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ANIVERSÁRIO

Ilhota se prepara para o futuro

Município vizinho completa 176 de colonização e 62 anos de emancipação neste domingo, dia 21


A cidade vem experimentando um crescimento por conta da produção têxtil e o comércio de modas íntima e praia / Foto: Divulgação/

Ilhota, Capital Catarinense das Modas Íntima e Praia, completa 62 anos de emancipação política e administrativa neste domingo (21). Seguramente essa não é a cidade planejada por Charles Maximiliano Van Lede, o colonizador e explorador belga que trouxe os primeiros colonos para ocupar a margem direita do Itajaí-Açu. Como a maioria das empresas colonizadores do século XIX, Lede queria apenas explorar os minerais que havia em abundância no subsolo do Vale do Itajaí. Para atrair os colonos, o belga ofereceu terras agricultáveis e a chance de uma vida bem melhor que na Europa.

Foi assim que em agosto de 1844, cerca de 100 imigrantes belgas - 16 desistiram na chegada ao Rio de Janeiro - vindos da região de Bugres, de origem Flamenga, desembarcaram na "nova e boa terra". Ilhota ganhou esse nome porque em frente ao acampamento havia uma pequena ilha, que submergiu depois da grande enchente de 1911. Os colonos enfrentaram as piores condições de vida e pensaram até em desistir. Van Lede também não ficou muito tempo por aqui, assim que os colonos estavam assentados ele tratou de retornar para a Europa deixando em seu lugar um representante, Philippe Fontaine, que sofreu "maus bocados" nas mãos dos colonos. Acabou tendo de fugir para salvar a própria pele, mas antes ateou fogo em toda a documentação da colônia.

O clima que já era ruim só piorou e as desavenças entre a chefia e os trabalhadores aumentaram. O cotidiano dos colonos belgas ficou marcado por uma série de conflitos, trabalho e dificuldades de adaptação. Aprenderam a pescar, caçar, derrubar árvores, construir casas, engenhos de fabricação de farinha, açúcar, e principalmente reivindicar seus direitos.

De acordo com as historiadores Ana Luiz Mette e Elaine Cristina de Souza, no livro "Ilhota - Encanto dos Belgas no Vale do Grande Rio" - as discórdias iam desde o descontentamento pelo pagamento maior pelos serviços de desmatamento a colonos brasileiros do que aos belgas até escassez de mantimentos. Eram frequentes as rebeliões na colônia, por isso os belgas foram taxados de arruaceiros, brigões e malandros.

A verdade é se naquela época tivesse internet, os colonos não seriam enganados tão facilmente, seguramente se abriria um grupo de whatsapp - Belgas no Brasil - onde se saberia de tudo sobre a ocupação da área de mais de 4 mil hectares adquirida por Van Lede. Mas, a verdade é que Van Lede não foi de todo um mau colonizador, tanto é verdade que a principal praça da cidade, onde está a prefeitura, leva o seu nome. Foi graças à visão de futuro - Novo Mundo - e principalmente ao trabalho das quase 100 famílias que o seu projeto completa 176 anos e a cidade chega aos 62 anos de emancipação.

Aliás, a cidade de Ilhota vem experimentando um crescimento significativo por conta do setor têxtil, que tem nas modas íntima e praia os seus principais produtos mercadológicos. A ponte Padre Cláudio Jeremias Cadorim, o simplesmente, a Ponte de Ilhota, uniu os dois lados da cidade e negócios estão se firmando. Isto sem falar no ramo imobiliário, que tem loteamentos como o do Seu Leopoldo, próximo à ponte, que vão garantir a oferta de moradia para a mão de obra que, num futuro não muito distante, Ilhota vai precisar para suprir a crescente demanda do setor têxtil. A cidade também se localiza próximo ao entroncamento das BR-470 e BR-101, que levam a dois importantes portos do Sul do País, Portonave e Porto de Itajaí.

Por isso, o momento é de planejar e investir no desenvolvimento sustentável do município. "Estamos passando por um momento sem precedentes, nos reinventando e nos adaptando a uma nova realidade", afirma o prefeito, Érico de Oliveira, o Dida. Ele admite que este é um aniversário diferente, onde as pessoas não vão poder confraternizar. "Desejo ainda mais força e perseverança e agradeço profundamente a união da nossa comunidade. Parabéns, Ilhota, vamos juntos superar esse desafio e, se Deus quiser, em breve comemoraremos juntos novamente", deixou mensagem o chefe do executivo ilhotense.

Se a cidade precisa se reinventar, então o momento exige investimentos. Entre os projetos de maior destaque na área do turismo, que vem ao encontro do comércio, é a construção de dois portais turísticos no valor de mais de R$ 280 mil. Os recursos virão de um convênio junto ao Governo Federal com contrapartida da prefeitura.

Neste último ano da atual administração, ainda existem obras por fazer, como a creche do bairro Ilhotinha, que ainda aguarda o processo licitatório, assim como as pavimentações das ruas Maria Cláudia Soares e Manoel Cláudio, além da segunda etapa da reurbanização da Avenida 21 de Junho (SC-412) cuja assinatura da ordem de serviço deve acontecer nas próximas semanas. Outras obras necessárias estão com projetos prontos, porém, dependem a disponibilidade de recursos financeiros, como a pavimentação, drenagem e sinalização viária do Loteamento Ilha Bela, na região central da cidade.

A prefeitura tem ainda no seu radar a reforma e ampliação do ginásio Clara Pasqualini, no Braço do Baú; reforma da unidade de saúde da Pedra de Amolar e dos CEIs Tia Flor, no Baú Baixo, Tia Loli, na Pedra de Amolar, e Vovô Juca, no Centro. Essas são obras importantes, porém, a que talvez a população de Ilhota mais pede neste momento é com relação ao sistema de abastecimento de água do município. De acordo com a prefeitura, já existe um convênio junto à Funasa da ordem de R$ 1,6 milhão para ampliação do sistema de abastecimento de água do município. "Em um primeiro momento, essa verba estava destinada para ampliação da ETA Central, mas devido à estiagem que afetou o abastecimento de água do município no primeiro semestre, estamos avaliando a elaboração de um novo projeto para a troca de manancial e melhor ponto de captação", explica o prefeito Dida. Se de fato a obra sair do papel, o município vai conseguir resolver um problema antigo


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