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Edição Nº 513 - 08 a 12/08/2008


Metas nos Bairros
História quase acaba no lixo

 08/08/2008

 

Escritor e pesquisador Anísio Lana resgatou do lixo reciclável antigos livros-caixa da igreja Nossa Senhora do Rosário

Preservar o passado para compreender o futuro. Essa máxima nem sempre é levava em consideração e as memórias dos lugares e seus personagens ficam sujeitas ao esquecimento. No bairro Barracão são poucas as pessoas que conhecem a história da comunidade. Alguns moradores mais idosos ainda lembram o vai-e-vem das carroças e do ritmo da vida nos tempos antes da energia elétrica, asfalto, telefone, ônibus e outros confortos dos tempos atuais.

O jovem escritor Anísio Lana desde criança se interessou pela história do bairro e durante muito tempo procurou reunir informações e registros históricos da comunidade onde vive. Quis o acaso que fosse ele a encontrar os registros impressos mais antigos sobre o bairro.

Há sete anos Anísio estava em sua casa, no bairro Bateias, quando foi chamado por um tio que viu no lixo reciclável alguns livros antigos que lhe chamaram a atenção. O jovem constatou que se tratava de três livros-caixa da igreja Nossa Senhora do Rosário. O livro mais antigo datava de 1908, ano em que a construção da atual igreja foi concluída. "Os livros trazem todos os registros de caixa da igreja entre os anos de 1908 e 1964, e por pouco esses 56 anos de história não foram perdidos", conta Anísio.

Os livros trazem todos os movimentos financeiros da igreja do Barracão, apontando todas as entradas e saídas. O primeiro registro é do dia 18 de junho de 1908 e trás as despesas efetuadas para a manutenção dos trabalhos da igreja, como a compra de velas, óleo para o altar, pagamento do sacristão e a compra de 41 quilos de arroz pelo valor de 4 mil réis. Trás ainda o pagamento das despesas do padre e registra até mesmo o milho para o cavalo que o padre utilizava para se locomover na comunidade. A principal entrada do período foram 56 mil réis, arrecadados por meio da festa da igreja. Outra importante fonte de receita era a arrecadação feita na comunidade. Os registros atestam que já naqueles tempos os moradores eram bastante presentes na vida da igreja. Quem efetuava os registros nos livros era padre Inácio, que fez uma curiosa anotação em um dos volumes: "seria um grande favor conservar este livro para ter sempre a possibilidade de verificar o passado". O pedido está, finalmente, sendo atendido.

Pesquisando nos livros e reunindo outros documentos, Anísio montou um histórico da colonização da região do Barracão, iniciada em 1875 com a chegada dos italianos. O escritor encontrou também um cadastro de mais de 30 famílias, datado de 1933, onde a maioria dos nomes são de origem italiana.

O Barracão, Bateias e Óleo Grande já pertenceram a Itajaí, depois Brusque e por fim à Gaspar. "A história do nosso lugar está desaparecendo, hoje, este material é um dos mais antigos que ainda resta", observa Anísio. Ele diz que enquanto Gaspar não possuir um arquivo histórico, vai manter o livro em sua casa.


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