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CHUVA NO VALE

Por que tem chovido tanto em SC?

Meterologia explica que umidade e sistemas de baixa pressão estão provocando o excesso de chuva

Alexandre Melo


Desde o final do ano passado, a Epagri/Ciram, órgão que monitora as condições do tempo em Santa Catarina, vem alertando para um primeiro trimestre de 2021 com muita chuva no estado. A média para janeiro, por exemplo, é de 150 a 190 mm para a maioria das regiões, porém, em algumas delas choveu entre 200 e 250 milímetros, como na Grande Florianópolis no último final de semana, Litoral Norte e Vale do Itajaí. Em Gaspar, de acordo com a Defesa Civil municipal, choveu 152mm em quatro dias da semana passada, ou seja, quase toda a média histórica para o primeiro mês do ano.

Toda essa chuvarada causa apreensão na população e deixa em alerta os órgãos de defesa em diversas regiões do estado. De acordo com os meteorologistas, a chuva acima da média histórica é causada por uma convergência de fluxos que trazem umidade, associada à atuação de sistemas de baixa pressão e uma maior temperatura das águas do oceano próximas à costa catarinense.



REPRODUÇÃO EPAGRI/CIRAM

O meteorologista-chefe da Defesa Civil do Estado, Murilo Fretta, explica que dois fluxos de umidade chegaram ao Estado nos últimos dias, um vindo da Amazônia, com direção noroeste, e outro vindo do oceano Atlântico. Eles foram impactados por dois sistemas de baixa pressão, denominados de cavado e vórtice ciclônico, que jogaram esta umidade para os níveis mais altos da atmosfera, provocando o aumento da quantidade de chuva. "Toda essa convergência estava principalmente sobre o litoral de Santa Catarina", acrescenta o meteorologista. O calor e o aumento da umidade do ar favoreceram o desenvolvimento de nuvens e a consequente a chuva intensa. Outro fator, segundo Fretta, que também influencia é o relevo da região.


Rio Itajaí-Açu já voltou para o seu nível normal / FOTO DIVULGAÇÃO PMG

O meteorologista não dá muitas esperanças de melhora do tempo para os próximos dias. A chuva persiste em Santa Catarina ao longo desta semana, por conta da alta umidade e dos sistemas de baixa pressão. A diferença é que a chuva deve vir principalmente em forma de pancadas e temporais, com a possibilidade de altos volumes em espaços curtos de tempo, ou seja, uma precipitação mal distribuída. As regiões da Grande Florianópolis, do Vale do Itajaí e do Litoral Norte seguem em alerta máximo para risco deslizamentos de terra, já que o solo continuará absorvendo um grande volume de água.

"A orientação é que a população siga atenta aos avisos da Defesa Civil (Estadual e Municipal) e comuniquem as autoridades ao menor sinal de perigo ou de alterações no solo. O momento é de atenção e temos nossas equipes mobilizadas para atender a população", reforça o meteorologista.


Chuva tem provocado diversos transtornos para a população de Gaspar nos últimos dias / FOTO PMG

Gaspar

De quinta-feira (21) a domingo (24), a Defesa Civil de Gaspar já havia atendido 43 ocorrências relacionadas a chuva. Deste total, 29 ocorrências eram deslizamentos de terra e duas erosões de solo. Além disso, houve uma queda de ponte, uma queda de passarela, quatro alagamentos de via, uma queda de muro, três quedas de árvores e dois riscos em resiências. No total, 17 bairro foram atingidos pela chuva, sendo que o maior número de ocorrências foi registrado na região do distrito do Belchior (Baixo, Central e Alto). Algumas ruas da cidade seguem com sinalização "de perigo" para deslizamentos e erosões, o que requer atenção redobrada dos motoristas. E se não bastasse toda essa apreensão e cuidado, a Diretoria de Trânsito (Ditran) ainda precisa se ocupar com os atos de vandalismo contra a sinalização. No mínimo, três vezes nos últimos dias foi preciso repor as placas de sinalização nos locais em risco.

Fevereiro com chuva e temperatura acima da média


Anomalia da TSM no Pacifico e Atlântico, em janeiro de 2020 / REPRODUÇÃO EPAGRI/CIRAM


Para o mês fevereiro, que começa na próxima semana, a previsão não é muito diferente de janeiro, ou seja, chuva frequente e acima da média climatológica para Santa Catarina, especialmente no Litoral. De acordo com a Epagri/Ciram,a chuva em fevereiro é provocada pelo deslocamento de frentes frias no litoral catarinense, cavados (áreas alongadas de baixa pressão), convecção da tarde, localizada e de curta duração, com maior frequência entre a tarde e noite, e por vezes na madrugada. A média mensal prevista para fevereiro é de 150 a 170 mm no Planalto, podendo chegar a 210 mm no Oeste, Meio Oeste e no Litoral. Em março diminuem as chuvas de verão, e principalmente a partir da segunda quinzena as frentes frias chegam com mais frequência ao Sul do Brasil, sendo responsáveis pela maior parte da chuva em Santa Catarina, com média mensal variando de 100 a 130 mm do Oeste ao Planalto e de 150 a 210 mm no Litoral do Estado. Em abril, a chuva diminui ainda mais e a média mensal fica em torno de 110 a 170 mm, no Estado. A partir de março, não será a chuva, mas as ventanias que poderão causar apreensão na população catarinense. Ciclones extratropicais atuam com mais frequência no litoral do Uruguai, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, provocando vento intenso, mar agitado com ressaca e perigo para a navegação no litoral catarinense.

A previsão para os próximos três meses é de temperatura próxima a acima da média climatológica em SC, com valores mais altos nos meses de verão (fevereiro e março). No início do trimestre as temperaturas estarão mais altas, devido às massas de ar quente que seguem atuando com frequência. Ressalta-se que podem ocorrer episódios isolados com temperatura mais baixa na madrugada e amanhecer, sendo mais frequente no fim de março e em abril, com a chegada das primeiras massas de ar frio em SC.

Avisos Epagri/Ciram

Superfície do Mar (TSM):

Nos meses de dezembro de 2020 e janeiro de 2021, as águas no Pacífico Equatorial apresentaram ampla área de resfriamento com anomalia de -1,0°C e -1,8°C (Figuras 1 e 2), mantendo o fenômeno La Niña. Nos próximos meses persiste a atuação da La Niña, tendendo a neutralidade nos meses de outono e inverno. No Atlântico Sudoeste observa-se anomalia positiva de TSM (Temperatura da Superfície do Mar) em torno de TSM em torno de 1,0 a 2,0°C.

Entre os dias 31/01 e 03/02 a condição típica de verão mantém mais presença de sol e calor com pancadas de chuva à tarde em SC. entre os dias 04 e 05/02 uma frente fria passa pelo estado causando chuva melhor distribuída, com totais acumulados mais elevados. No período de 06 a 09/02 a chuva segue frequente, principalmente do planalto ao litoral. A temperatura estará elevada, e com a umidade elevada mantém a sensação de ar abafado.


A maior ameaça neste momento são os deslizamentos de terra/ FOTO PMG


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