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ALERTA

Clima esquenta mais nos últimos quatro anos

18 Fevereiro 2019 08:29:00

É o que mostra relatório da ONU sobre o comportamento das temperaturas no Planeta

Alexandre Melo


Cidades precisam se preparar melhor para eventos/FOTO DIVULGAÇÃO


O ano passado foi o quarto mais quente desde o início da medição das temperaturas globais, revelou um relatório da ONU publicado no início deste mês. O estudo mostrou ainda que os anos entre 2015 e 2018 foram os quatro mais quentes da história. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), em 2018, as temperaturas médias globais registradas ficaram 1°C acima da média do período pré-industrial. O relatório teve como base dados recolhidos por agências meteorológicas dos EUA, do Reino Unido, do Japão e da Europa.

O ano passado foi marcado por eventos climáticos extremos, como incêndios florestais na Califórnia e na Grécia, seca na África do Sul e inundações na Índia. Além do calor, as emissões de gases do efeito estufa, principalmente as originárias da queima de combustíveis fósseis, também bateram recorde em 2018. "A tendência de temperatura em longo prazo é mais importante do que o ranking de anos individuais. Essa tendência é de subida. Os 20 anos mais quentes já registrados estiveram entre os últimos 22 anos", destacou o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas.

Segundo Taalas, o nível de aquecimento nos últimos quatro anos é excepcional, tanto o registrado em terra, quanto nos oceanos. "Muitos dos eventos climáticos extremos são coerentes com o que esperamos de um clima em mudança. Essa é uma realidade que precisamos encarar", destacou. A ONU prevê que o ritmo de aquecimento observado nos últimos anos se mantenha em 2019. A Austrália registrou neste ano o janeiro mais quente de sua história. De acordo com Taalas, as ondas de calor estão se tornando mais frequentes como resultado das mudanças climáticas.

O secretário-geral da OMM destacou que a onda de frio extrema que atingiu os Estados Unidos nas últimas semanas, com temperaturas que chegaram a -53°C, também é um efeito das mudanças climáticas. "Parte das anomalias de frio pode estar relacionada a alterações dramáticas no Ártico", acrescenta. Os dados da OMM, cujos primeiros registros foram feitos no século 19, mostram que o ano mais quente da história foi 2016, impulsionado pelo fenômeno El Niño no Oceano Pacífico.

Para combater as mudanças climáticas, cerca de 200 países adotaram o Acordo de Paris, em 2015, que visa diminuir as emissões que impulsionam o aquecimento global e tentar limitar o aumento da temperatura do planeta a até 2°C em relação à média registrada no período pré-industrial. Segundo a ONU, se não for feito o suficiente para reduzir as emissões, o aumento da temperatura global pode passar dos 3°C até 2100.

"Os impactos do aquecimento global no longo prazo já estão sendo sentidos em inundações costeiras, ondas de calor, intensa precipitação e mudanças nos ecossistemas", ressaltou Gavin Schmidt, da Nasa. Somente os Estados Unidos foram atingidos por 14 desastres climáticos no ano passado, incluindo furacões e incêndios florestais, o que resultou em prejuízos bilionários.


FOTO: Rodrigo Kroth/Jornal Imprensa do Povo/Eventos climáticos passarão a ser mais frequentes

Pesquisa

Para corroborar ainda mais com o tema, um levantamento, divulgado nesta segunda-feira (11/02) pelo Centro de Pesquisas Pew, com sede em Washington., mostra que alterações no clima do planeta são fator de segurança que mais preocupa as pessoas no mundo, seguidas do terrorismo e ciberataques, e indica aumento dos temores sobre a influência dos EUA.

As ameaças ao clima do planeta foram apontadas como a maior causa de preocupação por entrevistados de 13 dos 26 países onde a pesquisa foi realizada, incluindo o Brasil. O terrorismo islamista do grupo "Estado Islâmico" ocupa o topo da lista em oito países, e em outros quatro, incluindo os EUA, os ciberataques foram indicados como a principal causa de temores entre a população.

As preocupações com as mudanças climáticas vêm crescendo acentuadamente desde 2013, com aumentos de dois dígitos em pontos percentuais registrados pela pesquisa em países como os EUA, México, França, Reino Unido e África do Sul. No Brasil, o tema foi apontado como principal fator de preocupação por 73% dos entrevistados, seguido pelos temores em relação à economia global (66%) e dos ciberataques (61%).

O levantamento revelou ainda o aumento das preocupações em vários países em relação ao poder e influência global dos Estados Unidos. Entre os brasileiros, 53% apontaram essa questão como um de seus principais temores, o mesmo percentual das preocupações com um ataque terrorista islâmico no país.

Em média, 45% dos entrevistados nos 26 países disseram temer a influência global americana em 2018, revelando um aumento significativo em relação aos 25% que deram a mesma resposta em 2013. No ano passado, essa preocupação foi apontada por aproximadamente a metade das pessoas em dez países, inclusive na Alemanha, no Japão e na Coreia do Sul. Em 2017 esse temor fora registrado em sete países e em 2013, em apenas três.

Na Alemanha, as preocupações com o clima também figuram no topo da lista (71%), seguidas da ameaça terrorista (68%) e dos ciberataques (66%). A influência americana foi apontada como ameaça à segurança por 49% dos entrevistados.

Em entrevista à DW, Jacob Poushter, diretor do Centro de Pesquisas Pew e principal autor do estudo, afirma que os temores em relação aos EUA superaram as preocupações registradas nos anos anteriores em relação à Rússia e à China. "Isso representa uma mudança em relação a 2013, quando uma leve maioria das pessoas dizia que a Rússia e a China representavam uma ameaça maior do que os EUA. Essa é uma mudança muito acentuada", observou. Poushter ressaltou que, em 2018, uma quantidade significativamente maior de cidadãos americanos revelou preocupações com as mudanças climáticas, num aumento em 19 pontos percentuais desde 2013.

"É uma ameaça crescente para os americanos, assim como para os países europeus. A diferença é que, nos EUA, a divisão partidária é muito ampla, e os democratas são bem mais propensos a apontar as mudanças climáticas como uma grande ameaça do que os republicanos. Há uma diferença de 56 pontos percentuais, o que é muito grande". O Centro de pesquisas Pew entrevistou 27.612 pessoas em 26 países entre maio e agosto de 2018.

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