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PESQUISA

Por que não se deve usar a cloroquina

Cientistas e pesquisadores alertam para os efeitos colaterais do uso da droga


Pesquisadores do mundo todo estão trabalhando no desenvolvimento de um medicamento que possa combater a COVID-19 / Foto: https://br.freepik.com//

Tão logo se percebeu o avanço rápido da COVID-19 pelo mundo, cientistas passaram a desenvolver uma vacina que pudesse prevenir a doença. Várias drogas foram anunciadas como solução no combate à pandemia, porém, sem comprovação científica. Mas, nenhuma delas viralizou tanto como a cloroquina e hidroxicloroquina, hoje utilizadas no combate a doenças como malária e outras autoimunes.

Preliminarmente já se sabe que as duas drogas têm resultados positivos contra o novo coronavírus. Testes feitos na França deram esperanças aos cientistas, tanto que o presidente norte-americano, Donald Trump, foi o primeiro a dizer que iria autorizar a produção da cloroquina e hidroxicloroquina em larga escala em seu país. A declaração do presidente circulou juntamente com uma notícia de que a cloroquina e hidroxicloroquina, combinadas com outra droga, azitromicina, haviam curado cerca de 40 pacientes nos Estados Unidos que havia contraído coronavírus.

A notícia é mais uma fake news. Estudos ainda estão sendo feitos e os cientistas calculam em mais de um ano o tempo necessário para concluir as pesquisas sobre a aplicabilidade da cloroquina e hidroxicloroquina na prevenção a COVID-19. A partir daí é que se poderá desenvolver um medicamento contra a doença. Em colaboração e seguindo as orientações da OMS (Organização Mundial de Saúde), o Brasil integrará as pesquisas para comprovar cientificamente a eficácia das duas drogas, que também terá a participação de hospitais do Sul de Santa Catarina.

O professor pesquisador e presidente da Comissão Temporária de Acompanhamento e Prevenção da Universidade do Extremo Sul de Santa Catarina (Unesc), doutor Felipe Dal Pizzol, lembra que a recomendação do consumo da cloroquina e hidroxicloroquina se dá para casos graves e pede atenção ao fármaco. "O uso indiscriminado, para casos leves e prevenção da doença, não é recomendado. Quem buscou a cloroquina na farmácia ainda é exposto aos riscos graves de seu uso", alerta.

Restrição

A iniciativa em nível mundial é liderada pela OMS e foi batizada de Solidariedade. No Brasil, a responsabilidade é do Projeto Coalizão Covid Brasil, liderado pelos hospitais Albert Einstein, Sírio Libanês e HCor, além da Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva, qual Dal Pizzol é membro. Alinhadas às propostas tem entre outros objetivos realizar os testes clínicos com a cloroquina e a hidroxicloroquina.

A ideia é realizar ensaios em até 70 hospitais pelo país, totalizando até mil pessoas participantes, com diferentes quadros: dos leves aos mais graves, inclusive aqueles que estão na UTI. "A iniciativa, via Ministério da Saúde, vai ter a participação de hospitais da região. O medicamento será testado em três diferentes condições: para casos leves, graves, em que o paciente já está hospitalizado, e muito graves, com a pessoa já em terapia intensiva sob respiração mecânica", explica Dal Pizzol.

O objetivo é coletar dados para gerar soluções de forma rápida. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou a restrição da compra dos medicamentos em todo o país. A medida foi tomada devido a grande busca em farmácias, mesmo com testes sem resultados conclusivos. além do fato de que os medicamentos poderiam faltar para quem de fato preciso, como os pacientes de lúpus.

Dal Pizzol alerta sobre respostas adversas que o corpo pode dar ao uso do medicamento, principalmente sem indicação. "Diarreia, náuseas, vômito, coceira, taquicardia e câimbras. Também são associados a alterações mais graves, como problemas visuais e até arritmias cardíacas potencialmente fatais", frisa.


"O uso indiscriminado, para casos leves e prevenção da doença, não é recomendado. Quem buscou a cloroquina na farmácia ainda é exposto aos riscos graves de seu uso". 

Felipe Dal Pizzol , Professor e pesquisador da Unesc

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