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Perfil.

Bendini e o exemplo de empreendedorismo

Dono de muitas terras, o descendente de italianos se tornou uma das pessoas mais influentes do Barracão

Foto: Foto reprodução: Daiele tusi/jornal metas
Dona Margarida e Antônio Bendini


Foto reprodução: Daiele tusi/jornal metas/Dona Margarida e Antônio Bendini

Não é difícil entender porque a família de Antônio Alfredo Bendini (1918-2003) é, ainda, uma das mais prósperas do Barracão. Com um aguçado tino para os negócios, Antônio acumulou grandes extensões de terras e imóveis no Barracão, Óleo Grande e outros bairros de Gaspar e até na vizinha Itajaí. Ele também expandiu suas propriedades para o litoral do Estado, comprando terrenos em Balneário Camboriú. Era, portanto, um homem de visão aguçada.

Seu pai, João Bendini, nasceu em Bolonha, na Itália, mas com dois anos de idade veio para o Brasil. Aqui, ele conheceu Clara, de descendência polonesa, e se casaram. Eles tiveram oito filhos - seis homens e duas mulheres. Antônio Alfredo Bendini é o penúltimo

Já naquela época, começo do século XX, a família Bendini exercia forte influência na região. Embora tivessem alambique de cachaça e engenho de farinha, a principal atividade dos Bendini era a pecuária. Foi com a criação de gado de corte que João ampliou suas posses. Antônio e seus irmãos herdaram lotes destas terras e seguiram na atividade.

Portanto, ao contrário de dezenas de famílias de origem italiana, que povoaram as terras do Barracão, a partir da segunda metade do século XIX, a agricultura nunca foi o forte dos Bendini. "Eu sei que muitas famílias trabalharam duro na lavoura para ter posses, mas o nosso pai nunca foi agricultor. Ele era, de fato, um empreendedor", conta a filha mais velha, Solange Bendini Madalena. Aliás, na família é unanimidade que a primogênita foi quem herdou a visão de negócios do pai. Ela é também pecuarista.

Antônio Bendini casou em 1951, aos 33 anos, com Margarida que trazia o sobrenome Silva e morava no bairro Santa Terezinha. Eles tiveram cinco filhos - quatro mulheres e um homem (já falecido). Eles foram casados por mais de 50 anos. Antônio faleceu em 2003 e Margarida em 2012.

O morador do Barracão foi também dono de uma olaria. Novamente é a filha Solange quem conta como era a olaria. "Era a maior do bairro, fabricávamos tijolos e telhas". Rosangela, outra filha, recorda que dos fornos da Olaria Bendini saíram tijolos para importantes obras na região. "Meu pai vendeu tijolos para a construção das indústrias Artex e Juriti (ambas em Blumenau)".


Foto Daiele tusi/jornal metas/As quatro filhas: Josiane, Rosângela, Solange e Clarita

A vida da família Bendini nunca foi de dificuldades. Solange foi a primeira mulher a dirigir um carro no Barracão. "Com 13 anos, eu já dirigia uma tobata dentro da propriedade, com 15 ganhei meu primeiro automóvel, um Opala, pois o meu pai era fã dos veículos da Chevrolet. Naquela época não precisava ter 18 anos para dirigir".

Antônio foi também o primeiro a ter um caminhão no bairro, que comprou em São Paulo. Com este veículo, ele fazia a entrega dos tijolos para os clientes em toda a região, mas também gostava de dar carona para os moradores do bairro. "Ele passava na estrada e as pessoas iam subindo na carroceria", recorda Solange.

A família Bendini foi também a primeira a ter televisão no bairro. Um acontecimento pra lá de espetacular. "Os vizinhos vinham assistir à novela em nossa casa", revela a filha. Clarita Bendini Paes, que há mais de 30 anos mora em São Paulo. Na casa dos Bendini, os moradores do Barracão também viram, pela primeira vez, uma geladeira movida a querosene, lá pelos idos dos anos 1960. "Meu pai sempre se preocupou em dar muito conforto para a nossa família", observa a filha mais jovem, Josiane Bendini Schramm. De fato, embora fosse um homem sempre muito ocupado, Antônio não se descuidava da família. "Ele foi sempre um pai e esposo muito dedicado, muito presente na família", conta Rosângela, a filha que hoje mora com o marido, o veterinário Osnir Giovanella, no terreno que herdou do pai e onde ficava a casa da família. "Já estávamos com a intenção de morar aqui, viemos pra cá no ano passado, por causa da pandemia, e não pretendemos mais sair. Este lugar é muito agradável", diz Rosângela.

Ela é também a filha que mais se parece com a mãe. "Eu sempre fui a mais grudada com a nossa mãe, por isso aprendi a cozinhar", admite. Ao falar da mãe, Rosângela a define numa única palavra: simplicidade. "Ela sempre nos ensinou que por mais que se tenha bens é preciso manter a humildade". Sobre o pai, ela também tem muitos elogios. "Era uma pessoa extremamente honesta, respeitoso e religioso. Era muito dedicado a tudo que fazia".

Dona Margarida tinha uma função importante na família, que era controlar as finanças, já que Antônio não teve estudo, porém, sabia como ninguém fazer cálculos de cabeça. Margarida herdou essa qualidade do seu pai, que foi comerciante no bairro Santa Terezinha. Porém, dona Margarida tinha outras qualidades que faziam dela uma mulher especial. "Ela nos educou para que tivéssemos bons casamentos, pois ela sempre dizia que casamento era eterno, e nós seguimos este ensinamento, pois somos quatro mulheres muito bem casadas", finaliza Solange.


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