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PERFIL

Luizão: motorista 'oficial' do Óleo Grande

Durante décadas, ele teve a responsabilidade de transportar os moradores da localidade


Luiz passou mais de 40 anos conduzindo os passageiros do Óleo Grande / Foto: Alexandre Melo - Jornal Metas/

Luiz Quintino já foi uma das pessoas mais importantes do Óleo Grande, e não é difícil descobrir o porquê. Quando se chega na sua residência, na Rua Amadio Beduschi, quase divisa com Itajaí, chama atenção três ônibus estacionados em frente. Seu Luiz, o popular Luizão, foi por muitos anos o motorista do ônibus que transportava os moradores do Óleo Grande e redondezas para o trabalho nas indústrias da região. Era o ano de 1976 e as grandes empresas do setor têxtil passaram a recrutar mão de obra nas propriedades rurais da região.

A agricultura já não era suficiente para o sustento das famílias. O próprio Luiz, até então agricultor, foi procurar trabalho, aos 22 anos, na indústria. Filho mais jovem de oito do casal Luiz Vicente Garibaldi Quintino e Ana Rampelotti Quintino, ele trabalhou por oito meses no setor de Fiação da Cia Hering, de Blumenau, na época a maior empregadora da região. O deslocamento até o trabalho era numa kombi, porém, isto durou pouco tempo porque a empresa que fazia a linha Brusque-Gaspar fez a denúncia. Luiz passou a se deslocar cerca de 7km até a rodovia Ivo Silveira, para pegar o ônibus. Meses depois. a Viação Verde Verde Vale, passou a fazer o transporte dos trabalhadores.

Já fora da Hering, Luiz arranjou serviço de cobrador no ônibus. Um ano depois já mostrava aptidão ao volante. Aprendeu sozinho. "De vez em quando, o motorista deixava eu dirigir, a empresa descobriu e me fez a proposta para eu ser motorista", relembra. Luiz não pensou duas vezes, tirou a CNH para motorista profissional e assumiu a função. Foram mais de quatro décadas ao volante, sendo 12 anos na Auto Viação Verde Vale e o restante na Viação do Vale. Seu Luiz se aposentou em 1996, mas continuou trabalhando até 2016, quando a Viação do Vale rompeu o contrato com a Prefeitura e ele decidiu que era o momento de parar.

O começo 

Na década de 1970, toda a viagem de ônibus era uma aventura porque as estradas eram ruins. "Em dias de chuva virava um atoleiro, nos de sol poeira e buracos", conta Luiz. Pneu furado não era raridade e o próprio motorista e cobrador é que faziam a troca. Se o ônibus atolava, era preciso recorrer a tratores, além dos passageiros que sempre davam uma "forcinha". O ex-motorista conta que a fiscalização não era igual a de hoje e os ônibus criculavam quase sempre com capacidade acima da lotação permitida. "Uma vez, eu contei 120 passageiros", revela. Mas ninguém reclamava do aperto. "Hoje, se você dá uma freada um pouco mais brusca, o passageiro já reclama; naquela época era diferente, as pessoas dependiam do transporte coletivo, e como eram sempre os mesmos passageiros a viagem virava uma festa até com cantoria", recorda. Luiz também recebia muitos presentes no final do ano dos passageiros. Acidentes em sua vida profissional foram apenas dois, sem que tivesse ele provocado. "No primeiro, uma motorista alcolizada perdeu o controle e atingiu o ônibus. no outro, o motorista dormiu ao volante", conta. Em ambos, nenhuma gravidade. 


Três gerações da família de motoristas: Luiz, Rosalina, Givanildo e o neto Lucas Vicente / Foto: Alexandre Melo - Jornal Metas/

Como havia horário para os trabalhadores nas empresas, Luiz precisava acordar muito cedo, por volta das 4 horas. Às 6 horas ele já estava na estrada e a última viagem terminava por volta das 22 horas. "Eu transportava o pessoal dos três turnosda Hering". E folga? Por 12 anos, Luiz trabalhou sete dias da semana. "Era pesado, mas eu nunca reclamei porque aceitei essa condição quando fui admitido". O ex-motorista quase não viu seus três filhos crescerem. A esposa, Rosalina Quintino é quem mais sentia a ausência do marido em casa. Aliás, para o nascimento do filho mais jovem, Giovani, ela foi de ônibus para a maternidade. "Comecei a sentir as dores do parto de madrugada, ele me colocou no ônibus e foi pegando passageiros no caminho, quando chegamos no hospital eu desembarquei e ele seguiu viagem, voltou mais tarde para saber se já tinha nascido", diverte-se Rosalina.

E como a fruta não cai longe do pé, um dos filhos do casal, Givanildo, acabou seguindo a profissão do pai. Ele começou aos 14 anos, como cobrador e no ônibus do pai. Outro filho, Giovani, também foi cobrador, porém, por pouco tempo. Givanildo trabalhou de motorista na empresa Glória, em Blumenau, e retornou para Gaspar para assumir na Auto Viação do Vale. Quando a Caturani assumiu o transporte coletivo urbano do município, ele passou a fiscal de linhas, tarefa que executou até este ano, quando a empresa não renovou o contrato emergecial com a prefeitura. Ah, e os três ônibus? Givanildo, que é vizinho do pai, conta que está na sua propriedade porque não tinha lugar na gararem da Caturani. A empresa está vendendo os veículos, mas enquanto isso não acontece quem se diverte nos ônibus são os netos de Luiz e Rosalina. Quem sabe não está surgindo aí uma terceira geração de motoristas.


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