| ASSINE | ANUNCIE
| | | |
Setembro Amarelo

Um ato extremo contra a vida

No Brasil, 32 pessoas cometem suicídio por dia. A maoria dos casos poderiam ser evitados


Durante todo o mês, o tema suicídio vai estar sendo discutido em rodas de conversas / Foto: Kássia Dalmagro - Jornal Metas /

É difícil entender como uma pessoa pode ser capaz de tirar a própria vida, não é mesmo? Mas o suicídio é muito mais comum do que podemos imaginar: segundo dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), em 2018 mais de 800 mil pessoas tiraram a própria vida no mundo. No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, 32 pessoas cometem suicídio diariamente. Os dados são alarmantes e chamam ainda mais a atenção já que, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), nove em cada dez mortes por suicídio poderiam ter sido evitadas. Por isso a importância do "Setembro Amarelo" - campanha que tem como objetivo, além de prevenir o suicídio, desmistificar, sensibilizar e conscientizar a população sobre o tema. "O suicídio ainda é um tabu entre a sociedade. Há um desconforto muito grande em falar sobre o assunto, as pessoas não sabem como lidar com esta situação", afirma o psicólogo e coordenador do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Gaspar, Adão de Souza Moraes.

Ele explica que o suicídio classifica-se em três momentos: a ideação (quando a pessoa começa a falar frases como "estou cansada de viver"); a ideação com planejamento (quando as frases evoluem para "vou dar um fim a minha vida) e as tentativas. "Neste processo, a pessoa que conta com um amparo familiar e um amparo espiritual tem mais chances de parar na primeira etapa. Entretanto, o que acontece hoje é a falta de diálogo, a falta de sentirmos e escutarmos as outras pessoas", alerta. Por isso, o psicólogo ressalta que é importante estarmos disponíveis e escutarmos sem julgamentos. "Muitas vezes, as pessoas dão conselhos e usam palavras discriminatórias, inibindo a conversa e fazendo com que a pessoa se feche. Ela para de falar no assunto, mas não significa que tirou a ideia da cabeça", diz.

O psicólogo também lembra que há duas formas de suicídio: o direto (quando a pessoa tenta ou dá fim à vida) e o indireto (quando acontece a autodestruição, com, por exemplo, o excesso de drogas e álcool ou a automutilação). "Para tentar inibir situações como esta, procuramos sempre fortalecer a rede de serviços municipais. Mas o que realmente faz a diferença é manter a família fortalecida, com valores bem definidos", ensina. De acordo com o profissional, o suicídio não tem uma causa única, como por exemplo, a depressão. "O que leva uma pessoa a tirar a própria vida é uma soma de fatores. É a depressão, a bipolaridade, os problemas sociais e efetivos pelos quais a pessoa está passando", ressalta. Moraes afirma que o possível suicída sempre dá pistas que está com problemas. "Porém, elas passam despercebidas, pois hoje estamos muito ausentes, precisamos estar juntos e fazer com que esta pessoa recupere sua qualidade de vida. A prevenção ao suicídio não requer recursos tecnológicos caros, ela requer carinho, cuidado".

Para esclarecer um pouco mais o assunto entre a comunidade gasparense, o Caps preparou uma série de atividades. As ações tiveram início na terça-feira (10), Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, quando uma roda de conversa foi realizada no Estratégia de Saúde da Família (ESF) do bairro Figueira. Nesta quarta-feira (11), coordenadores pedagógicos das escolas municipais estarão reunidos para uma roda de conversa, com o tema "Saúde Mental e Educação". No dia 17 de setembro, às 14h, serão promovidas atividades na Praça Getúlio Vargas, abertas à comunidade em geral. Para encerrar a campanha no município, no dia 24 de setembro será realizada a elaboração de Protocolo de Prevenção Municipal de Suicídio, com o apoio de Jorge Fernando Borges de Moraes, coordenador de saúde mental em Blumenau e que ajudou a cidade na implantação do protocolo que está em vigor desde março do último ano. O encontro acontece no auditório da Prefeitura, às 9h.

Dados em SC  

Em 2018, o maior número de suicídios em Santa Catarina aconteceu entre o sexo masculino: das 733 mortes registradas, 561 foram de homens e 172 de mulheres. Já neste ano, até o dia 24 de agosto, foram registrados a 478 óbitos por suicídio, sendo 104 para o sexo feminino e 374 para o sexo masculino.

Apoio

Um importante aliado na prevenção do suicídio tem sido o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional gratuitamente, de forma voluntária, 24 horas por dia, por telefone 188, e-mail ou chat pelo site da instituição (www.cvv.org.br). O CVV conta com uma equipe preparada e disposta a ouvir todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo.



LEIA TAMBÉM

JORNAL METAS | GASPAR, BLUMENAU SC

(47) 3332 1620 |




JORNAL METAS - Rua São José, 253, Sala 302, Centro Empresarial Atitude - (47) 3332 1620

| | | |