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Heróis da resistência

Na linha de frente para garantir a saúde de milhares

Com receio, mas com a determinação de cuidar para que menos pessoas fiquem doentes


Enquanto a maioria das pessoas podem optar em fazer o "home office", ou seja, trabalhar de casa, há muitos profissionais que não tem essa opção - muito pelo contrário: estão diretamente na linha de frente. É o caso dos médicos e enfermeiros que, diariamente, se expõem ao risco para atender a comunidade. Conversamos com Francielly Oliveira, 27 anos, que atua como enfermeira na Estratégia de Saúde da Família (ESF), no bairro Margem Esquerda, onde a rotina de trabalho de toda equipe mudou bastante nos últimos dias. "Estamos atendendo somente a demanda imediata, pacientes que chegam com queixas urgentes, ou vômito, diarreia e queixas respiratórias. As receitas também estão sendo realizadas para que os pacientes não fiquem sem a medicação", explica.  

Porém, todas as consultas de rotina e exames para preventivos foram cancelados para evitar expor a comunidade. "Orientamos aos pacientes que, caso eles precisem de algo, devem entrar em contato conosco antes de vir até a unidade, principalmente as gestantes, os idosos e as crianças". A enfermeira explica que os pacientes suspeitos são atendidos em um consultório separado. "Estamos nos paramentando como podemos, com máscaras, gorro e avental", ressalta. 

Mesmo adotando todas as medidas de segurança, Francielly admite ter medo. "Estou fazendo de tudo para me proteger. Tento vir trabalhar com o mínimo de objetos possíveis e não trago mais minha bolsa para dentro do posto. Antes de ir para casa, tomo banho, e quando eu chego na minha residência, vou novamente para o chuveiro. Mesmo assim, tenho medo. Tenho uma filha de um ano e minha vontade era de poder ficar em casa com ela. Todos os dias, ao vir para o trabalho, peço proteção a Deus, para mim e para minha equipe", emociona-se. Para seguir em frente e exercer a profissão que escolheu, a enfermeira buscas forças em Deus. "Só ele para nos sustentar e nos manter firmes em um momento como esse". 

A rotina de Francielly é a mesma de Leonardo Galindo, 36 anos, enfermeiro que atua há mais de dois anos na Estratégia de Saúde da Família (ESF) do bairro Coloninha. O profissional, porém, se mostra confiante diante da situação. "Sinto, na verdade, um grande prazer em poder ajudar. É claro que tomo todas as precauções, mas tento manter a calma e parcimônia. Porque se nós, profissionais da saúde, nos desesperarmos e entrarmos em pânico, não teremos condições nem físicas e nem psicológicas para enfrentarmos o problema e assistir a comunidade", afirma.

 O enfermeiro diz encontrar forças justamente na profissão que escolheu. "Tudo o que já estudei e continuo estudando me faz pensar que tudo isso vai passar. Estamos enfrentando um momento de crise, mas há uma luz no fim do túnel. Hoje temos muitas ferramentas disponíveis e acredito que será encontrada uma medicação contra o vírus ou uma vacina, é só uma questão de tempo. Enquanto isso, estamos aqui, unindo forças, em prol da população".  

"Tenho uma filha de uma ano e minha vontade era poder ficar em casa com ela. Todos os dias, ao vir para o trabalho, peço proteção a Deus para mim e minha equipe" 

Francielly Oliveira, enfermeira 


"É claro que tomo todas as precauções, mas tento manter a calma e parcimônia. Porque se nós, profissionais da saúde, entrarmos em pânico, não teremos condições de asssitir os pacientes" 

Leonardo Galingo, enfermeiro

Apoio virtual 

Nesta semana, o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés, prorrogou por mais sete dias o decreto que determina o distanciamento social. O isolamento é fundamental no momento para impedir a proliferação do Coronavírus no estado mas sabemos que o isolamento pode provocar, em algumas pessoas, ansiedade, angústia ou desconforto emocional. Pensando nisso, psicólogos da rede municipal de saúde de Gaspar se colocaram à disposição para atender a comunidade, por meio eletrônico. 

Ao todo, são oito profissionais e o serviço está sendo coordenado pela psicóloga Silvania Zanoelo dos Santos. Ela explica que os atendimentos iniciaram no domingo (22) e, em apenas um dia (até a segunda-feira, dia 23), 50 chamados já haviam sido registrados. O contato com os psicólogos deve ser feito pelo telefone 3703 3717 (ligação ou mensagem pelo whatsapp). "O profissional irá identificar qual é a situação da pessoa e todos estes contatos são repassados para mim, para ser feita uma triagem, levando em conta a idade da pessoa e os sintomas apresentados. Depois, cada caso é encaminhado para um psicólogo, que entra novamente em contato com o paciente", afirma.  

A intenção, segundo Silvania, é oferecer apoio emocional, já que o isolamento social traz diversas reações e podem prejudicar a saúde mental. "Nosso objetivo é preservar a saúde integral da nossa comunidade e, neste momento, a saúde emocional é uma das nossas preocupações. Somos seres sociáveis, nos habituamos a estar com os outros, a beijar, a abraçar, ir à praça, visitar alguém... tudo isso é terapêutico", pondera. Dos 50 contatos feitos até a segunda-feira (23), a maioria das pessoas relataram ansiedade, medo e uma grande solidão. "Tivemos casos graves, inclusive com pensamento suicida", alerta a psicóloga.

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