| ASSINE | ANUNCIE
| | | |
História.

Chiminelli e a arte de fazer tijolos no Barracão

Foram mais de 40 anos de atividades na olaria fundada por seu avô no século passado

Foto: Foto: Alexandre Melo/Jornal Metas
Da antiga olaria ficou apenas a foto na parede da área de festas da família Chiminelli


Foto: Alexandre Melo/Jornal Metas/Da antiga olaria ficou apenas a foto na parede da área de festas da família Chiminelli

Há quase um século, a região do Barracão, Bateias e Óleo Grande era conhecida pelo grande número de olarias. Com as mãos literalmente na argila, dezenas de famílias garantiam o sustento. O tempo passou e a atividade perdeu força, por queda na lucratividade, pelo crescimento da indústria do aço, pela rigidez das leis ambientais, ou ainda porque os filhos preferiram não continuar.

Luiz Chiminelli, de 60 anos, o Luizinho, é um oleiro que custou a admitir que a sua profissão estava em baixa. Foram mais de 40 anos na lida até que, há cerca de quatro anos, ele colocou um ponto final no negócio. Produziu seus últimos milheiros de tijolos e depois vendeu tudo: máquinas, equipamentos, retroescavadeira e até o caminhão-caçamba que usava para transportar a matéria-prima. Com o dinheiro indenizou os empregados, quitou as pendências financeiras e passou a tranca na porta. "De todo esse dinheiro, me sobraram R$ 15 mil", revela. E para não deixar dúvidas de que estava mesmo encerrando o negócio, Luiz colocou abaixo os galpões. "Derrubei para não ficar com vontade de voltar", diz o simpático morador da Estrada Geral Barracão-Óleo Grande. Da antiga olaria ficou apenas a recordação em uma foto que ele mantém na área de festa de casa. Poucos dias depois de encerrar as atividades, Luiz recebeu uma boa notícia: a aposentadoria do INSS. "Foi tudo no mesmo mês", recorda.

Se a profissão de oleiro ainda hoje é considerada insalubre, imagine na década de 1960 quando Luiz começou a trabalhar com o pai, Florindo Chimenelli, que já havia herdado o negócio do seu pai, Aleixo Chiminelli. Luiz praticamente nasceu dentro de uma olaria. "Eu fiz os anos iniciais da escola aqui no Barracão, com 12 anos eu falei para o meu pai que queria estudar fora, ele me respondeu: - vem cá que vou te dar então um presente. Ele me deu um carrinho de mão para carregar tijolos. Naquele dia comecei a minha vida de oleiro", diverte-se Luiz. Ele chegou a prosseguir nos estudos, mas acabou desistindo para trabalhar na Olaria Florindo Chiminelli, que mais tarde passou a se chamar Cerâmica Chiminelli. O nome mudou porque o pai se aposentou e, também, porque os mais jovens não sabiam que olaria é como se chama uma fábrica de tijolos e telhas de cerâmica. Outros dois irmãos mais velhos, José e Antônio, tentaram seguir pelo mesmo caminho, mas não por muito tempo. "Um foi trabalhar na indústria têxtil e outro virou freteiro", conta Luiz.

O ex-oleiro admite que é um trabalho difícil, cansativo e que tem hora apenas para começar, nunca para terminar. O barro, conta ele, era misturado numa barrica e puxado com a força de cavalos ou de bois. O tijolo era feito numa prensa, uma espécie de cambão. "Quando eu comecei era tudo manual, pois não havia energia elétrica, somente tempo depois compramos as máquinas, que eram movidas a óleo diesel, porque a energia elétrica só chegou por aqui no começo dos anos 1970. Com a tecnologia, a produção ficou mais prática. O tijolo e as telhas da Cerâmica Chiminelli eram queimados em três fornos, que funcionavam dois dias por semana ininterruptos a uma temperatura de 1.300 graus. Era preciso ficar de olho e sempre alimentar com mais lenha.

A matéria-prima, o barro, era comprada em áreas da região. Segundo ele, em Ilhota e no bairro Lagoa, em Gaspar, é onde se acha ainda hoje a melhor argila. Luiz e o pai tocaram juntos a cerâmica até 1997. A partir daí, ele comandou sozinho o negócio. O ex-oleiro diz que foram tempos muito bons. "Era um trabalho duro, mas ganhei muito dinheiro com olaria". A fase boa, a que Luiz refere-se, era de uma produção de 100 mil tijolos/mês. Já na fase das "vacas magras", a produção não passava de 20 mil tijolos/mês. Um fator que fez com que a demanda por tijolos na olaria diminuisse bastantes foi o surgimento das cerâmicas com produção contínua, o que praticamente inviabilizou os pequenos negócios. Se a cerâmica já não dava tanto dinheiro, Luiz ainda precisou enfrentar outro problema: a questão ambiental. "De 2000 para cá, passaram a exigir muita coisa. Quase todo o mês tinha fiscal na minha porta querendo um monte de documentos", conta. Só o investimento para colocação dos filtros nas chaminés dos fornos foi estimado em R$ 500 mil. "Eu teria que fazer um financiamento e trabalhar dez anos a mais só para pagar", calcula.

O processo

Com uma retroescavadeira, joga-se o barro para dentro de uma espécie de caixão alimentador. Dali, a terra passa por uma máquina que produz a massa, misturando com água. Em seguida, o barro vai por uma esteira até o peão, nome dado ao aparelho que esmaga o barro para que ele fique bem misturado e não forme bolas dentro do tijolo. Por fim, a massa passa pela maromba - prensa que dá a forma retangular ao tijolo. O processo termina no cortador, que divide a faixa de barro em retângulos. Feito o tijolo, ele é exposto para secar.

Dependendo das condições climáticas, esse processo pode durar de uma semana a um mês. Se chove, demora mais a secar. A diferença entre um tijolo úmido e um seco está na cor. Quanto mais branco, mais seco. Só depois de extinta toda a umidade é que o tijolo vai para o forno para queimar, caso contrário, ele se despedaça. Na Cerâmica Chiminelli, eram produzidos tijolos semirefratários maciços e de seis furos - vermelhos e brancos - que suportam a temperatura de até 1.800 graus. 


LEIA TAMBÉM



JORNAL METAS - Rua São José, 253, Sala 302, Centro Empresarial Atitude - (47) 3332 1620

| | | |

JORNAL METAS | GASPAR, BLUMENAU SC

(47) 3332 1620 |