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Rodovia de morte e progresso

A "rodovia da morte" é também é o meio de vida de milhares de pessoas

Giovanni Ramos - jornalismo1@jornalmetas.com.br
A ?rodovia da morte?, também é o meio de vida de milhares de pessoas
Foto: fotos jornal metas

São 472,3 quilômetros entre Navegantes e Camaquã, no Rio Grande do Sul, cortando todo o Vale do Itajaí e parte do Meio Oeste Catarinense. A BR-470 é uma das principais artérias rodoviárias do Estado e uma das mais importantes estradas de escoamento da produção agrícola e industrial catarinense. Em contrapartida, a BR-470 é a mais perigosa do Vale do Itajaí, por isso é popularmente conhecida por “rodovia da morte”. 

Em alguns trechos, o fluxo diário de veículos chega a ser quatro vezes maior que a capacidade planejada da rodovia. Somado à imprudência dos motoristas, o resultado é o elevado número de acidentes e de vítimas fatais. Por trás dessa verdadeira carnificina que se tornou o trânsito da BR-470, escondem-se histórias de sucesso graças justamente ao surgimento da rodovia há mais de 40 anos. Determinados bairros de Gaspar e Blumenau, só para ficarmos nestes dois municípios, cresceram e desenvolveram-se nas margens da BR-470. A estrada é o ganha-pão de milhares de profissionais: caminhoneiros, frentistas, chapas, donos de postos de combustíveis, mecânicos, borracheiros e prostitutas que transitam durante o dia com desenvoltura pelo acostamento.

Na profissão há 20 anos, o caminhoneiro Jorge Alves de Andrade, 52 anos, conseguiu, há seis anos, um emprego em que precisa percorrer a rodovia de Rodeio a Navegantes. A mudança foi boa, diz Andrade, que às 6 horas da manhã já está na rodovia, retornando no final do dia.

A BR-470 registrou de janeiro a início de dezembro, só no trecho do Vale do Itajaí, 137 mortes. Enquanto o processo de duplicação esbarra na burocracia, os motoristas precisam trafegar pela rodovia com atenção redobrada, principalmente por causa da imprudência, a causa mais comum dos acidentes.
“Os mais irresponsáveis são os caminhoneiros. Temos que admitir isso. Muitos trabalham sobre uma pressão absurda, precisam cumprir horários e enfrentam congestionamentos e outros problemas. Acabam cometendo imprudências para chegar no horário”, afirma Andrade.

Morador do bairro Lagoa, cujo um dos acessos é justamente pela BR-470, o caminhoneiro conta que já se envolveu em um acidente na rodovia, mas jura que a culpa foi do outro motorista. “Foi no Viaduto da Mafisa, em Blumenau, um carro cortou a minha frente. Por sorte, os danos foram apenas materiais. A motorista estava com o cinto e a criança na cadeirinha do banco de trás. Mas foi um susto, fiquei branco e bateu um desespero na hora”, relembra Andrade.

A mesma sorte não teve o seu sobrinho, Juliano Sabel. Também caminhoneiro, o jovem morreu em 2005, em um acidente no quilômetro 35, próximo ao Auto Posto Gaspar. “Ele tinha uma carreta, mas morreu dirigindo um carro da família. Ele saiu do posto e tentou cruzar a pista, mas bateu de frente com outro carro”, conta o tio.

A morte do sobrinho foi na mesma época em que Andrade se preparava para assumir no atual emprego. A tragédia o fez repensar se valia à pena seguir na profissão, porém a decisão foi por permanecer na boleia da carreta. “Eu gosto de dirigir, gosto de estar na estrada, viajando e conhecendo pessoas. Trabalhei seis meses em malharia e não gostei. Num emprego normal a gente fica preso. Aqui é livre. Paro todos os dias nos postos e nas empresas, converso com gente diferente e faço amizades, é disso que eu gosto. Quando aposentar, aí sim vou parar. Hoje, não”.

Para Andrade, a imprudência na BR-470 não é apenas dos caminhoneiros. Ele faz uma alerta para quem vai trafegar neste final de ano pela rodovia: “Eu gostaria de ter uma câmera fotográfica para registrar as coisas absurdas que vejo. Tem motorista que ultrapassa pelo acostamento”.
 

Ganha-pão à beira da BR-470

Um pequeno barraco erguido com pedaços de madeira, montado as margens da rodovia, com a placa “Chapa a 100 metros”, revela que ali existe mais um profissional que vive do tráfego na BR-470. Os chapas são trabalhadores autônomos, que ajudam os caminhoneiros a descarregar a mercadoria. Eles também são bastante úteis na orientação do local de entrega nas áreas urbanas das cidades. Ao longo da BR-470 existem vários “pontos” de chapas. Um deles fica próximo à entrada do Belchior Central, ao lado de um ferro velho. A pequena barraca é a instalação de Paulo Campos, 25 anos.

Ele trocou um emprego na fábrica pelo trabalho de chapa na rodovia há um ano e não se arrepende. “Eu ganho bem mais”, revela. Para o chapa, quem trabalha honesto, com dedicação, consegue o que quer. “Eu tenho uma filha de dois meses para sustentar, mas está dando tudo certo em casa, eu e a esposa”, confirma.
Campos divide o ponto com outro chapa. Eles chegam às 6h da manhã na rodovia e ficam até o fim do dia. O chapa aguarda o serviço sentado em um banco de carro colocado na barraca, ouvindo música no celular e acompanhando o movimento na estrada. A televisão, colocada no espaço, não funciona. “Não tem energia aqui, a televisão estragou. Colocamos ali para dar uma moral”, brinca Campos.

Na maioria dos casos, o caminhoneiro para o veículo e o chapa entra na carona, guiando-o até a empresa aonde será entregue a carga. Campos decidiu aprimorar o serviço: colocou sua moto à disposição. “Para o caminhoneiro que quer ajuda só na hora de descarregar, a gente tem a moto. Vai rápido e dá mais segurança para eles, que não precisam colocar um estranho na boleia”, comenta.

A concorrência entre os chapas é grande, mas Campos garante que há serviço para todos. A briga entre eles é para manter os melhores clientes, ou seja, os caminhoneiros que pagam mais pelos serviços. E para isto, ele faz o seu marketing: “A moto é uma das apostas. Quero sempre, agilizar o serviço. E quando tu fazes algo bem feito, és reconhecido. Fazemos amizades com os caminhoneiros, um conta para o outro que tal chapa em tal rodovia trabalha bem e assim fazemos os nossos contatos. Tem uma transportadora de São Paulo que sempre me aciona quando vem para cá”. Trabalhar em uma rodovia perigosa não assusta Campos. Para ele, os acidentes têm origem na imprudência e na falta de atenção dos motoristas. “Muitas vezes, são pequenos detalhes. Uma distraída, a pessoa está meio sonolenta de manhã. Isso acaba gerando tragédias maiores”, comenta.
 

Vidas interrompidas

Em abril deste ano, um jovem casal planejava o dia do casamento em Gaspar. Tiago Rubens Hostin, 19 anos, e Cintia Regina de Souza, também 19, já estavam nos preparativos para a festa. Os sonhos do casal foram interrompidos no feriado da páscoa na BR-470, próximo da casa de Hostin. Um acidente envolvendo dois carros atingiu a moto Honda onde eles estavam.

Tiago foi levado ao hospital e se recuperou. Cintia morreu no local. Sete meses se passaram e a tragédia não sai da cabeça da família Hostin. Ele teve ferimentos na perna e após tratamento, já consegue andar normalmente. Mas o trauma psicológico permanece. Solange, mãe de Tiago, ainda está bastante abalada com a tragédia. Ela chora toda vez que se lembra do acidente, enquanto busca forças para motivar o filho a continuar a vida. “É horrível. Lembramos disso quase todos os dias. A mãe da Cintia está em uma situação pior. Ela perdeu uma filha de 19 anos que ia casar. Ela não consegue falar no assunto, não tem como”, comenta. Tiago, que permaneceu calado durante toda a entrevista, está na fase final do tratamento, aos poucos começa a praticar atividades físicas. Perguntado sobre a tragédia de abril, apenas acenou com a cabeça que não queria falar.

Sonho

No começo deste ano, os irmãos Jonas e Nilson Bento cumpriam uma rotina diária do bairro Lagoa, onde moravam até o Gasparinho, local trabalho. Nilson, 31 anos, já era experiente na função e levou o irmão de 19 para trabalhar na estamparia. O caminho de casa até a empresa era feito de moto.  Jonas redobrava os esforços no trabalho para juntar dinheiro e comprar um carro, que lhe daria mais segurança. Para fugir dos riscos na BR-470, os dois normalmente usavam outro trajeto, pela Rua Pedro Simon, paralela à BR-470.

No dia 9 de maio, eles decidiram passar pelo trecho da BR-470 que tanto evitavam. Acabaram atingidos por um veículo que fazia uma ultrapassagem forçada em frente à Sociedade Ferroviário, no quilômetro 35. Nilson morreu no local. Jonas chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.
Um dos irmãos, Elton Bento, popularmente conhecido como Juquinha, foi avisado por telefone do acidente. Morador do Gaspar Grande, ele foi na hora saber o que havia acontecido, mas nada pode fazer. “Eu estava organizando a festa de aniversário do Jonas. Ele tinha pedido para usar um rancho que eu tenho. Já estávamos vendo quem seriam os convidados, ia até conseguir uma banda. A festa seria no dia 20”, recorda Juquinha.

Jonas e Nilson tinham mais nove irmãos. Eles moravam com os pais e outros dois irmãos mais novos. Os mais velhos tiveram a missão de ajudar os pais, que até hoje não superaram a dor da perda. O pai, Jadir, participou do protesto por mais segurança na BR-470 realizado em setembro, levando uma faixa com a foto dos filhos e uma frase de protesto.

“É revoltante saber que algumas pendências ainda não conseguimos resolver. Queríamos que as economias do Jonas para comprar o carro fossem passadas para o meu pai. Até agora não deu. Pediram até um exame de sangue, para comprovar se eles não tinham bebido. Pô, sete meses depois?”, desabafa Juquinha. A revolta do irmão está relacionada também ao que aconteceu com o motorista causador do acidente. “Ele foi flagrado alcoolizado. Havido bebido duas latas de cerveja, andou na contramão. Pagou R$ 950,00 de fiança e foi liberado uma hora e meia depois. Isso é justo?”, desabafa. Sete meses após a morte dos irmãos, a vida de Juquinha mudou e será assim para sempre. “A gente começa a repensar a vida e com certeza, a valorizar mais ela. Também damos mais valor à família, aos amigos. Isso conta muito. Do que adianta o dinheiro, do que adianta trabalhar como um louco se não for para estar do lado das pessoas que a gente gosta?”, conclui Juquinha,
 

Prostesto exige mais segurança

Foram 20 anos como proprietário de um ferro velho a 100 metros da BR-470 e do trevo de acesso a Gaspar. Romildo Marafon foi o organizador do protesto que fechou a rodovia em setembro, pedindo por mais segurança.

“Demorei demais para tomar essa atitude. Eu sempre falava que ia fazer isso, mas acabava me acomodando. Depois daquela tragédia com a van de Nova Erechim, vi que não poderia mais ficar quieto. Algo precisava ser feito. A população não aceitava mais tanta insegurança”, lembra.

O protesto fechou a rodovia por mais de uma hora e depois do evento, intensificaram-se as negociações para que lombadas eletrônicas fossem instaladas na rodovia, além de uma maior fiscalização da Polícia Rodoviária Federal. 

“Graças a Deus não teve mais nenhum acidente no trevo de acesso a Gaspar depois da tragédia com os alunos. Acho que as orações do padre e do pastor que estiveram no dia do protesto deram resultado. É uma coisa divina, porque a rodovia continua insegura. Vamos rezar para que continue assim.  O que nós queremos é lutar pela vida, impedir mais mortes, mais tristezas nesta rodovia”, finaliza.

 

Com a missão de salvar

Sábado, 27 de agosto de 2011. Um veículo cruza a BR-470 no trevo de acesso a Gaspar em alta velocidade. Uma van de Nova Erechim tenta desviar e bate de frente com um caminhão. Quatro pessoas morreram, entre elas três crianças. Uma quinta vítima morreu semanas depois no hospital.

O sargento do Corpo de Bombeiros de Gaspar, José Carlos da Silva, estava de plantão neste dia e, mesmo acostumado a atender pessoas acidentadas diariamente, não conseguiu conter a emoção. Para ele, este foi um dos momentos mais tristes entre tantos que presenciou em seus 24 anos de profissão. Ainda no local do acidente, José Carlos pedia por mais segurança no trevo. “Quantos ainda precisarão morrer aqui?”, questionou. Na opinião do sargento, a rodovia só é perigosa porque há muita imprudência. “A sinalização e iluminação também são precárias. A iluminação, por exemplo, não existe sequer em trevos de acesso.Outro fator é a bebida e volante, uma combinação que já se provou não combina”, observa José Carlos.

Tragédias também fazem parte do cotidiano do sargento Valério Pereira. Com 26 anos de carreira, ele passou os últimos 15 no posto da área Norte de Blumenau, localizado a 50 metros da BR-470. É deste ponto que sai o socorro dos Bombeiros em acidentes na rodovia no trecho de Blumenau e, às vezes, de Gaspar e Indaial.

“O maior problema ainda é a imprudência, principalmente a velocidade. Todo mundo está sempre com pressa. Os cinco minutos que se perde ao sair de casa tenta-se compensar na estrada”, comenta Pereira.

O sargento lembra também, de outro problema de atrapalha o atendimento dos profissionais: a quantidade de pessoas em volta de um acidente. “Os curiosos atrapalham muito nas ocorrências. Todo mundo quer ver, todo mundo quer ajudar, mas só atrapalham. Essas pessoas colocam a própria vida em risco, ao ficarem parado, no meio da pista”, acrescenta.

Os bombeiros que trabalham na BR-470 também aguardam pelo funcionamento das lombadas eletrônicas e do processo de duplicação. Valério alerta que as obras ajudarão na segurança, mas não inibirão todos os acidentes. “O fluxo de veículos cresce a cada dia nesta rodovia. Mesmo com a duplicação, as imprudências e o excesso de velocidade vão permanecer. Então, não adianta apenas fazer mais pistas, é preciso trabalhar a educação dos motoristas e também dos outros passageiros dos veículos”, afirma. Um exemplo de cuidados com outros passageiros é com as crianças. Pai de uma menina de quatro anos, Pereira acredita que muitos pais não prestam atenção nos filhos pequenos durante uma viagem, que pode causas problemas depois. “Eu sou pai e já vi a minha filha tentando tirar. Por mais que tu fales, ensine, sempre haverá o risco”.

Trabalho próximo do perigo

Em maio deste ano, no bairro Margem Esquerda, em Gaspar. Era 17h30min e o frentista Pedro Campos, 45 anos, já estava em casa após um dia de trabalho quando ouviu um barulho vindo da BR-470, Km 39, que fica a poucos metros de onde mora. Ele perguntou para um vizinho se sabia o que havia acontecido, que respondeu tratar-se do estouro do pneu de uma carreta.

Campos foi até a rodovia conferir e viu que era mais que um simples furo de pneu. Um acidente envolvendo um Fiat Uno, que tentou ultrapassar um caminhão. “O motorista morreu na hora, foi um acidente muito grave”, recorda Pedro.

Acidentes fazem parte da rotina de Campos. Além de morar perto da BR-470, ele agora trabalha na rodovia, como frentista em um posto no Margem Esquerda. Para ir ao trabalho, ele percorre todos os dias a pé, as margens da rodovia. “Tem que ter muito cuidado mesmo, porque se não vem um carro em alta velocidade e te atropela”, afirma.

Campos apoia e acredita que a instalação das lombadas eletrônicas (uma perto de sua casa), irá ajudar a diminuir os acidentes na BR-470. A opinião é compartilhada por Gilberti Nicoletti, colega de profissão que também já testemunhou diversos acidentes graves na rodovia.

Nicoletti mora no bairro Gasparinho, mas vem para o trabalho de ônibus, pois, segundo ele, é mais seguro. Quando precisa vir de carro, utiliza as ruas de paralelepípedo do Margem Esquerda e evita, ao máximo, trafegar na rodovia. Ele reclama da falta de respeito dos motoristas, para ele a maior causa de acidentes.

“Uma vez, em um acidente com morte no trevo de acesso ao Sertão Verde, alguns frentistas ajudaram no atendimento, tentando isolar o local onde ocorreu a batida. Mas ninguém respeita, os motoristas passam em alta velocidade e ignoram o que ocorre na pista”, reclama.

Ele conta ainda, que frentistas e outros trabalhadores as margens da rodovia costumam auxiliar em caso de acidentes: “Eu não gosto muito disso. Teve um acidente com um motociclista em que o pneu da moto furou e ele se perdeu na pista. O pessoal do posto foi ajudar, mas fazer isso também é arriscado. Não entendo como eles ainda não duplicaram a BR-470. Se os governantes tivessem responsabilidade, resolveriam tudo em uns três anos”, dispara o frentista.
Outro acidente que marcou Nicoletti foi no trevo de acesso a Gaspar, onde quatro pessoas morreram em uma van, sendo três crianças.
“O pai de uma destas crianças esteve aqui no final de novembro, para saber o que havia sido feito para dar mais segurança no trevo. Eu não conversei diretamente com ele, mas colegas aqui do posto falaram das lombadas eletrônicas que estão sendo instaladas”, revela Nicoletti.
 

Comunidade cobra duplicação já

Os acidentes no trevo de acesso a Gaspar na BR-470 já viraram rotina para os trabalhadores do Posto Pioneiros, que fica junto ao trevo. O local é o que possui maior frequência de acidentes no trecho do Médio Vale.

O gerente do posto, Sérgio Niques, vem todo dia de Itajaí, passando pela rodovia. Ele conta que já foi chamado de louco por fazer este trajeto diariamente e que já viu tudo que é tipo de imprudência na pista.

“No começo, a cada acidente, o pessoal aqui saia correndo para ver o que havia acontecido. Hoje, já virou uma triste rotina. Não nos surpreendemos mais. Motoristas em alta velocidade, fazendo ultrapassagens em curvas, pelo acostamento, ninguém respeita mais nada”, comenta.

Para Niques, a instalação de lombadas eletrônicas vai amenizar o problema, mas o Dnit deveria ter aceito a proposta de uma rotatória no trevo. “Só assim para o pessoal realmente diminuir a velocidade. Nós ainda esperamos a duplicação, mas já está virando uma utopia, de tanto que atrasam”, afirma. Uma das três lombadas instaladas na rodovia fica no Km 39, em frente a Serraria Werner.  O proprietário do estabelecimento, Mário Werner, acredita que a medida vai ajudar a diminuir o número de acidentes na região. Porém, alerta para a criação de outro problema: os congestionamentos na via.

“Quanto a parte dos acidentes, as lombadas são necessárias e vão ajudar. Agora, podem ter certeza que elas irão segurar o trânsito. A velocidade caindo vai gerar filas enormes”, declara.

Werner está há 21 anos com o negócio as margens do rodovia. Ele conta que instalou a empresa no local de olho no deslocamento dos clientes. O empresário também cobra a duplicação da rodovia e não entende por que o assunto ainda não foi resolvido.

“Quando nós falamos de desenvolvimento, do crescimento de uma região, automaticamente falamos nos acessos. Não tem como um lugar ter progresso sem um acesso decente, isso não existe”, afirma.

Comércio
A empresária Zenilda Regina da Silva conhece bem a BR-470. Ela nasceu e cresceu em uma casa nas margens da rodovia, no bairro Margem Esquerda. Após o casamento, ela trocou a região pelo Gasparinho, mas voltou a morar nos anos 1990. Hoje, é dono do restaurante e lanchonete La Terra.
Zenilda presenciou vários acidentes e casos de imprudência ao volante. Fatos que fazem ela redobrar a atenção ao trafegar na rodovia. “Algo que nunca vai me sair da cabeça é uma tragédia ocorrida em 2000. Era 24 de dezembro, às 4h30min quando ouvimos o barulho. Um motociclista havia se acidentado e depois uma Saveiro passou por cima. O condutor da moto morreu horas antes de estar com a família, celebrando o natal”, relembra. Pelos problemas de segurança, Zenilda também defende a duplicação.

 

Agricultor diz que antes era mais tranquilo

O processo de duplicação da BR-470 já mobilizou diversas entidades, reuniu abaixo-assinados e foi motivo de protestos nas cidades cortadas pela rodovia. No entanto, a proposta não é unânime.

O agricultor Hélio Stanke, 56 anos, morador do Morro Grande, entre Gaspar e Ilhota, é um dos contrários ao projeto. Ele nasceu e sempre morou na região e viu o seu terreno ser cortado pela BR-470 no anos 90, quando foram feitas as obras de extensão.

“Até então, a rodovia ia só até Gaspar. Aqui nós tínhamos o acesso ao Morro do Baú por uma estrada de barro. Era uma tranquilidade só. Eu saía de casa de manhã e deixava tudo aberto. Depois que fizeram a rodovia, eu já fui assaltado quatro vezes”, desabafa.

Stanke conta que a indenização feita nos anos 90 foi muito abaixo do valor de mercado, gerando perdas para a família. Plantador de arroz, ele tem sua produção nos dois lados da rodovia e precisa cruzar a pista com o maquinário. “Eu não posso colocar um trator na pista. Então, para chegar do outro lado, eu vou precisar andar quilômetros até um retorno. Eles fizeram o projeto e não ouviram a gente”, dispara.

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