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HISTÓRIA

A cancha de bocha do Zezinho marcou época

Depois do incêndio destruir o estabelecimento, seu José Sansão se afastou completamente do esporte


Zezinho ainda planta na pequena horta caseira, com a ajuda da neta Vitória que conheceu os bisavós apenas por fotografia/ Foto: Alexandre Melo - Jornal Metas/

José Salésio Sansão, de 69 anos, é o sétimo filho de uma família muito conhecida no bairro Bateias. Seus pais, Antônio e Luiza Sansão, eram agricultores. Plantavam milho, feijão, mandioca entre outros produtos. E foi com enxada na mão que os filhos - duas mulheres e seis homens - se criaram. Seu José, mais conhecido como Zezinho, conta que ele e seus irmãos tinham vontade de trabalhar na indústria, mas a distância dificultava. "Naquela época, o transporte daqui até o centro da cidade era muito difícil, levava-se muito tempo no deslocamento". O antigo morador recorda da tranquilidade do bairro, uma típica vida de interior. "Não havia mais do que dez casas no Bateias", relembra.

A família foi então ficando por ali mesmo em uma propriedade onde o solo era muito árido. Por isso, em meados dos anos 1970, eles adquiriram terras próximas da rodovia Ivo Silveira que, aliás, Zezinho revela, com orgulho, ter trabalhado na pavimentação.

A agricultura continuou sendo a atividade da família, que também morou em Camboriú, no litoral do estado, onde tiveram a única experiência com o cultivo do arroz. Dois anos depois, os Sansão estavam de volta ao Bateias. Os filhos foram casando, inclusive Zezinho, e os pais, já com idade avançada e saúde debilitada, acabaram se aposentando.

Quando não estava trabalhando na roça, Zezinho gostava de jogar bocha, um passatempo trazido pelos primeiros moradores italianos do Bateias. Zezinho foi ganhando fama de bom jogador de bocha. "Meu estilo de jogo era bolar (quando o jogador arremessa a bola por cima para tentar atingir outra bola ou o bolim)", explica. E foi a paixão pelo jogo que o levou a instalar uma cancha de bocha no pedaço de terra herdado dos pais. Foram 20 anos de atividades do Bar e Cancha de Bocha Gislaine, que ficou famosa pelos muitos torneios que ali aconteciam, além de ter se tornado um ponto de encontro no bairro. Tudo ia bem na vida de Zezinho e da esposa Rosa, que trabalhavam duro para atender a clientela, até que numa madrugada eles acordaram com o fogo consumindo o galpão de madeira. "Foi uma tristeza, não sobrou nada", recorda Zezinho. Os troféus e medalhas das muitas conquistas em torneios por cidades da região também se perderam no incêndio, transformando todo um passado de glórias em lembranças. Uma parte do galpão, usado para a facção da filha e do genro, também queimou. "Foi um baque grande, levamos um ano para nos recuperarmos", afirma Zezinho. Depois deste episódio, a bocha saiu de vez da vida do comerciante. "Fiquei desacorçoado", admite. O novo galpão, de alvenaria, foi todo ocupado pela facção e seu Zezinho e a esposa passaram a ajudar a filha no trabalho.

Zezinho conta que nunca mais botou os pés numa cancha de bocha, mesmo tendo recebido vários convites de amigos para participar de torneios. "Nem olhar mais eu vou", revela. Mas, ele admite que tem saudades daquela época, principalmente das amizades. Zezinho lembra de bons jogadores, como Chiquinho, Ivan e Canhoto. Hoje, segundo ele, o jogo de bocha está perdendo espaço, pois a juventude tem outros divertimentos. "Das cinco canchas de bocha que havia no Bateias, quatro já fecharam", observa. Ele até tentou incentivar o esporte entre os jovens, anunciando um torneio de bocha para a juventude, porém, não conseguiu a liberação do alvará porque envolvia menores de idade, e a ideia "morreu na casca".

Da agricultura também sobrou pouco na vida do seu Zezinho. Uma pequena horta nos fundos de casa, onde ele costuma plantar hortaliças para consumo próprio, mas a neta, Vitória, que seu Zezinho diz ser o "xodó" da família gosta muito de brincar no espaço.

O Bateias, para o morador, é um bom lugar para se viver. "Aqui tem muita gente bacana. É claro que já não conheço mais tantas pessoas porque muitas vieram de fora, mas esse é o lugar que ele escolheu para viver. "Eu nasci aqui, me criei aqui e aqui eu vou morrer", finaliza;



Foto: Alexandre Melo - Jornal Metas/

"Eu nasci aqui, me criei aqui e aqui vou morrer". 

José Salésio Sansão,  Zezinho


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