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COLUNA
Por Antonio Gavazzoni | contatogavazzoni@gmail.com

A responsabilidade da nossa decisão

19 Outubro 2018 18:30:00

Governar é tomar decisões difíceis. Já estive do lado de lá e sei o quanto. Vontade de fazer é importante, mas só ela não basta. É preciso preparo, experiência, equipe, entrosamento com os setores produtivos, traquejo com os Poderes, em especial o Legislativo.

O desejo de mudança é legítimo e justificável, mas passa pela responsabilidade da nossa escolha. Em quatro anos é possível fazer muito: dar um salto de qualidade ou destruir conquistas conseguidas a duras penas. Santa Catarina é um Estado fora da curva, diferenciado, acima da média. Nos últimos anos, com a crise econômica que assolou o país, o que se viu foi a derrocada de muitas economias estaduais. Passado o furacão, Santa Catarina apareceu em primeiro lugar nos principais rankings de indicadores econômicos e sociais. Isso não se deu por sorte. Foi um trabalho árduo de gestão, de articulação nacional, de decisões que demandaram muito esforço e que só foram tomadas porque, além de coragem, havia profundo conhecimento de causa envolvido, de um time coeso formado por gestores técnicos e articuladores políticos. Grandes brigas foram compradas em âmbito nacional e, apesar de terem gerado desgastes, se mostraram acertos quando o pior passou. 

O que estamos vendo agora é uma onda que tem muita força e que colocou no segundo turno um partido relativamente novo, mas capitaneado por um candidato experiente, com quase trinta anos de mandatos legislativos. Independente de opiniões ideológicas - e todas merecem ser respeitadas - o fato é que não se "cai" num governo sem antes experimentar a gestão pública em outras esferas. Entregar um estado economicamente diferenciado como Santa Catarina a um marinheiro de primeira viagem é um risco que atinge todos os cidadãos que conseguiram superar um período dificílimo mantendo a menor taxa de desempregos do país. É arriscar os salários de servidores que em nenhum momento deixaram de receber. É, principalmente, um risco para todos os setores econômicos que só sobreviveram à pior crise dos últimos tempos porque não amargaram o aumento de impostos vivido em outros 21 estados. 

As ondas, por maiores e mais esperadas que sejam, chegam, atingem seu ápice, e passam. O que precisamos olhar é o que ficará depois. Estamos a poucos dias da eleição do segundo turno, que aqui em Santa Catarina vai decidir quem governará o Estado. Não teremos nova chance de escolha pelos próximos quatro anos. Por isso é tão fundamental analisarmos conteúdos, posicionamentos, propostas, relacionamentos, planos de governo e história de vida dos candidatos. Meios não faltam para se informar. O que não se pode é se deixar levar por uma empolgação de momento, uma decisão de 45 minutos do primeiro tempo ou até de prorrogação - como admitiu um dos candidatos, que chegou a atribuir sua votação ao sobrenatural. Precisamos de muita calma nessa hora. 

Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia. Tudo pode melhorar. Mas também é possível piorar, e muito. Está em nossas mãos decidir nas mãos de quem entregaremos a gestão da nossa amada Santa Catarina.



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