| ASSINE | ANUNCIE
| | | |
Memória

Barracão tem história e quem a preserva

Apaixonado pelo bairro onde nasceu, Moacyr Barbieri idealizou um projeto de resgate de fatos e pessoas

Alexandre Melo

jornalismo3@jornalmetas.com.br


Fotos: Alexandre Melo / Jornal Metas/Moacyr Barbieri já emoldurou mais de 70 reportagens...

Toda vez que pendura um quadro na parede do seu escritório, o empresário Moacyr Barbieri, de 89 anos, preserva mais um pedacinho da história dos bairros Barracão, Bateias e localidade do Óleo Grande, em Gaspar. E não são poucos os quadros. Já passam de 70 reportagens emolduradas. "Vamos chegar a cem, a parede tá ficando pequena", brinca o simpático morador do Barracão, conhecido também por Coca.

As reportagens semanais, produzidas pelo Jornal Metas, desde o ano passado, fazem parte de um projeto, idealizado por Moacyr, para resgatar e preservar a memória de fatos e pessoas que marcaram esses quase 150 anos de ocupação italiana naquela região de Gaspar.

Moacyr fala em satisfação e, ao mesmo tempo, realização pessoal recontar algumas das boas histórias de vida acontecidas há muitos anos. "É uma maneira que encontrei para não deixar a história morrer, porque muitas delas estão indo direto para o cemitério. Por mais simples que seja a história, ela foi uma passagem e merece registro", defende.

O empresário admite que, no início, pensou apenas em contar a sua história, que não é modesta, afinal ele viveu a infância e juventude no Barracão, mas depois foi morar no sul do Estado. Retornou 30 anos depois, para terminar aquilo que havia começado e chegou a ser vereador. "Depois, eu pensei: por que vou contar só a minha história? Vamos divulgar o Barracão. O objetivo foi "vender" o Barracão, Bateias e Óleo Grande", explica o empresário.

E foi aí que começaram a surgir as histórias das famílias que iniciaram o desenvolvimento da região e por aqui ainda estão ou ainda daquelas que vieram de outros lugares para constituir negócios. Seu Moacyr não tem dúvida que o Barracão, Bateias e Óleo Grande são hoje uma convergência de histórias de sucesso que ele quer divulgar por meio do projeto que chama de "No Barracão, Bateias e Óleo Grande Tem..". "Quero levar o Barracão para o restante de Gaspar, para o Brasil e para o mundo, mostrar que aqui se trabalha e muito", acrescenta Moacyr, com empolgação e uma ponta de emoção que fazem brilhar seus olhos.

O resultado deste trabalho jornalístico, em parceria com o Jornal Metas, alcançou uma amplitude que nem o próprio criador imaginava. O seu trabalho é descobrir boas pautas, já que é profundo conhecedor do Barracão, Bateias e Óleo Grande, e colocar as pessoas na frente do repórter. "Às vezes, elas ficam meio relutantes em enfrentar um jornalista, mas depois acabam aceitando e falam de uma maneira simples, sem rodeios. Depois de publicada a reportagem, eu ligo para os entrevistados dando os parabéns e eles sempre me questionam se saíram bem, se contaram a história certinho", revela Moacyr

O empresário conta que outras pessoas o procuram para comentar que não sabiam de determinado fato. "A reportagem dos tropeiros, por exemplo, repercutiu muito; imagina, há 70 anos atrás a pessoa saía daqui do Barracão para buscar boi em Lages, numa viagem de 30 dias. Outra reportagem muito comentada foi a do motorista de ônibus, Luiz Quintino, o Luizão, que levava os trabalhadores para as fábricas têxteis em Blumenau nos anos 1970 e 1980. "As estradas eram tão ruins, que o ônibus atolava e os passageiros tinham que descer para empurrar. Essas lembranças são de uma época difícil, mas também de muita união da comunidade", acentua Moacyr.

Ele cita ainda as belas histórias de sucesso de moradores que saíram da roça e hoje são grandes empresários no Barracão, outros se destacaram na área da Ciências Humanos, como os professores. "Houve uma época que só se fabricava tijolo e farinha no Barracão, hoje a nossa região é um polo industrial com fábricas de canos e tubos, de embarcações, de peças de automóveis, cervejaria artesanal, indústrias têxteis e muito mais. Nossa economia é diversificada, por isso não tem problema de desemprego, claro que as pessoas precisam se qualificar em alguma área", observa Moacyr

Exposição

O empresário diz que as pessoas que hoje contam as histórias são filhos, netos e bisnetos dos primeiros empreendedores. "Lamentavelmente, muitos empresários já partiram e perdemos suas bonitas histórias. Eu que estou perto dos 90 anos conheço muitas dessas histórias e provoco os descendentes a contarem."

Moacyr tem projetos ainda mais ousados. Ele quer reunir as reportagens em uma exposição e contar com o apoio da Prefeitura, por meio do Arquivo Histórico Documental Leopoldo Jorge Theodoro Schmalz. "Vou reunir todos os entrevistados, para que eles possam ver o resultado deste trabalho de resgate da nossa memória", finaliza o empresário.


... e quer reunir todo o acervo em uma exposição


LEIA TAMBÉM



JORNAL METAS - Rua São José, 253, Sala 302, Centro Empresarial Atitude - (47) 3332 1620

| | | |

JORNAL METAS | GASPAR, BLUMENAU SC

(47) 3332 1620 |