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COLUNA
Por Antonio Gavazzoni | contatogavazzoni@gmail.com

Primeiro e último

09 Fevereiro 2018 16:39:00

Em artigo de minha autoria, intitulado "Exemplos de SC para o Brasil", publicado em maio de 2015, escrevi pela primeira vez que Santa Catarina seria o último estado a entrar em crise e o primeiro a sair dela. Naquela época, Joaquim Levy era o ministro da Fazenda e estava em Santa Catarina para conhecer melhor as particularidades de um Estado que despontava com o maior crescimento de arrecadação tributária e recordes de geração de empregos, enquanto muitos já amargavam a paralisia dos investimentos e os atrasos nas folhas de pagamento. No mesmo artigo, escrevi que não éramos uma ilha e que, cedo ou tarde, a crise também chegaria aqui. Na época, se falava em restabelecimento da confiança baseada em uma nova política fiscal nacional. Infelizmente, nem os técnicos mais tarimbados previram que a crise estava apenas começando: dali para frente, assistimos à derrocada de várias economias estaduais, que tiveram como principais atingidos os doze milhões de brasileiros que perderam seus empregos.

Quase três anos depois, aquela frase, que se tornou um "mantra" nos discursos da administração pública estadual, saiu do papel e se mostrou um fato. E o reconhecimento veio de fora. Em matéria publicada na última semana pela revista Exame, Santa Catarina é descrita da seguinte forma: "O estado ostenta indicadores invejáveis num país que, há apenas um ano, começou a sair de uma recessão de 11 trimestres. Estão lá a menor taxa de desemprego do Brasil, de 6,7%, o maior crescimento das vendas no varejo, de 12,4% em 12 meses, e o maior avanço da atividade econômica em 2017. O problema é que o Brasil não é Santa Catarina." A matéria, que tem o título "O fim da crise chegou. Mas não em todo o Brasil", atesta que a conjuntura nacional negativa ajudou a evidenciar novamente diferenças regionais que pareciam estar diminuindo nos tempos de bonança.

Ouvido pela reportagem, o presidente da Fiesc, amigo Glauco José Côrte, disse que "o segredo é o modelo econômico, diversificado e descentralizado". Glauco está certo. Mas ao que ele declarou, acrescento que o segredo também passou pela esfera pública. Se o modelo diversificado conseguiu se manter, foi também porque o Estado não atrapalhou. Santa Catarina foi um dos pouquíssimos estados a não aumentar impostos. Foi também o estado que "peitou" o Governo Federal quando se negou a pagar a dívida pública com condições indecentes de juros. Foi um dos primeiros estados a reformar sua previdência para frear um déficit bilionário. Decisões difíceis, mas agora provadas acertadas.

Essas medidas não minaram a confiança que já existia entre o poder público e o privado em Santa Catarina e preservaram a segurança jurídica, um dos mais valorizados diferenciais competitivos na tomada de decisão por um empreendimento. Foram decisões muito difíceis, das quais tive a oportunidade de participar diretamente e que têm a digital de uma equipe de excelentes servidores, em especial os da Fazenda, que construíram ao longo de mais de uma década uma cultura de disciplina fiscal que preparou o Estado para atravessar seus momentos mais difíceis.

A crise, embora tenha castigado também os catarinenses, evidenciou os diferenciais competitivos do nosso Estado. E agora que ela está passando, vamos colher o que plantamos.

 

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