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FILOSOFIA

Projeto defende menos egoísmo e mais empatia

É o que prega a filosofia africana Ubuntu, tema de um trabalho de ensino religioso no Colégio Madre Lampel


Foto: Kássia Dalmagro - Jornal Metas /

Fotos no Instagram, vídeos no Tik Tok, publicações e compartilhamentos no Facebook. Hoje, é difícil quem não tenha pelo menos uma rede social para se conectar com tudo o que acontece no mundo. As ferramentas são importantes para o entretenimento e divulgação de informações, mas também muito perigosas: além das Fake News (notícias falsas), as redes sociais passaram a ser utilizadas para a propagação do ódio. A intolerância tomou o lugar do respeito e compreensão.

E foi justamente o comportamento agressivo e egoísta nas redes sociais que motivou o professor de ensino religioso do Colégio Madre Francisca Lampel, Jader Corrêa, a propor aos alunos o estudo e aplicação da filosofia africana Ubuntu. "A intenção, além de fazer com que os estudantes conhecessem a filosofia, foi divulgar a ideia nas redes sociais, entre os amigos, pois hoje existem muitos comentários de ódio sendo expostos, publicações com pensamentos negativos, agressivos, não respeitando as opiniões alheias", ressalta o professor. A intenção foi motivar publicações que abordassem mais a coletividade, vindo ao encontro do que defende a Ubuntu.

Para entender o projeto proposto pelo professor, precisamos falar um pouco sobre a filosofia, que tem como um dos significados a "humanidade para os outros". A filosofia defende a solidariedade, a cooperação, o respeito, o acolhimento e a generosidade, buscando não só o bem-estar da pessoa, mas como o de todos que estão a sua volta. "Precisamos ter consciência do nosso compromisso e não só o meu pensamento, o "Eu" sendo verdade absoluta", provoca Jader.

O professor explica que além de transmitir a mensagem para outras pessoas, o projeto teve como objetivo envolver os estudantes em uma atividade que fizesse com que eles se sentissem úteis. "Percebi que ao longo destes meses de isolamento social, os alunos estão sofrendo emocionalmente, pelo afastamento, pela falta dos amigos e da rotina diária na presença física. Então surgiu a proposta, para que eles se sentissem úteis por meio da divulgação dessa mensagem, contribuindo socialmente e, assim, tendo a sensação de dever cumprido, sentindo-se bem consigo mesmo", justifica o professor.

A ideia foi a seguinte: depois de conhecer, discutir e entender o que defende a filosofia Ubuntu, os alunos gravaram vídeos com mensagens e divulgaram em suas redes sociais. Mas eles não pararam por aí. "Percebemos que a mensagem deveria chegar a toda cidade, por isso tivemos a ideia de explorar o Ubuntu no outdoor que fica no terreno do colégio", conta o professor. Quem passa pela rua São José, no Centro, pode ver a arte - que traz imagens explorando as diferenças entre as pessoas e dando o recado: "sou o que sou pelo que nós somos".

A ação, conforme explica Jader, faz parte do projeto "Empreendedorismo e Projeto de Vida", desenvolvido no colégio para trabalhar diversos temas. O estudo da filosofia encerrou o módulo sobre autoconhecimento.

Empatia

Brenda Almeida, 13 anos, é uma das estudantes que participou do projeto. Aluna do oitavo ano, ela defende que a mensagem proposta pela Ubuntu deveria ser refletida por pessoas do mundo todo. "É uma palavra tão pequena, mas com um conceito tão grande. Tenho como objetivo propagar o amor e gostaria que as pessoas refletissem sobre o que foi proposto nos vídeos e outdoor. O mundo está muito prejudicado no sentido de empatia e a filosofia é isso: a defesa pela generosidade, pelo amor ao próximo que, infelizmente não estão presentes no coração de todos", ressalta.

Rafael Sansão, de 11 anos, nunca havia escutado sobre a Ubuntu até o professor Jader apresentar a filosofia aos alunos. "Achei a ideia muito legal e gostaria de falar às pessoas que todos nós precisamos ter Ubuntu na vida para ela estar completa", ensina o estudante do sexto ano. A aluno Maria Goedert, 15 anos, já conhecia a filosofia mas, com o projeto, pode refletir mais sobre seu significado. "Fiquei muito feliz com a proposta do professor em abordar este tema pois o mais importante não é conhecermos a filosofia, mas sim sermos estimulados a praticá-la. E a Ubuntu se torna mais eficiente quando muitas pessoas se dispõe a praticá-la, inspirando-se em outras e, assim, formando uma corrente do bem", defende.

Para a estudante, o projeto é apenas uma demonstração da força que se pode obter se, juntas, as pessoas lutarem por um mundo melhor. "Penso que toda a transformação deve começar no nosso pequeno espaço, ou seja, em casa, na escola, ou no bairro e assim chegaremos em um espaço muito maior. Espero que as pessoas sintam-se tocadas pelas mensagens, pois assim atravessaremos melhor este momento que estamos passando, que pede ainda mais a empatia e amor ao próximo", finaliza. 


"A Internet é algo muito amplo, muitas pessoas estão usando essa ferramenta para disseminar o bem, porém, muitos a usam de forma inadequada, se sentem inabaláveis, por estarem atrás de uma tela, se consideram no direito de praticar o que quiserem, muitas vezes infringindo a lei, sem ter a consciência de que do outro lado também há um ser humano que pode ser machucado.

Maria Eduarda Goedert, 15 anos, 1º ano EM 



"As pessoas estão postando coisas demais e, às vezes, esquecem de viver o mundo real, porque acreditam que não acontecem coisas boas. Mas isto com certeza não é verdade., pois coisas boas acontecem. Não temos magia como em algumas histórias, mas temos muito amor de familiares e amigos." 

Lívia Barbieri da Silva,  12 anos, 6º anos 



"Não digo que a internet é a nossa maior vilã, ela tem seus prós e contras. Se nós permitirmos, ela propagará ódio, intolerância. As pessoas precisam ter maturidade para usa-lá, sabendo o que é certo e o que é errado." 

Brenda Almeida, 13 anos, 8º ano 



"Percebi que as pessoas estão postando muitas Fake News e muitas pessoas estão acreditando nelas. Mas também muitas pessoas estão aprendendo a valorizar tudo e todos"  

Rafael Sansão, 11 anos, 6º ano 



É muito clara a falta de valores. O que vemos na internet é a valorização pessoal e o constante desejo de mais para si mesmo"  

Natália Gonçalves, 11 anos, 6º ano  



"Tenho percebido que as pessoas usam a Internet como uma forma de lazer (o que não está errado, no meu ponto de vista). Porém, se usarmos as redes sociais para compartilhar ideias, projetos e campanhas elas poderão ser conhecidas por outras pessoas, que teriam o interesse de ajudar os que precisam." 

Maitê Erthal, 15 anos, 2º EM 




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