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Os Brockveld

Vindos da Bélgica, os imigrantes se instalaram em Ilhota e cidades da região

Júlia Dourado - jornalismo4@jornalmetas.com.br
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Até as historiadoras iniciarem o resgate da história de Ilhota, a origem do povoado não era muito conhecida pelos moradores. O senhor Luiz Guilherme Brockveld, 75 anos, conta que sabia apenas que alguém da sua família havia vindo da Bélgica, mas não sabia mais detalhes sobre as raízes dos Brockveld. "Meu pai nunca se interessou em saber mais da origem da família e, antigamente, as pessoas não costumavam conversar muito sobre isso. A única coisa que sabia era que meu bisavô veio da Bélgica, mas não sabia se havia vindo solteiro, casado ou quando era criança", revela. A partir da pesquisa das historiadoras de Ilhota e um historiador de Itajaí, a família soube que Jean Pierre Brackveld (assim mesmo, com "a"), agricultor, fazia parte da primeira expedição de Charles Van Leede para a cidade de Ilhota.

Seu Luiz Guilherme lembra que antigamente as pessoas eram mais fechadas e, até por isso, pouco se falava sobre a família. Conforme os anos se passaram, a origem da família se perdeu. Ele chegou a conhecer o avô e apenas uma de suas irmãs, por isso sabe pouco da família, que se espalhou por diversas cidades da região. "Nada ficou dito ou escrito, por isso não temos como saber para que lugares exatamente foram os integrantes da família", destaca.

No entanto, em uma iniciativa que buscou reunir os descendentes de Pierre Brackveld, a família passou a fazer por muitos anos a festa dos Brockveld, mais conhecida na região do "Arraial do Peru". O nome estranho tem uma justificativa. Arraial, pois se tratava de uma festa junina e do Peru, pelo apelido herdado do avô. "Houve época em que moravam três João Pedro em Ilhota, então as pessoas precisavam diferenciar por apelidos. Meu avô tinha a cara vermelha, então o chamaram de Peru, outro, que era narigudo, era conhecido por Tucano, e ainda havia o Pirão, que era mais pobre e comia muito pirão", lembra seu Luiz Guilherme. A festa não acontece mais, porém, é possível dizer que ela serviu a seu propósito. A cada nova edição, os Brockveld que ainda moram em Ilhota tinham a oportunidade de conhecer pessoas novas, que nem sabiam que eram parentes. De acordo com Luiz Guilherme, vinha gente de São Paulo, Curitiba, Joinville e Blumenau. "Quando fizeram a ExpoBelga, nós fizemos uma camiseta com o sobrenome estampado. Veio tanta gente de fora que faltou camiseta", recorda.

O morador de Ilhota acredita que é importante resgatar ainda mais a história da família, para conhecer todos os seus integrantes e como a família se espalhou. "Quanto mais sabermos, melhor".

Origem

Jean Pierre Brackveld estava entre os 114 imigrantes belgas que vieram para o Brasil na primeira expedição da Compagne Belge-Brésiliese de Colonisation, a companhia belga de Charles Van Leede que buscava promover a colonização de Ilhota e exploração de seus recursos minerais. Ele estava a bordo do navio Jan Van Eyck, que partiu do porto de Ostende, na Bélgica, no dia 23 de agosto de 1844. Entre os imigrantes, estavam artesãos, agricultores, profissionais liberais e pessoas do lar (informações do livro Colonização Flamenga em Santa Catarina, de Paulo Rogério Maes). Na época, havia uma grande crise na Europa e os imigrantes vieram para o Brasil com a crença de que aqui conseguiriam construir um futuro melhor. A colônia não deu certo. Os imigrantes não encontraram aqui o que Van Leede havia prometido e muitos deles mudaram para as cidades mais próximas.

Raízes da família

Keila Brockveld nasceu em Blumenau, onde viveu até seus 25 anos. Hoje, moradora de Sydney, na Austrália, ela conta que sempre procurou informações sobre a família na internet, porém, sem sucesso. Até o dia em que sua irmã, Carla, contou que havia lido no jornal sobre os 50 anos de emancipação de Ilhota e sua colonização belga. A partir disso, ela saiu em busca de mais informações. No site da prefeitura de Ilhota, encontrou um histórico da família Brockveld, e em outras pesquisas encontrou estudos do professor universitário e escritor Paulo Rogério Maes sobre a colonização belga na cidade. "Todas a informacoes que achava vinham em pedacinhos muito pequenos para o tamanho da minha curiosidade, então resolvi fazer o blog para que outros Brockvelds curiosos se unissem em busca das origens. E, para minha felicidade e surpresa as respostas me encontraram". Keila criou o www.brockveld.com.br e por lá busca conhecer mais detalhes da história da família.

A iniciativa trouxe frutos em poucas semanas. Uma mulher chamada Vanessa enviou um e-mail com as informações que havia coletado sobre a família e ali incluiu a sua linhagem. "Fiquei intrigada pois o nome Pierre Brackeveld, nascido em Koekelare e morador de Sint Pieters Kapelle aparecia na listagem, o mesmo que aparecia nas informações da prefeitura de Ilhota. E havia mais, o ano de chegada ao Brasil, o nome da esposa e dos filhos que o acompanhavam. Ela me perguntou de quem sou filha, respondi e o e-mail seguinte veio recheado de novidades. Ela sabia quem eram meus pais, tios, avós, bisavós e tudo mais. Enviou-me a lista completa".

Antes de ter o blog, Keila sabia apenas que o avô tinha nascido em Ilhota e mais tarde se mudou para Blumenau.

 

 

 

 

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