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Longevidade

Seu Cobrinha chega aos 100 anos de vida

Mesmo com distanciamento, amigos e familiares prestaram muitas homenagens


Foto: Divulgação/

Completar 100 anos de vida é privilégio de poucos. Agora, imagina atingir essa idade e ainda estar se recuperando da COVID-19, esse vírus terrível que colocou o mundo todo em quarentena. Pois é isso que está acontecendo na vida de Pedro João de Souza, que quase ninguém assim o conhece em Gaspar. Agora, se o chamarem pelo apelido de Cobrinha não tem quem não o reconheça logo: o músico e sapateiro. Esse simpático senhor, ainda muito lúcido, completou 100 anos de vida no último domingo, dia 26. Mesmo mantendo o isolamento para se recuperar da COVID-19, os familiares e amigos não deixaram de homenageá-lo. Puxados pelo ex-vizinho e amigo Marco Jacobsen, um grupo de moradores foi para frente da casa do seu Cobrinha, na Rua Doralício Garcia, no Centro de Gaspar, cantar o "Parabéns a Você". Eles não esqueceram da bandeira do Botafogo, time do coração do aniversariante. Seu Cobrinha não demorou a aparecer na janela, de máscara ele acenou para as pessoas e, emocionado, agradeceu o carinho. Perguntado se havia enfrentado o novo coronavírus, Cobrinha fez o sinal positivo de "sim" e completou com um gesto indicando que, na verdade, havia "matado" o vírus, o que arrancou risos. Tudo foi registrado em vídeo e depois publicado nas redes sociais (confira o vídeo em nosso site www.jornalmetas.com.br), com centenas de acessos. Algumas horas antes, vizinhos como a Dona Ivone e o Seu Hélio, Tepe e Stela, Rosângela, Sílvio e o casal Paulo e Bete Wilbert já haviam o homenageado também de frente à janela e trazido alguns presentes. As surpresas no dia do centésimo aniversário do seu Cobrinha não pararam por aí. De Curitiba, a filha Lenir, que herdou do pai um dos muitos talentos, o de músico, e seu inseparável cavaquinho, e a amiga e pandeirista Letícia Spengler, promoveram uma live de mais de uma hora, onde cantaram diversos sambas de sucesso, gênero musical preferido do aniversariante. Seu Cobrinha acompanhou entusiasmado o show da dupla que é muito conhecida na capital parananense.

O show, na verdade, era para acontecer em Gaspar numa grande festa que a família estava preparando para comemorar os 100 anos do patriarca, mas aí veio a pandemia e os planos foram, por enquanto adiados, como diz o filho mais jovem Enio Souza, 57 anos, que também mora em Curitiba, mas está cuidando do pai desde que este foi diagnosticado com o novo coronavírus. O terceiro filho é Élcio, que é vizinho do pai. Assim, a família Souza se mantém sempre unida e muito próxima do pai. Ênio conta que o pai foi diagnosticado com a COVID-19 há cerca de duas semanas, porém, os sintomas foram leves. "Ele teve um pouco de febre e tosse", conta. Porém, Ênio admite que a família ficou preocupada quando veio o diagnóstico por causa da idade do seu Cobrinha. Além disso, Ênio conta que o pai já havia mudado a rotina desde que começou a pandemia. "Ele sempre gostou muito de caminhar, mas precisou parar por causa da quarentena e isso acabou prejudicando um pouco a sua mobilidade, mas ele reagiu bem ao tratamento e está melhorando a cada dia, embora ainda um pouco fraco". Na quarta-feira (29), ele vai ao médico para uma nova avaliação.

Natural de São Pedro de Alcântara, seu Cobrinha foi também um exímio tocador de cavaquinho, além de baterista. Isso lhe tornou conhecido em Gaspar, pois ele e seu conjunto musical Rouxinol eram sempre muito requisitados para apresentações em festas particulares e bailes da cidade, porém não foi a música que o trouxe para o Vale do Itajaí. Ele veio para trabalhar como sapateiro, ofício que aprendeu com um irmão quando ainda era criança. Cobrinha lembra que o irmão veio visitar um amigo em Gaspar e viu uma sapataria à venda. Quando retornou a São Pedro de Alcântara, chamou Cobrinha, que na época tinha 18 anos, para se mudar com ele para a cidade e trabalhar na sapataria. "Eu não queria ir, gostava da minha cidade e tinha conhecidos por lá, mas fui convencido", recorda. A família inteira acabou se fixando em Gaspar. Seu Cobrinha trabalhou por 40 anos como sapateiro, aliás a casa onde ele vive hoje era também o endereço da sapataria. Ele não apenas consertava sapatos, ele confeccionava. "De tão resistentes, alguns clientes diziam que os calçados chegavam a durar dez anos", conta o filho Ênio. Sobre o apelido, Seu Cobrinha não sabe muito quando começou. "Apelido é assim mesmo, uma pessoa te chama de um jeito e de repente isso se espalha. Quando fui ver, todos já me chamavam de Cobrinha", finaliza.

Seu Cobrinha casou aos 35 anos com Cidia Maria Becker de Souza. Eles tiveram três filhos, que lhe deram três netos: Daniel, Fernando e Heloisa. Ele ficou viúvo há dez anos.




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