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COLUNA
Por Antonio Gavazzoni | contatogavazzoni@gmail.com

'O céu não é mais o limite

08 Setembro 2018 11:05:00

Quem ainda sonha que o filho seja "doutor" corre sério risco de ficar frustrado se esse filho for da geração Z - a dos nascidos a partir de 1995. As profissões mais tradicionais estão se tornando menos atrativas para esses jovens cheios de pressa para entrar no mercado de trabalho. Até mesmo a antes tão sonhada faculdade já não é mais o objetivo de vida de muitos deles. Não se discute o valor de estudar numa universidade. É que para muitos trabalhos novos, esse não é o principal requisito.

Com criatividade à flor da pele, muitos começam a trabalhar antes disso e acabam se especializando em áreas como mídia online, e-commerce, desenvolvedor de gráficos, gerente de SEO, de SEM, desenvolvedor de app, analista de dados, especialista em cloud services, diplomata digital. Profissões que deixariam a maioria de nós, das gerações anteriores, "boiando".

Algumas universidades até tentam se adaptar a esses novos nichos, em especial as que oferecem ensino à distância - outra área em ascensão, diga-se de passagem. Mas quem realmente investe em capacitação são as empresas que depois absorverão essa mão de obra. Vale destacar que muitos dos profissionais que ocuparão essas funções ainda são adolescentes. E que outras especialidades surgirão rapidamente, demandando mais mão de obra especializada.

A dinâmica do mercado de trabalho é completamente diferente do que estávamos acostumados quando iniciamos nossa inserção na vida profissional. É muito provável que num futuro breve, em um almoço de família, tenhamos dificuldade de entender o que fazem nossos filhos, sobrinhos e netos. Por falar em netos, a terceira idade é também um nicho promissor para os futuros profissionais. Com os indicadores de longevidade cada vez mais altos, essa população começa a demandar novos serviços e tecnologias, muitas ainda não desenvolvidas e que terão esses jovens como pioneiros. O foco por uma vida sustentável é outro que se amplia pelas novas habilidades tecnológicas ligadas ao meio-ambiente. Energias renováveis, desenvolvimento de matérias-primas não poluentes, gestão de recursos hídricos e tecnologias para o agronegócio são só algumas das muitas novas possibilidades.

Essa transformação tão dinâmica está longe de ser um problema. Com tantas novas frentes de trabalho, abre-se um leque de possibilidades profissionais para essa parcela de jovens que não se identifica com as carreiras de médico e advogado, para citar duas das mais desejadas há poucas décadas - e que já dão a deixa para citar o direito digital e a telemedicina, versões adaptadas de profissões tradicionais.

Por outro lado, o desafio é que mais jovens tenham essas oportunidades, e isso passa por uma discussão bem maior, que é a forma como a educação formal acontece hoje, na maioria das vezes desconectada dessa realidade. Inglês e tecnologia em breve serão as novas tabuadas. O fato é que as amarras estão cada vez menores para que esses jovens sejam o que quiserem. Não deve demorar muito para termos nas nossas famílias um técnico em veículos espaciais. Literalmente, para quem quer aprender e empreender, o céu não é mais o limite.


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