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COLUNA
Pe. Fernando Steffens | fernando.ssteffens@gmail.com

Aprender a ouvir, a calar e a responder

Padre, o que o senhor acha de tudo isso? Será que tem vírus mesmo? Padre, tô rezando, tenho fé, vai dar tudo certo. Padre, obrigado pelas missas, pelas orações e mensagens, nos fazem muito bem. Padre, tá tudo bem com o senhor? Se cuida. Padre, ouvi que o papa pediu para rezarmos amanhã, ao meio dia, o Pai Nosso. Todo mundo rezando juntos pelo fim da pandemia, numa corrente forte de oração. É verdade? Padre, penso que o governo deveria pensar mais em quem não tem condições, eles demoram muito pra agir. Padre, o senhor acha certo como estão fazendo, esse isolamento? Padre, qual a posição da Igreja? 

Não é novidade que a palavra de um sacerdote tem certo peso. Ambientes mais hostis à religião talvez a coloquem de escanteio, ainda assim, não passamos despercebidos. O que teu filho é? Ele é padre. Nossa, teu filho é padre?! Onde?! É franciscano?! Não há de se negar, o papel sacerdotal - religioso, social, político, educacional - requerido de nós está para além do retângulo institucional católico. A palavra padre e a palavra dele tem outro tom, soa em outro timbre, se equaliza em outra frequência. Que tenhamos perdido um pouco a credibilidade devido às tagarelices que se ouve por aí, isso também é verdade. Ainda assim, em nossos ombros recai uma responsabilidade que não é pouca.

Confesso, sem falsa fé, que ainda não me acostumei a isso - são apenas três anos de ministério. Nem sei se isso acontecerá. O que se impõe, porém, e isso tenho ciência, é que querendo ou não, saem respostas de minha boca, eu falando ou calando. O mais difícil às pessoas é saberem separar o que é opinião pessoal do Fernando que é padre e o que é catequese, dever de ofício do padre que é o Fernando. Já para mim, é um exercício enorme saber quando, como e com quem usar uma ou outra. Quando me dou conta, às vezes já é tarde. Sobre as perguntas lá em cima, tenho minhas opiniões, mas quem saberá entender que são apenas opiniões, fundamentadas talvez, coerentes eu creio, partidárias é possível, sustentadas por ideais, convicções e utopias certamente. Mas opiniões, jamais verdades absolutas. E tem horas, querida leitora, que opinião é só opinião. É preciso entender isso. O que dizem de mim, não me diz respeito - desde que não sejam calúnia, difamações, mentiras, mas aqui são outros quinhentos.

Entre o amor radical que o evangelho propõe, com suas respostas comumente desconcertantes e os argumentos filosóficos que tenho no bolso ou nos poemas que carrego no coração, quanta sabedoria ainda me falta, de quanto discernimento careço e como preciso de humildade para pensar antes de dizer. Por isso leio bastante, para aprender com os outros. Por isso gosto de escutar, preciso encontrar a razão do outro. Por isso me faz bem ficar quieto, no silêncio escuto muita coisa, geralmente as mais profundas, as intuições que seriam impossíveis de outro modo. Até porque, eu também tenho as minhas perguntas. E quero as minhas respostas.

Pe. Fernando Steffens