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LUTO

Perde-se o músico, mas fica o legado

09 Abril 2018 14:36:00

O maestro-músico, João Batista Bohn, foi o responsável pela sensibilização de centenas de jovens para a música

Por Alexandre Melo/jornalismo3@jornalmetas.com.br
Foto: Reprodução livro Clube Musical São Pedro - 50 anos de História
Com a esposa Daisy, em 2009

Gaspar perdeu neste final de semana um grande músico, defensor e propagador da cultura gasparense. Sepultado na manhã de domingo (8), o maestro João Batista Bohn partiu, aos 74 anos, deixando saudades e um legado de amor e paixão à música inestimáveis. Foram muitos anos dedicados ao Clube Musical São Pedro, entidade cultural gasparense que ele integrou por mais de 60 anos. Primeiro como músico, levado pelas mãos do maestro e irmão mais velho, Egon Bohn (1929-1988), que lhe ensinou os primeiros acordes musicais. Por 20 anos (1986 a 2006), João Bohn foi regente, professor, coordenador, amigo e, muitas vezes, segundo pai dos integrantes da Banda São Pedro. Neste período, ensinou centenas de jovens a tocarem um instrumento ou a "se sensibilizarem com a música", como ele preferia definir o aprendizado inicial.

Foi fazendo o que mais gostava que o músico-maestro renascia a cada dia. Nos últimos anos, a música instrumental era uma espécie de anestésico para o corpo e a alma na luta contra o câncer. João Bohn participou da banda enquanto suas forças o permitiram. No último dia 18 de março, aniversário de Gaspar, lá estava ele, ao lado de outros músicos com a sua inseparável clarinete a cruzar a Rua Coronel Aristiliano Ramos no desfile comemorativo que tantas vezes prestigiou. Foi a sua última passagem, a despedida do povo e da cidade que tanto amou.

Em toda a sua vida, o maestro se afastou do Clube Musical São Pedro por apenas dois anos - 2009 e 2010. Uma espécie de parada estratégica para buscar fôlego e retornar em 2011 novamente no cargo de presidente. Entre as principais conquistas nestas duas décadas à frente do Clube Musical São Pedro destacam-se o aumento do número de componentes da banda - 13 para 40 e dois projetos, bancados pela iniciativa privada, que permitiram a compra de novos instrumentos musicais, uniformes e viagens da banda para exibições em outros estados. Em sua gestão, o Clube Musical gravou seu primeiro CD, com algumas músicas de sua autoria, entre elas aquela que homenageia o primeiro maestro da banda, Eurides Luis Polli.João Bohn ainda se aventurou no mundo das letras ao escrever um livro - "Clube Musical São Pedro - 50 anos de História", por ocasião do cinquentenário da entidade musical, em 2000. Outra iniciativa inesquecível foi ter levado a banda São Pedro para as suas duas primeiras apresentações no Teatro Carlos Gomes, em Blumenau. Além das fronteiras de Gaspar, João Bohn ainda foi regente da Banda Municipal Frei Lucinio Koorte, em Rodeio-SC; colaborador do Coral Camerata Vocale de Blumenau; criador da Banda Mirim de Gaspar, da Polifonia de Metais e do Coro de Palhetas "Suave Melodia", entre outras contribuições voltadas para a musicalidade. Em julho de 2016, por ocasião dos 70 anos do Clube Musical São Pedro, João Bohn recebeu uma homenagem. Fora da música, João Bohn foi securitário, bancário e industriário, tendo se aposentado em 1992.

O começo

O menino João Bohn já sabia que o seu destino seria a música antes mesmo de nascer. Grávida, sua mãe, Olga Demmer Bohn, participou das apresentações do Coral Misto Santa Cecília até poucos dias antes do parto. Aos 12 anos, seu irmão Egon o ensinou a tocar trompa, e foi só. "Ele me mandou pesquisar nos livros para aprender mais", contou João Bohn em entrevista ao Jornal Metas, em 2009. Ele atendeu à sugestão e aprendeu a tocar clarinete, saxofone e acordeon. Foi neste momento que decidiu um dia ser o regente da Banda São Pedro. Antes, porém, fez estágio de auxiliar de regente.

A música também colocou Daisy Souza, neta do ex-prefeito Leopoldo Schramm, na vida de João Bohn. O namoro começou durante uma apresentação da banda no bairro Gasparinho e terminou em casamento no dia 16 de outubro de 1965. Dasy cantava no Coro Misto Santa Cecília, onde o pretendente também participava. Depois desse encontro, foram mais 52 anos de união e quatro filhos: Ricardo, Cibele, Alexandre e André. Todos estudaram música com o pai, que era um professor exigente. Os filhos ainda deram ao casal oito netos e três bisnetos. Dona Daisy e Cibele, uma das filhas, cantam no Coro Misto Santa Cecília. Cibele foi também uma das três primeiras mulheres a integrar a Banda São Pedro. Outro filho, André, toca trompete nas missas da igreja São Pedro Apóstolo. Já o neto, Daniel, segue os passos dos Bohn: toca trompete desde os 12 anos e faz parte do Coro Misto. Como "a fruta não cai longe do pé", outros integrantes da família também tiveram a música como fonte inspiradora na formação do caráter. Em sua casa, na rua Olga Bohn, na divisa dos bairros Figueira e Coloninha, o maestro gostava de passar horas na sala de música, onde também lia, escrevia e compunha arranjos musicais de fácil aprendizado, sempre na companhia dos seus inseparáveis instrumentos. O menino simples que um dia sonhou ser regente da Banda São Pedro fez muito mais do que isso, despertou centenas de crianças, jovens e adultos para a musicalidade com o simples "tocar" na sensibilidade da alma por meio de suaves acordes musicais. O maestro silenciou, mas o que produziu para a história não cala, será ainda contado e tocado por muitas gerações de gasparenses.

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