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COLUNA
Por Antonio Gavazzoni | contatogavazzoni@gmail.com

O Brasil não é mais o país do futebol?

A última pesquisa de torcidas do Datafolha, divulgada em abril, mostra que o número de pessoas que não se interessam por futebol no país aumentou de 31% para 41% em comparação com 2010. A tímida movimentação nas ruas não deixa dúvidas de que o interesse realmente diminuiu. O que está por trás desses números, porém, vai muito além das quatro linhas e reflete um sentimento de descrédito e apatia que não é de hoje. Os brasileiros têm dado mostras públicas coletivas de sua insatisfação desde 2013 e, em 2014, tivemos o #NaoVaiTerCopa - que acabou não se confirmando, mas foi um sinal importante dessa mudança de comportamento em relação à paixão futebolística nacional.

Não é só pelo doloroso 7 a 1 contra a Alemanha que muitos de nós estamos, em geral, mais resistentes a essa paixão. São muitas as razões que têm nos desiludido. A mercantilização do futebol, com compras e vendas milionárias de jogadores, a corrupção entre os "cartolas" e indiciamento dos três últimos presidentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), os elefantes brancos que ficaram de herança da Copa realizada no Brasil podem ser elencados como os motivos mais diretamente relacionados ao esporte. Mas economia e política entram nesse campo. E aí o que parece antipatriotismo - como assim, torcer contra o Brasil? - acaba revelando justamente o contrário. O país do futebol está de olho em jogadas feitas com o dinheiro público, em má aplicação do que é arrecadado, em benefícios desproporcionais a quem já tem demais, na precariedade dos serviços devolvidos à sociedade.

Motivos não faltam para justificar essa "crise de identidade". Para deixar o quadro ainda mais complexo, Copa e eleições acontecem em datas muito próximas. Nesse contexto, torcer contra o Brasil na Copa pode ser lido como torcer a favor de um Brasil que se leve mais a sério e que deixe para trás a pecha de país do futebol, no seu sentido pejorativo. O Brasil precisa ser bem mais que isso. Torcer contra é uma forma de manifestação dos que não se sentem representados. E em diferentes medidas, esse ressentimento atinge cada um de nós.

Como em 2014, a mágoa começou a esmorecer ao primeiro balançar da rede de nosso adversário. E não há nada de mal em comemorar. Mas está claro que as coisas mudaram. O futebol não é mais o mesmo, o povo também não. O primeiro está mais elitizado, o segundo, mais maduro - a duras penas. Assim como os jogadores não são mais aqueles que se doavam de corpo e alma pelo futebol arte, a sociedade também não se deixa mais enganar tão facilmente.

Considerando o pouquíssimo investimento nas bases do esporte, o Brasil tem sido campeão por estar presente em todas as edições dessa disputa mundial. Mas o país precisa vencer muitas mazelas para poder comemorar sem ressalvas. E a solução dos problemas estruturais passa por esse senso crítico que vem ganhando força. A história nos mostra que o futebol já foi muito utilizado para manipular as massas - não à toa se cunhou a expressão "ópio do povo" para se referir ao esporte. Agora os tempos são outros. O Brasil pode mandar uma mensagem positiva de patriotismo muito mais importante se conseguir marcar gols nas urnas em outubro.



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