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PERFIL

'Sem medo de ser feliz'

Um pouco do exemplo de vida de um dos comerciantes mais conhecidos do bairro Bateias


Zé Lino foi agricultor, dono de bar e de mercearia, servente de pedreiro e cortou pedra até se firmar no ramo da construção / Foto: Alexandre Melo - Jornal Metas/

José Lino Fantoni diz que é o homem mais feliz do mundo porque Deus lhe deu tudo o que queria. Aos 69 anos, o simpático empresário gasparense relembra um pouco da sua vida e como se tornou um próspero comerciante de materiais de construção e da construção civil. E não foi fácil chegar até aqui. Zé Lino, como é popularmente conhecido no bairro Bateias, teve que quebrar muita pedra, mas essa parte é um pouco mais adiante.

Antes dela, Zé Lino labutou durou na roça. Terceiro filho de 13 do casal Francisco e Maria Fantoni, aos oito anos ele já colhia fumo junto com os irmãos. O pai, conta ele, não era agricultor. "Ele apenas preparava a terra para a família plantar, a profissão do meu pai era a de abrir estradas". Zé Lino conta que começou tão cedo na agricultura que precisava subir no pé de fumo para retirar as folhas. Mas, não era exatamente essa a vida que ele pediu a Deus. Aos 17 anos, ele foi para Blumenau trabalhar na Cia Hering como servente de pedreiro. "Eu ajudava nas obras internas de reforma da empresa, depois fui cuidar do almoxarifado". Sem ajudante na época, Zé Lino passava o dia carregando caixas de até 60kg. "Era um serviço pesado, mas não me queixo, a Hering foi uma 'mãe' pra mim".

Aos 25 anos pediu demissão e foi trabalhar por conta própria na construção civil, mas acabou mesmo dono de bar em Blumenau. "Essa foi a pior escolha que fiz na minha vida", admite. Zé Lino diz que bar dá dinheiro, incomoda muito. "O cliente bebe e depois não quer pagar, faz fiado e não aparece mais". Do bar passou a dono de mercearia. "Essa fase foi boa, talvez uma das melhores da minha vida", observa.

Nessa época, Zé Lino adoeceu. O médico o aconselhou a morar em um lugar mais sossegado. Não deu outra, era o momento de retornar para o Bateias, no final dos anos 1980. Ele construiu uma boa casa num pedaço de terra herança de família. O sítio fica num terreno elevado. "Um dia olhando lá de cima eu vi muitas casas novas no Bateias e pensei: - vou abrir uma agropecuária". Zé Lino, que se diz uma pessoa decidida, não perdeu tempo. Alugou uma sala e abriu a Agropecuária Fantoni na entrada da Rua José Rangel, próximo à Rodovia Ivo Silveira. É aí que entra a história das pedras. Como o capital era pequeno, ele precisava de outra atividade para comprar os produtos que vendia na agropecuária. "Eu passei então a cortar pedra para fazer calçada. Eu ficava lá no fundo da agropecuária cortando as pedras, se aparecia um cliente eu parava para atender. Com o dinheiro das pedras cortadas eu comprava sacos de rações para vender na agropecuária", revela.

Algum tempo depois, os clientes da agropecuária passaram a pedir por materiais de construção, como canos, torneiras, cercas e etc. Zé Lino fechou uma parceria com um comerciante do ramo em Gaspar e passou a revender os produtos em sua loja. Nascia ali a Matérias de Construção Fantoni, que algum tempo depois se mudou para um espaço maior na rodovia Ivo Silveira onde permaneceu por dez anos. Em 2002 veio para o atual endereço, na Rua Silva, uma travessa da José Rangel em terreno próprio. O comércio de materiais de construção se expandiu e, aos poucos, a loja deixou de vender produtos agropecuários.

Casas e máquinas

Em 2014, Zé Lino e dois dos seus filhos, Daisy e Jaison, que o ajudam a administrar a loja, ampliaram o negócio passando a também vender casas pré-fabricadas em Gaspar e Ilhota. Em 2016, a Fantoni entrou para o ramo de terraplenagem, o que explica hoje o slogan que a Fantoni Materiais de Construção usa: "Sua obra do início ao fim".

Mesmo em meio à pandemia, a loja não parou de crescer. Em 30 dias, vai reinaugurar as suas instalações ampliadas com showroom e nova área de atendimento no balcão. Zé Lino já não trabalha tanto como no passado, está deixando os negócios mais para os filhos, mas na parte da manhã é possível encontrá-lo na empresa.

Fora do ambiente de trabalho, a pescaria é seu passatempo preferido. Junto com um grupo de amigos, ele se aventura mar adentro atrás dos peixes. No sítio, onde vive só acompanhado da natureza, ele mantém uma lagoa de peixes. "Não tenho do que me queixar, consegui tudo o que queria com a ajuda de Deus. Ele está no comando", resume. Porém Zé Lino admite que, por vezes se sente solitário e sem vontade de sair de casa. "A vida ficou muito corrida, sinto falta da família reunida e de mexer a polenta". Das muitas experiências que já viveu, Zé Lino guarda uma frase como lema de vida: "não faça para outro o que não queres para si".



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