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Moisés e as lições do impeachment

O governador Carlos Moisés da Silva passou por cima do primeiro impeachment, um processo sem embasamento político, mas com forte conotação política. Eleito em 2018, numa quebra de alternâncias oligárquicas de poder, Moisés sentou na cadeira para administrar o estado ignorando o fator político. Em menos de seis meses já se percebia o mal estar que essa postura provocava na sociedade catarinense. Sem base política consistente na Assembleia Legislativa e distante do diálogo com setores empresariais importantes, Moisés foi se isolando a ponto de governar, a maior parte do tempo, atrás de uma mesa e de ignorar os apelos de diálogo da oposição. Perdeu apoio até do seu partido, o PSL.

O parlamento decidiu então acertar as contas com o governador por meio de um processo de impeachment, trazendo Moisés para a realidade. E conseguiu. O primeiro discurso pós-absolvição já foi outro. O governador admitiu que o processo de impeachment o fez refletir sobre a importância do relacionamento com os poderes. Antes mesmo de reassumir, em seu exílio temporário, Moisés já dava sinais de que aprendera a lição, chamando lideranças para conversas. Enfim, Moisés está de volta em meio a uma pandemia cujos números voltaram a crescer de forma assutadora em todo o Estado. Vai precisar retomar rapidamente as rédeas da situação, contar com o apoio da sociedade e adotar medidas restritivas que vão soar como antipáticas à sociedade, mas que se fazem necessárias para reduzir o nível gravissímo de contágio das últimas semanas. Afinal, a Covid-19 é um mal muito maior aos catarinenses que os deslizes administrativos que porventura o Governo Moisés possa ter cometido.


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