, sem nunca ter estudado música.

Foi excelente pai, tinha muito orgulho dos filhos, embora não costumasse elogiar, mas os amigos ou parentes falavam que ele gostava de comentar sobre os feitos e qualidades de seus filhos. Sonhava vê-los formados em curso superior, principalmente em engenharia, mas, infelizmente nenhum se interessou. Ele mesmo, certa vez confidenciou, aos 50 anos, que "se tivesse 10 anos menos eu ainda iria fazer engenharia"! Era apaixonado pela profissão com a qual tanto se identificara. Atencioso para sua família e até mesmo para vizinhos e com pessoas de seu relacionamento, ajudando os mais necessitados sempre que fosse possível. Foi assim que permitiu que a sra. Otília, prima de sua esposa Olga, construísse uma moradia sobre seu terreno, onde permaneceu até o fim da vida.

Antes de seu falecimento, ele chamou a filha e o filho mais velhos e pediu que jamais questionassem a apropriação indébita de terrenos de sua propriedade, por pessoas que construíram casebres em parte de seu terreno, situado num morro mais afastado da sede da propriedade. E assim foi feito, sempre respeitando a vontade do "de cujus". Vontade de falecido considera-se Lei...

Por longos anos, era o único que possuía carro nas imediações, era então o socorro dos vizinhos e parentes em caso de doença, acidente, internação, maternidade e ele os conduzia. Após o seu falecimento, foi nomeada uma rua na sua propriedade de "Avenida construtor Augusto Victório Deschamps".

Com grande mérito, pois, além de ser um cidadão idôneo, exemplar, competente profissional, prestou grande serviço à comunidade realizando o sonho dos clientes e empregando operários, contribuindo assim para o bem-estar de muitas famílias. Através de grandes esforços e dedicação conseguiu criar e educar a numerosa prole: 8 filhos! Um pai que ao partir deixou muita saudade e um profundo vazio, pois sempre fora o "porto seguro" para os filhos...


Foto da família nas Bodas de Prata, em 1965




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