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COVID-19

Prefeitura aperta medidas

Aumento na procura por atendimento e número de casos confirmados levaram prefeitura a adotar mais restrições


Centro de Triagem registrou um aumento de 48 para 94 no número de atendimentos de pessoas com problemas respiratórios / Foto: Kássia Dalmagro - Jornal Metas/

A partir de segunda-feira (13) entra em vigor um novo decreto municipal com medidas restritivas no enfrentamento à COVID-19 em Gaspar, que inclui limite de horário de funcionamento de alguns estabelecimentos comerciais. As medidas visam reduzir a circulação de pessoas e incentivar o cumprimento do distanciamento social já que o número de casos do novo coronavírus disparou nas últimas semanas (veja gráfico abaixo). "Queremos manter a economia ativa, mas desde o início estamos pedindo a colaboração da nossa comunidade para poder fazer isso de forma de segura. Infelizmente precisamos adotar medidas restritivas nesse momento, pois nossos dados mostram que a doença está cada vez mais grave", justificou o prefeito Kleber Wan-Dall.

Segundo ele, as medidas foram tomadas com base no acompanhamento diário que faz o Sistema de Comando em Operações (SCO), grupo formado por representantes de diversas áreas, responsável por gerenciar a crise do novo coronavírus no município. São analisados dados como: números de casos, óbitos, ocupação de leitos e taxa de letalidade de Gaspar, das cidades da região, do Estado e do Brasil. Wan-Dall explica que três indicadores são fundamentais para se avaliar se o sistema de saúde está entrando em colapso: a soma das pessoas que testaram positivo; o número de internados e o número de pessoas em espera do resultado do exame. "Na avaliação da Vigilância em Saúde estamos próximos do limite", admite. Além do crescimento da curva da COVID-19, Wan-Dall lembra que existem outras doenças que precisam ser atendidas pela mesma equipe de médicos e enfermeiros.

A ocupação dos leitos de UTI também preocupa, já que Gaspar chegou a ter sete pessoas internadas. Alguns funcionários da área da saúde também testaram positivo para COVID-19, e outros precisaram ir para o isolamento em função de familiares infectados. "Ainda não é um número grande de pessoas da área da saúde afastada, mas é preciso ter controle", diz Wan-Dall. A prefeitura vem acompanhando os números regionais da pandemia por meio da Associação dos Municípios do Médio Vale do Itajaí (AMMVI), e a conclusão é que toda a região está próxima do limite. "Diante deste cenário, não podíamos ficar de braços cruzados, tínhamos que adotar novas medidas", argumenta o prefeito. Ele admite que houve um relaxamento por parte da população nas últimas duas semanas, o que de fato contribuiu para o aumento do número de casos. A prefeitura vai também colocar carro de som nas ruas em um apelo para que a população mantenha as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). "Todo mundo gosta de fazer festinha, reunir amigos num churrasco, mas esse não é o momento, é preciso colocar a mão na consciência, essa doença é de fácil transmissão. Caso a população insista em não seguir as recomendações tais como uso de máscara, higienizar as mãos e distanciamento físico, poderemos tomar medidas ainda mais restritivas". Uma delas é aplicar multa a quem for pego circulando nas ruas sem máscara. "Nós não queremos chegar a este extremo, não é a nossa intenção multar ou constranger as pessoas, por isso vamos insistir nas campanhas de conscientização", esclarece Wan-Dall.

A Secretaria Municipal de Saúde reforça o pedido para que cada pessoa faça a sua parte. "Se cada um de nós, cidadãos, tomássemos os cuidados necessários, não seria necessário esse tipo de intervenção. A situação é séria, é grave e a conscientização é nossa maior arma", alerta o secretário de Saúde, Arnaldo Munhoz.

Nos últimos dias, somente no Centro de Referência e Triagem a média de atendimentos diários passou de 48 da semana passada para 94 nesta, tanto que a prefeitura decidiu voltar com o horário de atendimento estendido - das 7 às 19 horas - e também ampliou o atendimento nas unidades de saúde dos bairros. "Caso a pessoa apresente sintomas leves, procure a unidade de saúde do seu bairro para avaliação médica. Se for necessário, o médico irá fazer o encaminhamento, de acordo com devidos protocolos, para tratamento, isolamento, coleta para exames, e o que mais couber ao caso", explica o secretário de Saúde, Arnaldo Munhoz. Em casos em que há agravamento, como falta de ar aguda e febre alta, a orientação é buscar o pronto atendimento do hospital.

Os números apontam que mais de 60% dos leitos de UTI do Estado estão ocupados. Porém, há no mercado falta de insumos como medicamentos anestésicos, por exemplo.

Saúde/Médico alerta sobre medicamentos

Diretor Técnico do Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e médico infectologista, Ricardo Freitas não vê outro caminho que não o de adotar o protocolo da Organização Mundial de Saúde (OMS) que prevê, entre outras medidas, o distanciamento social. Qualquer outra iniciativa, ele considera prematura, e neste rol inclui o uso de medicamentos sem comprovação científica, como é o caso da Ivermectina, que inclusive, sumiu das farmácias de Gaspar. "Não temos ainda vacina ou imunidade acima de 50% ou até 70% que é o considerado eficaz. Até lá vamos conviver com o vírus", alerta. O médico também afirma que o distanciamento não impede a continuação da propagação do vírus, apenas retarda e desafoga os sistemas de saúde. "Por algum tempo, vamos conviver com esse efeito sanfona, uma hora a gente flexibiliza as medidas, em outra aperta mais", observa.

Para o doutor Ricardo, o frio não melhora o ambiente de propagação do vírus, até porque no Norte e Nordeste do país não existe inverno e houve um número grande de casos de COVID-19. "O inverno apenas aproxima mais as pessoas, que ficam mais perto uma das outras e isso pode aumentar o contágio", explica.

Ainda sobre os medicamentos que vem sendo amplamente divulgados na mídia e que algumas prefeitura, inclusive de Santa Catarina adotaram em seus protocolos de tratamento, o médico infectologista considera perigoso e não recomendaria à prefeitura de Gaspar. "A verdade é que o número de casos cresceu e algumas prefeituras estão apavoradas. A Ivermectina não vai resolver, como não resolveu a hidroxiclorquina, que até já deixaram de lado, pois tanto faz tomar ou não esses medicamentos". O doutor Ricardo admite que existe um trabalho científico em cima da Ivermectina, porém, ele foi feito "in vitro" e usada uma dosagem 100 vezes suportável pelos seres humanos. "Não se tem certeza qual a dosagem correta", acrescenta.

Para o médico, a adoção deste medicamento por parte das prefeituras é muita mais uma decisão política do que propriamente técnica. "O que se deve fazer, neste momento, é restringir a circulação de pessoas para se evitar a disseminação, já o tratamento compete ao médico avaliar cada caso e aplicar as possibilidades terapêuticas que se tem comprovação científica", finaliza. 











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