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ESPECIAL

Por um trânsito mais humano

04 Junho 2018 09:28:00

Parceria entre JM, Furb e PRF busca unir forças para investir em um amplo projeto de educação no trânsito

Por mais condutas éticas

Texto: Sérgio Rafael Melati - Chefe do Grupo de Educação para o Trânsito da PRF em SC 

O Projeto das Condutas Éticas no Trânsito começou de uma solicitação à PRF para palestrar, em 2017, sobre o tema "Ética no Trânsito" no I Curso de Multiplicadores do Movimento Maio Amarelo, em Blumenau-SC.  

Os ensinamentos sobre o tema, com foco comportamental, de autoconhecimento e de relacionamentos interpessoais, sempre foram bastante aplaudidos e reconhecidos como verdadeiros. E a palestra continuou sendo dada e aperfeiçoada. 

Assim, nasceu o interesse da PRF em fazer evoluir de tema de palestra para um Projeto de Educação Fundamental Continuada. Todavia, não havendo ainda uma disciplina específica, sendo raras matérias jornalísticas a respeito, então, buscou-se parcerias com as universidades, especialmente a Furb com o Curso de Jornalismo, para desenvolver conteúdo midiático sobre o assunto, que em sua essência foca o comportamento positivo no trânsito. 

Percebeu-se uma dificuldade educacional, social e cultural de se abordar o trânsito por intermédio de pontos de vistas positivos, quase sempre sendo a educação para o trânsito abordada a partir de aspectos negativos, dos resultados violentos, acidentes e tragédias. Terapeuticamente, é como focar no combate à doença e seus sintomas, e não na conduta saudável que devemos promover para naturalmente prevenir o aparecimento da doença. 

O Projeto das Condutas Éticas no Trânsito ainda está em desenvolvimento. A fundação já está bem profunda e se firmando. Agora, precisamos estruturar os pilares, vigas e lajes, até se estruturar como disciplina, dentro de um plano pedagógico, com bons materiais disponíveis, para quiçá entrar no currículo escolar de nossas crianças.  

Convidamos educadores, pedagogos, psicólogos, artistas, estudantes e profissionais de todas as áreas que possuem este senso ético para colaborar e ajudar a transformar nosso trânsito em seguro, por meio da educação de cinco condutas éticas fundamentais: +humana, +gentil, +confiável, +responsável e +prudente. 

Essas cinco condutas formam um ciclo criativo-positivo. Quando cultivamos uma conduta +humana, geram-se condições para o surgimento e desenvolvimento de uma conduta +gentil. A partir da conduta mais respeitosa e gentil, criamos condições para comportamentos +confiáveis e previsíveis. O esforço em manter uma conduta +confiável e honesta gera condições para uma conduta +responsável. E quando nos comprometemos mais com nossas responsabilidades e deveres sociais, familiares e particulares (o que aprofunda nossas reflexões para a tomada de decisões), geram-se condições necessárias para o surgimento e desenvolvimento de uma conduta +prudente, que por sua vez nos mantém mais humildes e menos agressivos, gerando condições para a conduta +humana... entrando o ciclo criativo-positivo numa espiral crescente. 

Precisamos de parceiros e voluntários para realizar nessa grande obra. Venha conosco, nós somos o trânsito! 

Desafio para principiantes 

Texto: Sandro Galarça - professor da FURB 

Em meio a uma crise que paralisou diversos setores da economia brasileira a partir da greve dos transportadores, finalizamos a terceira edição de uma pareceria iniciada em 2017 entre o Jornal Metas e o curso de Jornalismo da Furb. O objetivo é, por meio de uma pauta positiva, contribuir com a educação no trânsito e para uma convivência mais humana nas cidades, rodovias e vias públicas por meio de atitudes éticas. 

O desafio dessa edição foi desenvolver esse importante trabalho de conscientização com alunos da primeira fase do Curso de Jornalismo. Por meio do planejamento, produção, apuração, escrita e divulgação de matérias que façam a comunidade refletir sobre suas práticas, a tarefa era reunir um grupo iniciante de estudantes em torno de um mesmo objetivo. 

O resultado do que experimentamos nessa primeira atividade prática dos estudantes indica que há uma necessidade de discutir temas emergentes de uma maneira mais abrangente do que faz a grande imprensa. Mostra também que há potencial de criatividade, capacidade de trabalho e competências suficientes em alunos iniciantes do curso de Jornalismo e que vão resultar em produtos de qualidade profissional ao longo de sua vida acadêmica. 

Por outro lado, é necessário salientar o movimento fundamental realizado pela Polícia Rodoviária Federal, no intuito de aproximar a universidade de suas demandas em torno de uma melhor educação para o trânsito. Ao procurar a Furb com a intenção de divulgar ações efetivas que contribuam com uma melhor conscientização dos condutores, a PRF entende que a essencial mudança de postura passa principalmente por um processo de reflexão e autoanálise de práticas cotidianas, que precisam ser modificadas para que o trânsito, de fato, seja mais humano, ético e responsável. 

O país que queremos, na mesma direção do que apontam as principais reivindicações de quem paralisou o país no bloqueio das rodovias, é um lugar em que os impostos sejam mais justos, que a corrupção seja coibida e punida com rigor. Entretanto, nossas práticas pessoais devem resultar em mudanças positivas na sociedade, a começar pelo respeito e pelos bons hábitos no trânsito e nos espaços coletivos de convívio. 

Projeto da Furb une Trânsito e Educação 

Texto: Roseméri Laurindo - Coordenadora do Curso de Jornalismo da Furb 

Realizar produções jornalísticas com serialização temática a partir de demandas da comunidade. Esse é o objetivo do projeto "Te Orienta - extensão informativa", do Curso de Jornalismo da Universidade Regional de Blumenau (Furb), que em 2018 realiza com a Polícia Rodoviária Federal ações educativas sobre condutas éticas no trânsito. Uma das atividades planejadas é o presente caderno do Jornal Metas, parceiro da Furb por meio de práticas na disciplina Apuração e Escrita Jornalística. 

O projeto "Te Orienta" pretende trabalhar de forma prática alguns temas complexos, com base em realidades concretas da comunidade na região de atuação da universidade. A intenção é, alinhado com os termos do acordo extensionista, possibilitar que o jornalismo possa contribuir para melhorar o nível das versões dos fatos que muitas vezes são compartilhados de forma sensacionalista e que reforçam o senso comum. 

A produção de matérias para o caderno do Jornal Metas é um exemplo de que a questão do trânsito pode e deve ocupar páginas com sentido mais educativo do que apenas estatístico. Ao seguir alguns parâmetros voltados para a educação disponibilizados pela PRF em seu trabalho sobre condutas éticas no trânsito, as ações jornalísticas desenvolvidas pelos acadêmicos da Furb procuram acompanhar o cotidiano sob cinco dimensões: Humanidade, Cortesia, Honestidade, Responsabilidade e Prudência. São virtudes que se desdobram em dinâmicas diversas no dia a dia e que assumem expressões típicas no trânsito. 

Com as experiências em sincronia do Curso de Jornalismo, da PRF e do Jornal Metas, a intenção é fazer com que o projeto expanda os limites de cada organismo isolado. Com o caderno especial sobre o trânsito, o público de Gaspar e região tem a oportunidade de refletir sobre as atitudes éticas para além dos ensinamentos pontuais em campanhas da PRF e escolas de trânsito. 

No Curso de Jornalismo a ideia é ampliar as ações, trabalhando em diversas disciplinas e mais adiante, possivelmente, expandir-se para outros setores da universidade, em virtude das problemáticas que o trânsito apresenta para a sociedade contemporânea. 

Participam desta realização os professores Roseméri Laurindo (coordenadora do projeto de Extensão "Te Orienta - extensão informativa"), Sandro Galarça, estudante Ana Cláudia Kostetzer (extensionista), Sérgio Rafael Melati (chefe do Grupo de Educação para o Trânsito da PRF em Santa Catarina), os jornalistas Alexandre Melo e Kássia Dalmagro do Jornal Metas e estudantes do primeiro semestre do Curso de Jornalismo. 

Entenda os efeitos do estresse no trânsito 

Texto: Helena Bortoncello e Vinícius Peyerl Vieira  

Arte/Sandro Galarça/

Dirigir em qualquer cidade brasileira está se tornando uma atividade fisicamente desgastante e cada vez mais perigosa, o que tem implicações que vão além do trânsito, refletindo-se na qualidade de vida da população. Uma consequência dessa situação é o estresse, que se qualifica como uma condição nociva à saúde de quem enfrenta o trânsito e está ligado a doenças comuns desse século, como obesidade, problemas cardiovasculares e transtornos imunológicos. 

Apesar de existirem normas no trânsito que determinam o comportamento adequado a ser seguido pelos condutores - inclusive os usuários das vias terrestres - há pessoas que não apresentam condições para vivenciar situações perigosas e estressantes como as que podem vir a ocorrer, como ressalta o psiquiatra Tiago de Salles Graffunder. "As manifestações do 'Transtorno de Ansiedade Generalizada' são diferentes para cada indivíduo. Uma pessoa ansiosa ou estressada pode reagir de maneira agressiva no trânsito, de maneira impulsiva. Na verdade, a ansiedade vai exacerbar traços de personalidade do indivíduo, além de refletir seu nível cultural e educacional", avalia o especialista. 

"Uma pessoa ansiosa, que age calmamente no seu dia a dia, poderá tomar atitudes passivas, deixar outros motoristas passarem, agirá com medo, já alguém com características impulsivas, quando ansiosa, poderá tomar atitudes agressivas no trânsito, tais como acelerar em manobras arriscadas, não aguardar a sinalização dos semáforos, a ansiedade e o estresse somente elevam os níveis de competitividade destes indivíduos", relata o psiquiatra.  

Porém, existe um lado positivo para o estresse, como informa a Apostila para Formação de Condutores. "No trânsito, quando usada de forma correta, a ansiedade é a previsão, um elemento essencial da direção defensiva. Prevenir é antecipar-se para realizar algo que ainda não aconteceu, assim, reduzindo a possibilidade de envolvimento nos acidentes de trânsito", explica o informativo. 

Em suas recomendações, a apostila ainda completa: "cumprir a lei capacita o condutor a dirigir com segurança. Assim, a prática de uma direção cautelosa deve ser contínua, para o condutor se aperfeiçoar e saber agir de maneira correta diante de situações surpresas", indica o livro. 

Jurandir da Silva, morador de Gaspar, tem 20 anos de experiência no trânsito e atualmente é motorista da empresa BluMob, companhia de transporte coletivo de Blumenau. Ele avalia que o maior problema de sua rotina no trânsito são as discussões entre motoristas e principalmente a imprudência. Ou seja, a falta de atenção e o descuido no trânsito, gerando desentendimentos que complementam o ambiente perigoso das ruas. 

Fobia de direção desafia condutores 

Texto: Yasmim Cristine Cechelero e Elisiane Roden da Silva 

Elisiane Roden da Silva/

Desde que tirou a habilitação, Thailane Camargo Batista Ferreira dirigia normalmente. Porém, em meados de 2013, depois de uma leve batida que não gerou qualquer dano físico e um pequeno prejuízo material, iniciou-se nela um transtorno psicológico: a fobia. O caso de Thailane não é uma exceção. De acordo com a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), cerca de dois milhões de brasileiros sofrem com o medo de dirigir, sendo mais de 75% desse número constituído por mulheres. As causas são diversas, desde um trauma de infância até o medo de ser criticado. O medo de dirigir pode se desenvolver em qualquer pessoa, em qualquer momento de sua vida, inclusive a fobia pode atingir profissionais que trabalham na área e que dedicaram suas vidas ao trânsito. 

A psicóloga Aline Merísio, a única especialista na área de fobias da região, explica que existem três grupos de pessoas que podem ser atingidas por essa aversão ao trânsito. O primeiro grupo é constituído por pessoas que não conseguem se aprovar, tendo um nível autocrítico muito alto. Muitas dessas pessoas não se permitem errar e, portanto, não conseguem dirigir sem algum tipo de medo. Outro é constituído por pessoas aposentadas, e em terceiro está o grupo de pessoas que sofreram um trauma, tanto no trânsito quanto na infância, o que tem influência direta na sua formação. 

Na visão da especialista, pessoas que sofrem do trauma devem procurar ajuda. "Há muitos outros fatores que influenciam na direção. Quando se inicia o processo de avaliação, procuramos identificar o medo que as pessoas têm. Sempre há um medo ligado à outra coisa, nunca é um medo específico de dirigir", afirma a psicóloga. Aline esclarece que o tratamento psicológico é essencial para que a fobia seja superada, porém a parte prática também deve ser conciliada no tratamento. 

A quantidade de consultas varia de acordo com o grau da fobia e da confiança da pessoa após cada sessão. As aulas práticas tentam ambientar as pessoas ao local do seu maior medo. Segundo o Centro de Formação de Condutores Gasparense (CFC Gasparense), é muito comum alunos pedirem por mais aulas por conta da insegurança para pegar o volante. O CFC informou que o instrutor normalmente identifica o aluno que tem medo de dirigir.  

Depois de 12 sessões, Thailane conseguiu voltar ao volante com ajuda profissional. Além da psicóloga, ela teve auxílio de uma instrutora, e hoje dirige com segurança e tranquilidade. Sempre é bom reforçar que a fobia no trânsito pode ser um sintoma para um transtorno muito maior. Quando o condutor identificar que se sente desconfortável na direção, o mais recomendado é procurar a ajuda de um psicólogo.  

Escola do Bela Vista recebe o Projeto Transitolândia 

Texto: Marcelo José Santiago 


Arquivo JM/

A escola de educação básica Arnoldo Agenor Zimmermann, no bairro Bela Vista, recebeu no início do mês de maio, dia 11, o projeto Transitolândia. O evento foi realizado pela Polícia Militar de Gaspar e contou com a participação do sargento Márcio Francisco Pires e do soldado Welinton Leandro Teixeira de Andrade. A Transitolândia existe desde 2013, mas em Gaspar o projeto começou a ser implantado na rede pública no ano passado e desde então, vem sendo muito bem recebido pela comunidade escolar. 

O principal objetivo é instruir os estudantes sobre quais as melhores formas de se comportar no trânsito para a promoção de um ambiente mais seguro nas ruas. Este ano, as turmas contempladas para receber o projeto foram os dois 5º anos do ensino fundamental (período vespertino). 

Inicialmente, os alunos contam com uma breve aula teórica, quando recebem orientação do que era o trânsito e quem eram os principais atores envolvidos (veículos, semáforo, placas de advertência e regulamentação, entre outros). Também são abordados pontos importantes como o uso adequado dos equipamentos de segurança para quem dirige ou está na carona e os riscos causados pela imprudência ao volante. 

Após a aula teórica, os estudantes iniciam uma atividade prática em um espaço montado junto ao pátio da escola, contendo faixa, placas sinalizadas e carrinhos, onde podem vivenciar as boas condutas de trânsito. Ele também têm a oportunidade de experimentar os dois lados, o do motorista e o do pedestre. 

De acordo com o sargento Márcio Pires, investir na educação continua sendo a melhor maneira de prevenir e/ou diminuir o número de acidentes no trânsito. "O aprimoramento no trânsito e essas dicas de que a gente passa, acho que vem a somar, juntamente com a fiscalização e a formar essa educação. Eu penso que a educação no trânsito é tudo hoje", observa o militar.  

Mazilde Roberto Mendonça, professora de Português, História e Geografia, destaca a importância que esse tipo de ação tem na formação das crianças. "Acredito que seja importante porque desde pequenos aprendemos todas as coisas. Também temos a oportunidade de chegar em casa e passar para a família", avalia. A aluna do 5º ano, Analú Aguiar de Amorim, 10, relata o que aprendeu e o que mais gostou nas atividades. "Eu gostei das placas, dos policiais e a gente aprendeu a respeitar o trânsito e a ser gentil", enfatiza. 

Talisson Oliveira dos Santos, 11, disse que aprendeu muitas coisas interessantes com o projeto. "Aprendi que não se pode ser um motorista imprudente, tem que respeitar as leis de trânsito e sempre respeitar os passageiros. Eu gostei mais de pilotar os carrinhos, que foi muito legal." 

Segundo a diretora Dóris Ramos Garela, o projeto chega para suprir uma carência na questão da segurança dos alunos. "A vinda da Transitolândia é de suma importância porque as crianças têm um comodismo de andar no asfalto, eles não dão prioridade para a calçada. Esse projeto faz com que todos observem a faixa de segurança, melhorando a prevenção contra os acidentes. Recebemos o projeto do Proerd, que é super bacana, e agora esse da transitolândia que foi show para nós", conclui. 

Cidadão Consciente prepara para o futuro 

Texto: Jhulia Jansen e Heloisa Helena Ristow 


Jhulia Jansen/

O Projeto Cidadão Consciente: Juntos Podemos Salvar Milhões de Vidas é uma criação do Corpo de Bombeiros Militar de Gaspar, idealizado pelo sargento Gil Vicente Pereira e pelo bombeiro comunitário Pedro da Silva. Iniciado em 2012, já atendeu nove escolas de Gaspar, totalizando 835 alunos formados nos oitavos e nonos anos. Atualmente, ocorre na Escola Estadual Básica Zenaide Schmitt Costa e na cidade de Itajaí. Blumenau e outras três cidades da região também já adotaram a ação. 

A iniciativa tem como objetivo passar uma visão para as crianças de como se deve agir no trânsito, por meio da ética e da cidadania. São realizadas palestras, ministradas voluntariamente pelo bombeiro Gil nas escolas públicas de educação básica, com a intenção de repassar a parte teórica para as crianças. "O trânsito é feito para pessoas, animais e veículos, como diz no Código Brasileiro de Trânsito.  

É isso que tento passar para os alunos, que o trânsito não é feito só de automóveis, é composto por todos que o utilizam", explica o instrutor. 

Também são aplicadas aulas práticas de teatro com encenações de acidentes na rua, para que os alunos conheçam e saibam como agir diante das diversas situações que podem vir a ocorrer. Esse projeto acontece uma vez por semana e tem como pilares o meio ambiente, cidadania, ética, trânsito e primeiros socorros. Todos os cinco trabalham juntos e formam o trânsito que as pessoas enfrentam todos os dias.  

A formação dos alunos que participam do projeto tende a diminuir os acidentes, pois eles recebem instruções sobre erros que poderiam ser evitados. "Aprendi que um acidente envolve muita coisa. Muitas pessoas são acionadas para o socorro, muito dinheiro é gasto com a gasolina das ambulâncias e com medicamentos. Não é simplesmente bater o carro", afirma José Augusto Rodrigues, aluno do 8º ano B da EEB Zenaide Schmitt Costa.  

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), acidentes de trânsito são a principal causa de mortes de jovens entre 19 e 25 anos no mundo. Por isso é imprescindível que projetos como Cidadão Consciente ocorram em escolas, os adolescentes que hoje estão tendo acesso a esse material são os futuros motoristas de nossas rodovias. "É ótimo para instruir as pessoas sobre a necessidade de saber que o trânsito não é feito apenas de carros seguindo um atrás de outro. Depois do projeto comecei a considerar o trânsito como muitas vidas em uma linha, em que um pequeno deslize pode acabar gerando muitas consequências", conta Marcos Kulkamp, aluno da primeira turma de 2012. 

Maio Amarelo leva educação para as escolas 

Texto: Mayara Cristina Korte e Thiago José Moser Poletto 


Arquivo JM/

O mês de maio foi colorido novamente de amarelo em Gaspar e em todo o Brasil para as ações de conscientização e responsabilidade no trânsito. O tema deste ano, "Nós somos o trânsito", propõe uma reflexão sobre as consequências de atitudes comuns, com a intenção de incentivar mais respeito e comportamentos passivos entre condutores e pedestres. Diversos órgãos públicos e fiscalizadores, com o auxílio de voluntários da sociedade, estiveram envolvidos em atividades ao longo do mês, informando e trabalhando a importância da educação desde o início da escolarização e reforçando a participação da população nas mudanças. 

O movimento, que é nacional, surgiu em 2014 após a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter decretado, em 2011, a Década de Ação para Segurança no Trânsito. Em 2018, chega à quinta edição e continua na busca pelo objetivo de mobilizar e conscientizar. Márcia Pontes, especialista em conduta e direito no trânsito, destaca a importância da união nos trabalhos. "O objetivo é que a sociedade organizada e o poder público trabalhem juntos em busca de soluções ao longo de todo o ano", diz. 

Entre os trabalhos na região, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) tem se empenhado em intervenções que impactem os adultos e ajudem a preparar as crianças para o futuro. Sérgio Rafael Melati, policial rodoviário federal e chefe do Grupo de Educação para o Trânsito da PRF em Santa Catarina, explica que entre as ações promovidas está o Cinema Rodoviário. Os policiais abordam veículos e, enquanto verificam a documentação, convidam motoristas e passageiros a assistirem a um vídeo educativo. Outras ações educacionais para o trânsito são principalmente as palestras, onde os pais também são convidados a participar. As atividades acontecem atualmente nas cidades de Blumenau, Gaspar e Indaial, e conforme a demanda de pedidos de escolas que consigam atender. Outra ação é o Festival Temático de Trânsito (Fetran) feito em todo o país, em que os professores são capacitados para desenvolver durante o ano a temática e preparar um peça teatral para participar dos concursos promovidos pelo governo.  

A inserção de projetos educacionais efetivos nas escolas enfrenta dificuldades. Hoje Melati busca parcerias junto às universidades da região para que ajudem a inserir o trânsito no ensino. Márcia Pontes explica que o trânsito pode e deve ser inserido na educação e o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) determinam que é para ser abordado desde a creche até a universidade. "Trânsito é um tema transversal que pode ser trabalhado dentro de qualquer disciplina. Então, o que estamos esperando para começar?", questiona. 

Gaspar intensifica ações pró-ativas 


Thiago José Moser Poletto/

A cidade de Gaspar tem encarado, com seriedade, o Maio Amarelo e a necessidade de ações fixas durante o ano para mudar o comportamento. A Diretoria de Trânsito (Ditran), responsável pelas ações do movimento no município, passa por renovações em alguns de seus processos de trabalho para conseguir atender melhor a população e desenvolver projetos educacionais nas instituições de ensino e ações em pontos estratégicos.  

E tem justificativa. Assim como em outras regiões, a cidade possui vários locais com problemas de sinalização e vias de alta intensidade de veículos, que, junto com as atitudes imprudentes, trazem para o cotidiano preocupação. O excesso de velocidade, estacionamento irregular, dirigir sem cinto e condutores sem habilitação são algumas das irregularidades mais comuns na cidade. 

Luciano Brandt, superintendente de trânsito de Gaspar, também acredita que a educação é o caminho para criar hábitos corretos nas crianças e mudar comportamentos dos adultos. Por isso, Gaspar reforçou em 2018 as atividades do Maio Amarelo, aumentando o número de palestras nas empresas e escolas do município. Os projetos acontecem ao longo do mês de maio, porém Brandt explica que a intenção é desenvolver uma programação de educação do trânsito que aconteça o ano inteiro, principalmente na escolas. Para isso quer apresentar, no início de 2019, um projeto que faça parte do plano diretor de educação do município. 

Outras ações, como a blitz educativa, continuam fazendo parte do planejamento educacional para o trânsito da Ditran, mas a ideia é que ocorram de duas a três vezes por mês, abordando um tema diferente mensalmente. O objetivo é informar e criar uma atitude mais consciente, com mais respeito, ética e humildade. "Temos o hábito de respeitar as regras de trânsito apenas quando sentimos no bolso", afirma Brandt. Outra ação a longo prazo que a Ditran pretende desenvolver é um mapeamento do município para saber, por exemplo, a quantidade de acidentes por ano, os pontos mais críticos da cidade etc. Com ele será possível mensurar e planejar práticas mais eficientes para o trânsito de Gaspar. 

Apesar da necessidade de mudanças que dependem de órgãos governamentais, o superintendente ressalta a importância não só dos órgãos públicos nas ações como também a participação da sociedade, afirmando que é um trabalho em conjunto e que é semeado aos poucos. Brand avalia que faz parte desse processo escutar as reivindicações da comunidade referentes ao trânsito de cada localidade e estudar a viabilidade das propostas. 

Direção agressiva é reflexo das atitudes 

Texto: Fernanda Tenfen e Ingrid Leonel de Souza 


Ingrid Leonel de Souza/

É cada vez mais comum motoristas infringirem as leis de trânsito e avançar o sinal vermelho. O pedestre, antes de colocar os pés na faixa, deve ficar atento e esperar alguns segundos para ter certeza que o veículo irá parar no semáforo. O comportamento agressivo traz implicações para todos, o que aumenta a violência e deixa o trânsito mais perigoso.  

Geralmente no momento da pressa são as más ações que predominam. As escolhas que cada indivíduo faz no trânsito têm influência direta na sua vida pessoal. É o que afirma a psicóloga Franciane Dal Pizzol, para quem os condutores agressivos estão de uma forma ou de outra sofrendo com algum tipo de pressão no trabalho ou em casa, e é no trânsito o lugar em que extravasam.  

A psicóloga explica também que esse comportamento é comum em pessoas apressadas. Segundo ela, ninguém adquire isso somente por causa do trânsito. "Normalmente esses casos são acompanhados de uma ansiedade", esclarece Franciane. Dificilmente uma pessoa é agressiva somente quando está ao volante, geralmente ela possui esse tipo de atitude nas suas relações pessoais. 

A especialista em terapia Cognitiva-Comportamental, Simone Ciotta, argumenta que a maioria das pessoas veem o trânsito como um problema, procurando alguém para culpar e inocentar. Por conta disso o comportamento agressivo vira uma desculpa para tudo. Simone lembra ainda que as rodovias e estradas são locais públicos como as praças e parques. Como na maioria desses locais, as pessoas transgridem ou infringem as leis. "O espaço do trânsito se transformou em lugar de ninguém", avalia. A especialista explica que é necessário pensar o trânsito como uma questão social, em que todos têm direitos e deveres. 

O motociclista blumenauense Bruno Locatelli, 36, tem 18 anos de carteira de habilitação e relata que ao fazer o trajeto de cinco quilômetros da sua casa até o trabalho quase sempre é cortado por outros veículos. Na sua opinião, essa atitude é ocasionada por imprudência e excesso de velocidade. Nessas horas, o auxiliar de biblioteca escolhe ignorar e seguir seu caminho. É exatamente esta ação de Locatelli que as psicólogas Simone e Franciane aconselham a serem seguidas caso você se depare com uma situação parecida ou igual a de Bruno. 

Alerta para blitz pode colocar vidas em risco 

Texto: Camila Ebele e Caroline Raiser Machado 


Camila Ebele/

Com a invenção da internet, é possível estabelecer uma comunicação instantânea com qualquer pessoa no mundo. Entretanto, algumas atitudes podem atrapalhar o trânsito quando outros motoristas são alertados sobre barreiras policiais por meio de grupos em redes sociais ou aplicativos. O Waze é um exemplo disso: com mais de sete milhões de downloads no Google Play, o aplicativo é uma espécie de GPS que ajuda o usuário a fugir de congestionamentos, acidentes e de blitze, o que acaba atrapalhando as ações policiais. 

Segundo a Polícia Militar de Gaspar, já existem informações sobre esses grupos no município. "Com certeza atrapalha o trabalho desenvolvido pela PM, mas a principal prejudicada é a sociedade, pois essas ações evitam a prisão de pessoas envolvidas com crimes", diz a Polícia em nota enviada por email. Também é importante ressaltar que obstruir atuação policial é crime conforme o Artigo 265 do Código Penal, com reclusão de 1 a 5 anos. 

O chefe do Grupo de Educação para o Trânsito da PRF em Santa Cararina, Sérgio Rafael Melati, admite que o órgão tem conhecimento da existência desses grupos, porém, a alternativa é estar à frente dessas situações. Em situações em que é necessário o elemento surpresa da polícia, outras táticas são utilizadas. "Quando usado para alertar sobre a diminuição de velocidade, os aplicativos podem até ser úteis, caso contrário, as pessoas estão apenas pondo suas vidas e dos outros em risco", explica o policial. 

Cidades brasileiras não foram feitas para ciclistas 

Texto: José Antônio Suski De Oliveira 


Arquivo JM/

O número de carros e motos nas cidades brasileiras cresceu expressivamente na última década. Em Blumenau, existem 255.686 veículos motorizados. Com tantos automóveis nas ruas, ciclistas e pedestres acabam sendo marginalizados e hostilizados. Não é seguro andar de bicicleta em ruas movimentadas e o medo de sofrer acidentes faz com que muitas pessoas abandonem meios alternativos de locomoção para adquirir carro ou moto. 

Apesar de ser um ambiente hostil para as bicicletas, um levantamento realizado pelo Serviço Autônomo Municipal de Trânsito e Transporte de Blumenau (Seterb) mostra que o número de acidentes envolvendo bicicletas caiu 75% no período de 2005 e 2016. Em 2005 foram registrados 265 acidentes, índice que em 2016 despencou para 65, uma redução de 200 acidentes. 

Um dos motivos para essa queda brusca dos acidentes envolvendo ciclistas é o aumento das ciclovias e ciclofaixas na cidade, afirma Giovanni Seibel, coordenador-geral da ABC Ciclovias e ciclista há 16 anos. No ano de 2010 eram 44 quilômetros de vias exclusivas para bicicletas em Blumenau. Em 2017, saltou para 82 quilômetros, ou seja, praticamente o dobro. Outro motivo é a mudança de registro de acidentes do Seterb em 2014, já que a partir desse período os guardas não contavam acidentes em que não haviam feridos, a não ser que fossem registradas pela vítima no Seterb. 

Giovanni afirma que a violência do trânsito em Blumenau vem aumentando desde 2002. Mesmo com os números do Seterb, que registram uma redução de 75% nas ocorrências desse tipo, o coordenador-geral tem dúvidas sobre a redução da violência. "Para fazer um boletim de ocorrência sobre o acidente tem um preço de R$ 40,00", alega. Ele acredita que esse novo método de contagem de acidentes acaba inibindo obter com mais precisão os dados de acidentes envolvendo bicicletas. 

Giovanni diz que as cidades brasileiras não foram feitas para bicicletas e observa que o desenvolvimento de países do hemisfério norte se dá justamente pelo uso de bicicleta, que além de ser saudável para o corpo humano e para o meio ambiente economiza combustível, poupa dinheiro, diminui o estresse e proporciona um exercício físico. Ele complementa lembrando que o uso de bicicleta melhora o trânsito e a qualidade de vida das pessoas. "O investimento nesse transporte é um dos caminhos para o crescimento da economia de um país", conclui Giovanni. 

Uma vida ao volante 

Texto: Ana Cláudia Kostetzer 


Ana Cláudia Kostetzer/

"Os motoristas são responsáveis por cada vida dentro do ônibus". A frase faz brilhar os olhos de Alfonso Hoppe, 71 anos. De cabelos grisalhos e bigode bem aparado, o aposentado fala com entusiasmo da profissão de motorista que exerce há 40 anos.  

A sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) é datada de 1972; dois anos depois ele obteve a carteira tipo C. Naquela época, tirar a CNH era bem mais simples. Alfonso comprou uma caminhonete e passou a utilizar o automóvel para a entrega de produtos agrícolas em Presidente Getúlio, no Alto Vale do Itajaí, sua cidade natal. Em 1977, ele mudou-se para Gaspar, onde oficialmente entrou para a profissão de motorista ao ser contratado pela Viação Verde Vale, empresa gasparense fundada dois anos antes da contratação de Alfonso. O motorista mais antigo da empresa fala da alegria que é fazer parte da história da Verde Vale. "A gente se sente em casa, é como se fosse uma família", afirma. 

No começou, Alfonso trabalhou como taxista em um período e de motorista de ônibus em outro. Pai de oito filhos, ele conta que todos seguiram lutando por aquilo que queriam, alguns com diplomas, outros não. "Todos os meus filhos começaram a trabalhar muito cedo, então eles sempre batalharam muito pra conseguir o que tem hoje. Um tirou diploma em Direito, outro é professor na Furb, outro abriu uma empresa em São Paulo", relata, orgulhoso, o aposentado. 

Para ele, a responsabilidade de um motorista vai muito além de zelar pela segurança dos passageiros. "Cada um que está dentro do ônibus, tem pelo menos dois ou três familiares o esperando em casa", lembra. Em meio ao tráfego intenso das ruas e rodovias da região, é até difícil para alguns motoristas manterem um comportamento mais humano no trânsito, porém, para Alfonso estar atrás de um volante é um aprendizado diário. "No começo da empresa eu fiz bastante cursos, e isso é bom porque a gente vai se aperfeiçoando, né". Há cada cinco anos, os motoristas da Verde Vale precisam renovar o curso de transporte de passageiros, caso contrário ficam proibidos de dirigir. 

Ele conta que muitos passageiros o reconhecem de anos atrás. "Eles me abraçam e dizem 'olha eu ia pra escola com o senhor, hoje é o meu filho que pega o seu ônibus pra ir pra escola'". O trânsito de hoje e o da época em que ele começou na profissão são bem diferentes. "Não existia congestionamentos. Já no trânsito de hoje tem muito semáforo e lombadas eletrônicas, isso vai estressando não só o motorista de ônibus, mas os motoristas em geral", observa Alfonso. 

No passado, os coletivos também tinham cobradores. O motorista dirigia enquanto o cobrador recebia o valor da passagem, porém, a tecnologia também chegou ao transporte coletivo. Há mais ou menos três anos, a Verde Vale implantou o sistema de bilhetagem eletrônica. Alfonso não teve problema para se adaptar, embora seja um dos poucos motoristas, entre os 23 registrados na empresa, que ainda conta com o auxílio do cobrador. Ele digita no painel eletrônico do coletivo o destino do passageiro e o cobrador recolhe o dinheiro e entrega o cartão.  

Se é perigoso trabalhar como motorista? Sim, principalmente por causa dos assaltos. Em uma noite de outubro, época de festas em Blumenau, Alfonso conduzia o ônibus de Gaspar para Blumenau. O ônibus estava lotado, de repente um dos passageiros pediu para encostar o ônibus. "Ele disse que o ônibus estava sendo assaltado e que havia jogado a carteira pela janela pra não ser mais uma vítima". Em meio a risadas seu Alfonso conta que outra pessoa veio para perto dele exigindo que o ônibus parasse. Como ele já estava encostando, sentiu-se no direito de chamar a atenção do rapaz. "Eu disse pra ele: olha aqui seu folgado... Quando virei meu rosto dei de cara com o revólver. Ele pediu o dinheiro, mas eu disse que não tava comigo. Quando o cobrador veio pra frente, eu já tava quase parando o ônibus, o assaltante só pegou uma quantia que tava no bolso da camisa do cobrador e saiu correndo com o seu comparsa", relata o motorista. O susto foi grande, mas hoje o aposentado dá muitas risadas do fato. "O rapaz que jogou a carteira pela janela conseguiu achá-la", complementa. 

Em meio às turbulências que podem ocorrer no trânsito, Alfonso diz que é preciso saber contornar as situações. Ser gentil é uma opção muitas vezes ignorada pelas pessoas, mas para os motoristas profissionais é fundamental. "Tem coisas que a gente precisa tolerar, sempre com calma e respeito porque o motorista está ali também representando a empresa", finaliza.  

Pais buscam segurança no transporte escolar 

Texto: Paola Fernanda Dahlke e Júlia Beatriz dos Santos 


Alexandre Melo/JM/

Em Gaspar, existem 18 vans cadastradas exercendo o serviço de transporte escolar. A cada seis meses, todas passam por vistorias e devem seguir as exigências do Código de Trânsito Brasileiro. A Superintendência de Trânsito (Ditran) tem o dever de cuidar da sinalização do município e com isso manter a segurança das crianças e adolescentes ao entrarem e saírem das escolas. Luciano Amaro Brandt, superintendente de trânsito, afirma que a conscientização, respeito e educação de todos é fundamental para um trânsito seguro, não só para o transporte escolar, mas para todos os usuários das vias. 

Para se tornar condutor de transporte escolar algumas regras devem ser seguidas, conforme exige o Código de Trânsito Brasileiro. Todo motorista deve possuir mais de 21 anos, habilitação de categoria D, curso de formação de condutor de transporte escolar e conter matrícula específica no Detran. Mas, além dos motoristas seguirem essas exigências, os pais devem sempre estar atentos às condições do veículo e do motorista. 

O Colégio Uni, pensando na segurança das quase 90 crianças que utilizam esse transporte, criou um sistema em que os alunos da educação infantil até o 5° ano do ensino fundamental desembarcam e embarcam em suas vans no próprio pátio escolar onde os motoristas esperam as crianças. Os estudantes maiores esperam seu transporte na recepção em frente ao estacionamento. Mesmo com essas medidas, a diretora pedagógica Sandra Maria de Aguiar reforça que os motoristas devem ter atenção redobrada em áreas escolares, evitando acidentes com alunos. "Julgamos importante, também, a fiscalização por parte dos órgãos competentes", cobra a diretora. 

Kátia da Silva é mãe de Maria Eduarda, 10, e de José Adolfo, 4, que utilizam o transporte escolar. Ela pede paciência aos motoristas. "É preciso ter paciência, nem todos os motoristas respeitam as paradas das topics e mesmo com as sinalizações não compreendem a necessidade do respeito. São os famosos apressados", relata a mãe. Kátia comenta que mesmo sem o respeito de alguns motoristas, os alunos ainda chegam a tempo e em segurança na escola. 

Alexandre Maciel, policial da Polícia Rodoviária Federal, afirma que a fiscalização por parte do poder público municipal e do Deter (Departamento de Transporte e Terminais) do estado ainda é muito precária. O transporte escolar deixa a desejar muitas vezes na segurança. Por exemplo, não é necessário o uso da cadeirinha e muitas vezes as crianças não utilizam cinto de segurança. "É preciso melhorar a fiscalização para aumentar a segurança do transporte escolar," acredita o policial. 

Autoescolas têm a tarefa de preparar e educar 

Texto: Laura Frainer de Oliveira e Rebeca De Paula Nogueira 


Dimas Freitas/JM/

As autoescolas são responsáveis pela formação diária de novos condutores. Muitas vezes, essa formação não ocorre de maneira apropriada e deixa a desejar quanto ao ensinamento de como transitar em vias públicas. 

Rafael Mello, 30, instrutor da autoescola Bela Vista de Gaspar há cinco anos e meio, é responsável pelas aulas teóricas. Ele afirma que depois atuar na área se percebe que a formação, em sua grande maioria, nem sempre é a ideal. Segundo ele, pode-se notar que muitos condutores circulam nas vias e que deveriam reciclar seus conhecimentos, porém não há o que fazer neste momento. "Em relação aos alunos novos, tentamos ao máximo demonstrar a importância de uma boa educação no trânsito, para contribuir com a cidadania e diminuir futuros acidentes e complicações por infrações'', explica o instrutor. 

A condutora Thaís Bitar, 19, habilitada há um ano, conta que ficou nervosa quando dirigiu pela primeira vez sozinha. Entretanto, a partir da segunda aula prática, na própria autoescola, já estava dirigindo e foi pegando o jeito. "Acho que não é necessário um maior aprofundamento, pelo menos para a autoescola que eu fiz. Sobre as outras, não posso opinar, só sei que aproveitei ao máximo minhas aulas para absorver tudo. Para mim, foi suficiente", avalia a condutora. 

O que se observa na prática é que nem todos os alunos se dedicam como deveriam. Também as autoescolas não têm preparado motoristas conscientes para encarar uma rotina no trânsito. De acordo com o site de informações G1, em matéria publicada em dezembro de 2017, em 24 horas, ao menos oito pessoas morrem em acidentes de trânsito em Santa Catarina. 

Joel Nogueira, 51, habilitado desde 1986, afirma que a imprudência reside na falta de consciência no trânsito e não na falta de experiência. Segundo ele, a maioria dos acidentes ocorre pela imprudência de jovens recém habilitados. "As autoescolas não são responsáveis pela formação de caráter, o seu papel é ensinar pessoas a dirigir'', avalia. Paulo Cortes, 23, dirige há seis anos e discorda de Joel. Para ele, sua preparação na autoescola foi muito precária, já que as aulas práticas que recebeu não o prepararam para a rotina movimentada do trânsito.  

Mesmo considerando que existem condutores iguais a Thais, que se dedicam e conseguem absorver o necessário para se tornar bons motoristas, essa não é uma regra universal. Muitas autoescolas falham com aulas práticas e teóricas, e é necessário que o interesse em aprender tem que partir do futuro condutor, tendo em mente que receber uma carteira de motorista é uma grande responsabilidade. A rotina do trânsito traz também preocupações, agitação e coloca a vida de outras pessoas em risco, como pedestres e até mesmo outros motoristas. 



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