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Que soprem os ventos da mudança

11 Agosto 2017 19:49:21

O ano era 1990 e eu era estudante do colégio La Salle, em Xanxerê, onde todos os anos ocorria um evento cívico, organizado pelos irmãos lassalistas e demais professores, no qual os alunos faziam apresentações culturais das mais variadas. Naquela edição, fui o escolhido para fazer um discurso sobre as mudanças que aconteciam no mundo e peguei o embalo da queda do muro de Berlim ocorrida alguns meses antes, em novembro de 1989. Discursei amedrontado, mas convicto sobre a necessidade de se mudar o comportamento das pessoas, de se ultrapassar os conformismos, da preeminência em se cuidar do coletivo, do meio ambiente, de se derrubar os muros que segregavam irmãos. Eu era um jovem cheio de esperança num mundo diferente que poderia se descortinar a partir dos acontecimentos do mundo na época.
Foi nesse mesmo período que conheci uma das músicas que mais gosto: “Wind of change”, da banda alemã Scorpions. A letra foi escrita por Klaus Meine, vocalista da banda, que se inspirou nos “ventos de mudança” que atingiam a Europa com o término da Guerra Fria, o desmembramento da União Soviética, e a queda do Muro de Berlim. Parecia que o mundo enfim convergia para uma nova ordem, para uma quebra de paradigmas e uma transformação de valores.
Hoje, passados quase 30 anos daquele discurso no colégio, os ventos parecem ter virado brisa e os acontecimentos não parecem ter sido tão transformadores. Continuamos reencontrando as mesmas e velhas novidades. Países em guerras fratricidas, muros sendo erguidos, isolamentos, ameaças ambientais. Assistimos ao longo dos anos aos ataques terroristas, aos conflitos no Oriente Médio, à fuga em massa de refugiados que largam seus lares para sobreviver. Nas cidades, grandes e pequenas, a violência cresce exponencialmente. Na política, passam-se décadas e continuamos testemunhando a ascensão de “líderes” que recebem grandes oportunidades e pouco ou nada fazem para melhorar, embora tenham conseguido se eleger com a promessa de representarem a mudança. Ninguém aguenta mais esse discurso cansativo.
Mas não podemos nos dar ao luxo do comodismo e da desesperança. É preciso que os ventos da mudança voltem a soprar com força para mudar nossos rumos. E também é preciso enxergar no que evoluímos. Hoje, apesar dos muros, somos um mundo muito mais conectado. Derrubamos outros tipos de barreira. Como diz a letra da música, “O futuro está no ar; Eu posso senti-lo em todo lugar; Soprando com o vento da mudança”. Acredito que a chave para uma verdadeira mudança está nas tecnologias inclusivas que já estão transformando radicalmente o mundo da forma como conhecemos. As mesmas tecnologias que deram voz à menina Malala; que mostraram ao mundo que as minorias são quase a maioria; que permitiram descobrir novos tratamentos para várias doenças; que mantiveram famílias e amigos em contato permanente, independente de distâncias físicas.
Além de tudo que já nos proporcionam, as tecnologias permitirão cada vez mais melhorar nossa participação no controle do que é público e, consequentemente, resgatar o verdadeiro sentido da democracia. Nesses quase trinta anos desde a derrubada do muro de Berlim, talvez essa tenha sido a grande mudança, com resultados maiores ainda vindouros. A evolução é lenta, mas permanente.

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