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CRIANÇAS

Por que as crianças e adolescentes têm mais imunidade à COVID-19?

Presença reduzida de uma enzima no pulmão pode ser a causa


Quando infectadas, as crianças, na maioria, têm sintomas leves da COVID-19 / Foto: Divulgação/

As crianças não estão imunes à COVID-19, mas se mostram bem mais resistentes. Essa é uma questão que intriga a comunidade médica. O índice de contágio entre crianças e adolescentes é bastante baixo e quando ocorre os sintomas são leves. Um estudo chinês revelou que pouco mais da metade das crianças teve sintomas leves: febre, tosse, dor de garganta, nariz escorrendo, dores no corpo e espirros. Um terço desenvolveu sinais de pneumonia, com febre constante, tosse e chiados no peito, mas sem a falta de ar e a dificuldade para respirar comum nos casos mais agudos da doença.

A médica pediatra Carla Hasse, que tem consultório no bairro Sete de Setembro, em Gaspar, explica que a hipótese mais aceita para a resistência maior das crianças ao vírus pode estar relacionada à presença de uma enzima (ACE2) nas células do pulmão. Essa enzima é o receptor da Sars-CoV-2 - o vírus causador da COVID-19 - necessária para sua entrada na célula humana. "O pulmão das crianças ainda está em desenvolvimento, por isso produz menos dessas enzimas", afirma. A médica alerta, porém, que as crianças podem representar um risco para a família por não terem a disciplina das regras de higienização que precisam ser seguidas na prevenção ao coronavírus. "A maioria das crianças irá se infectar em contatos domiciliares, por isso é de extrema importância os cuidados de higiene: lavar as mãos com frequência seja com água e sabão e/ou álcool gel 70%; quando espirrar ou tossir deve-se usar lenço de papel, e depois do uso descartar; se não tiver lenço de papel, usar o próprio cotovelo para tossir ou espirrar. Outra regra que deve ser observada é a do distanciamento de, no mínimo, dois metros de uma pessoa para outra. A médica também orienta para a higienização de maçanetas de portas, telas de laptops, tablets e telefones, além de não compartilhar pratos, talheres, copos e deixar a casa sempre ventilada. Já o uso de máscaras, ela diz que em crianças assintomáticas saudáveis, a Sociedade Brasileira de Infectologia Pediátrica não recomenda, embora esse procedimento ainda seja bastante controverso. Carla reforça que o isolamento social ainda é a medida mais eficaz contra o coronavírus.

Desde o início da pandemia, de modo geral, a procura dos pais por consultas pediátricas caiu bastante, porém, a médica explica que não há motivos para os pais suspenderem as consultas de rotina ou de emergência. "No consultório aplicamos todas as medidas de proteção como máscara e álcool gel 70%, além de ficarem abertos e ventilados. Talvez, um dos locais de menor risco de contágio é justamente o consultório médico, então não há porque ter esse temor e prejudicar as consultas de puericultura na infância", defende.

Ela também argumenta que em muitos casos pode ocorrer certa confusão entre a COVID-19 e a Doença de Kawasaki, muito comum entre crianças. "Os sintomas clínicos são febre, erupções cutâneas que não coçam, conjuntivite, papilas gustativas proeminentes e edemas nas mãos e extremidades". A Doença de Kawasaki, em um estágio mais avançado, pode provocar inflamação da parede dos vasos sanguíneos e levar o paciente a complicações maiores, como aneurisma de aorta.

Redes Sociais

Como a maioria dos profissionais da saúde, Carla se mostra preocupada com as notícias que circulam nas redes sociais. Para ela, esses não são espaços adequados para se discutir formas de prevenção e tratamento da COVID-19 e critica determinados protocolos que vêm sendo adotados por municípios. Segundo ela não há indícios de que a cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina, nitazoxanida, azitromicina sejam eficazes no tratamento da COVID-19, e acrescenta: "Há muito ainda a ser pesquisado sobre a doença, e mesmo que o Ministério da Saúde recomende o uso de cloroquina, por insistência do presidente Jair Bolsonaro, várias sociedades médicas vêm condenando tratamentos sem comprovação científica".

Para a doutora Carla, não é porque determinada cidade adotou o sistema de prevenção por ivermectina que todas agora deverão seguir sem dados científicos. A médica pediatra lembra que cada paciente é um caso particular e seu tratamento deve ser prescrito de forma particular. "Estamos lidando com pessoas, com crianças, acima de tudo é preciso ter bom senso e respeitar a vida", concluiu.



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