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MEMÓRIA

A infância vivida no bairro Barracão

Dona Anivete conta um pouco da sua relação com o bairro Barracão


As três irmãs: Margit, Anivete, Maria Norma e a mãe, dona Maria / Foto: Arquivo Pessoal/

Ela foi batizada Anivete dos Santos, mas deveria se chamar Ana Ivete. "O erro foi do escrivão, na hora do registro", conta essa simpática e falante senhora, de 84 anos, moradora da cidade de Brusque. Mas, dona Ivete, tem boas histórias do Barracão, bairro onde viveu os 12 primeiros anos da sua vida. Está tudo muito bem armazenado na memória, e nomes e datas são ditos com uma rapidez espantosa. O motivo pode estar no fato de Ivete, como é conhecida, se dedicar à leitura. E não são poucos os livros que ela já leu. "Já cheguei a ler 50 livros num ano", revela. Em 2020, com a pandemia ela se aproxima do seu recorde, pois já são 45 livros. "Os livros são meus amigos", afirma. Dona Ivete não sabe direito quando começou essa paixão pela leitura, mas o fato é que isso toma-lhe um bom tempo, além do neto que ela cuida por causa da pandemia e de uma cadela, que atende pelo nome de Amora, que ela chama de filha. Mas, filho mesmo ela teve dois, com Jamir Teixeira (falecido há cinco anos), com quem foi casada por 45 anos e cinco meses: Anderson e Marco Antônio. Ivete não teve pressa para casar, isto só aconteceu aos 33 anos. "O nosso destino está traçado, não muda a linha do tempo", acredita. Filhos não é forte da família. Seus pais tiveram apenas três, numa época em que sete, oito ou até dez era normal. Ivete é a caçula. A mais velha, Margit Catarina, já é falecida. A outra, Maria Norma tem 87 anos e mora em Florianópolis. A vida da família tem algumas curiosidades, entre elas o fato do seu seu avô, Willi Keller, ter lutado na Primeira Guerra Mundial. Em uma das licenças para visitar a família, ele disse à esposa que se não retornasse da guerra, ela deveria embarcar em um navio rumo ao Brasil com os filhos, entre eles Willi Keller, na época com 16 anos, que recebeu mesmo nome de batismo doo pai. Willi pai de fato morreu em combate. No Brasil, Willi filho conheceu Maria Toledo Keller e o sangue alemão se misturou ao espanhol. Deste casamento nasceram as três filhas.

Anivete conta que o pai nunca trabalhou na agricultura. Entre as muitas profissões, era vendedor de rádios em toda a região. Mas, Willi nunca esqueceu da Alemanha. E um dia decidiu retornar ao país natal, deixando a esposa e as três filhas no Brasil. A mãe, dona Maria, que era também chamada de Baia, assumiu o papel principal e manteve o sustento da família com o trabalho de costureira. "Lembro, ainda criança, de ver minha mãe reunindo outras mulheres na varanda da nossa casa, que ficava em frente à igreja do Barracão, para ensiná-las a costurar". A casa ainda existe, está lá.


Dona Maria, que também era conhecida como Baia / Foto: Arquivo Pessoal/

Desta época, Ivete também recorda de um casal de negros, ex-escravos, que eram moradores do bairro "Eles eram muito pobres e a minha mãe mandava a gente levar comida na casa deles". Ivete estudou na escola do Barracão e lembra o nome das professoras que a alfabetizaram: Hilda Albereci e Isolete Gonçalves. No Barracão, ela não estudou mais do que a quarta série, até porque não havia mais do que isso. Já morando em Brusque, complementou seus estudos com o curso de normalista na Escola Honório Miranda e Colégio Cônsul Carlos Renaux. "Só não fiz faculdade porque optei por criar os filhos, acho que a educação dos pais é importante quando eles são pequenos, depois não adianta, é aquela história:' ´é de pequeno que se torce o pepino", justifica Ivete. Mas, se tivesse que escolher uma faculdade certamente seria a de Psicologia. Ela recorda, com saudades, do Barracão, que ela não visita há muitos anos. "Era uma pequena comunidade, com poucas casas, lembro defamílias tradicionais, como as de João Barbieri e Lino Alberici. Aliás, dona Ivete é prima de um personagem muito conhecido no bairro: Moacyr Barbieri, o Coca. "Tive uma infância pobre, mas a gente era feliz", revela. Dona Ivete trabalhou por 56 anos no comércio de Brusque, e parou somente aos 72 anos de trabalhar. "Eu sempre gostei muito de trabalhar no comércio, acho que é por isso que sou assim muito tagarela", diverte-se.



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