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Tempos de intolerância II

O título repete o do editorial anterior porque o assunto merece novamente reflexão. Em tempos de redes sociais e aplicativos de conversa, tudo o que se diz pode "viralizar", pra ficarmos no termo empregado para classificar as notícias mais lidas e comentadas na rede mundial. Por isso, todo o cuidade é pouco, para que nenhuma polêmica se torne uma pandemia internética. Esse cuidado precisa ser ainda maior quando se trata de pessoas públicas, que tem uma certa influência sobre o meio. O deputado Jessé Lopes (PSL) não é nenhum ator global, mas tem se notabilizado pela polêmica, pois parece ser essa a tática empregada para aparecer na mídia. Em um ano, o deputado conseguiu irritar as mulheres, a comunidade acadêmica e seus próprios colegas de legislativo.

Nesta semana, ele usou a sua rede social para criticar uma iniciativa de um grupo que se intitula feminista que pretende distribuir tatuagens durante o carnaval de Florianópolis contra o assédio. O deputado foi infeliz em suas declarações, desconhece ou faz que desconhece a realidade das mulheres no Brasil, pois cada vez mais elas precisam se defender dos assediadores. O deputado não poderia tratar um assunto tão sério de forma irônica, pois somente no primeiro semestre de 2019, o Ligue 180 (Canal de Atendimento à Mulher) recebeu mais de 46 mil denúncias de violações contra as mulheres, sendo muitas destas denúncias de assédio e estupro. Só esse dado bastaria para que o deputado tivesse um pouco mais de polidez ao abordar o tema. 


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