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BALEIA AZUL

Jogo virtual causa apreensão nos pais

21 Abril 2017 16:34:00

As investigações, ainda não conclusivas, apontam para o suicídio de jovens

Dimas Freitas - jornalismo1@jornalmetas.com.br
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Foto: Divulgação
O jogo é focado em crianças e adolescentes, porém é possível que adultos também tenham a curiosidade de experimentá-lo

Nas últimas semanas, um assunto tem levado medo e apreensão às famílias de todo o Brasil. Ainda envolto em muita incerteza e especulação, um jogo de internet tem tirado o sono de pais e ameaçado a saúde e a vida de crianças e adolescentes. Até onde se sabe, o desafio Baleia Azul (Blue Whale Challenge), surgiu em uma rede social russa e se espalhou pelo mundo. No jogo, os jovens são incentivados a cumprir 50 desafios, que vão desde a assistir filmes de terror à automutilação, podendo chegar até mesmo ao suicídio. 

Apesar de ter ganhado destaque na imprensa, pouco se sabe sobre a veracidade do jogo, e até que ponto ele afeta os jovens. Mesmo sem nenhuma garantia que os recentes suicídios registrados no país tenham ligação com o jogo, o tema levantou a discussão sobre o aumento da taxa de suicídio entre os jovens nos últimos anos e a importância da família diagnosticar o problema a partir da alteração no comportamento dos jovens.

O desafio Baleia Azul consiste em cumprir 50 tarefas que são repassados pelos ‘curadores’ em grupos de WhatsApp e Facebook. Esses grupos são geralmente secretos, e participar deles depende do convite dos líderes (curadores) que não necessariamente fazem parte do círculo de amizade desses jovens. Há relatos, inclusive, de convites que foram enviados através do Instagram por pessoa de outros estados. A partir do momento que o jovem aceita participar do desafio, ele fica proibido de sair sob ameaça de violência contra ele ou algum familiar, já que os curadores passam a ter informações pessoais dos participantes. 

Geralmente, os Whales (Baleias em inglês) como são chamados os participantes do jogo, devem cumprir uma missão por dia e enviar uma foto comprovando a realização do desafio para o curador. O primeiro desafio da lista é cortar a pele com uma navalha e escrever “F57” (nome da comunidade em uma rede social russa onde o jogo surgiu) na palma da mão. A partir daí o jogo vai se tornando cada vez mais macabro e perigoso, com missões como assistir filmes de terror na madrugada, furar ou cortar a pele e se pendurar em parapeitos e telhados. 

Para a psicóloga Aline Moraes (CRP-12/14188), os adolescentes e crianças são as mais atingidas, mas mesmo adultos podem vir a ser vitimas do jogo. “A tendência suicida atinge geralmente pessoas fragilizadas, principalmente adolescentes que é a faixa etária mais suscetível”. Segundo a psicóloga, uma das melhores formas de prevenção ao suicídio é manter o diálogo aberto. “Os pais devem sempre estar próximos aos filhos para notarem qualquer alteração de comportamento. Caso seja necessário, a família deve procurar ajuda profissional, mas uma boa conversa entre pais e filhos é o prmeiro passo no caminho da prevenção; o segundo passo é a ajuda de um psicólogo”, reforça.

O jogo, apesar de ser nocivo, pode dar pistas do problema enfrentado pelo jovem. Normalmente quem enfrenta problemas suicidas, dá pistas do momento que atravessa, seja pela autoflagelação e até mesmo em falar sobre a vontade de tirar a própria vida, que não pode ser encarada como uma forma de chamar a atenção. “Com ajuda de um psicólogo, essa pessoa irá trabalhar as motivações que o levaram a essa situação. O tratamento varia de caso para caso, mas em geral é criada uma rede de proteção com a participação de familiares para auxiliar o paciente durante todo o tratamento e assegurar que ele não se machuque”, explica a psicóloga. 

Como Surgiu
O jogo da Baleia Azul, ao que tudo indica, começou com a morte de uma jovem russa de apenas 17 anos que, antes de se matar, postou uma foto em uma rede social russa (VKontakte-VK), ao lado de um trilho de trem, com a palavra “Adeus”. Na época, a imagem da jovem foi amplamente divulgada. Foi quando páginas focadas em tragédias, com divulgação de fotos e vídeos de suicídios e acidentes, começaram a compartilhar fotografias da jovem alegando que ela fazia parte de uma seita suicida. Um desses grupos, com a intenção de gerar uma divulgação viral para promover a página e ganhar dinheiro com isso - assim como acontece no Facebook, é possível ganhar dinheiro com as páginas do VK - criou o desafio Blue Whale, ou Baleia Azul.

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